El Camino se hace al andar…. ….en Moto!!!!! – Tentativa Frustrada

Uma tentativa frustrada

Dia 4 de Janeiro de 2014 e o salto da cama foi mais que contundente.
Era dia de aventura!

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Dulcineia já estava à minha espera.
O trajecto até Siant-Jean-Pied-de-Port estava traçado e pensado para atravessar uma parte da Jacetania, territorio algo desconhecido por mim, sem deixar de passar pelos Riglos ou pelo Mosterio de San Juan de la Peña.
Nada mais sair de casa metemo-nos por caminhos agricolas para cortar caminho.
Alguns caminhos estavam tão danificados pelas chuvas dos dias anteriores que não pude evitar algum sufrimento ao perceber que Dulcineia tinha dificuldades em avançar.

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Quando paramos em piso firme ela estava assim!
Mas os caminhos ficariam por aqui…..
….por enquanto!

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Os Mallos de Riglos….

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Anzanigo, donde fica um refúgio Motard, mesmo no sopé dos Pirineus!

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Este é o Mosteiro de San Juan de la Peña onde, segúndo diz a lenda, um Cavaleiro do Templo depositou o maior tesouro da Ordem do Templo, o Santo Graal. Foi neste mosteiro beneditino que o Santo Graal foi guardado até que o Rei Afonso V de Aragão o levasse para a catedral de Valencia.

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Estamos em plena Jacetânia, onde as curvas são assim!

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As povoações aqui tem uma beleza especial, como Ansó que aqui vemos.
A tarde, e Navarra, traziam-nos um imenso temporal de chuva e neve nas terras altas, a esta ultima conseguimos esquivar, mas a chuva obrigou-nos a vestir o oleado e a abrandar o ritmo em estradas onde as curvas convidavam a ritmos alegres e inclinações acentuadas.
Chegamos a Sain-Jean cansados e fartos de chuva, que só nos abandonaria de madrugada.

05-01-2014

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A porta de Saint-Jaques, que dava acesso ao nucleo medieval de Saint-Jean-Pied-de-Port.
Eram as 6h30 da manhã e a ansiedade obrigou-me a sair de noite para a rua.

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As ruas apresentavam ainda as decorações natalicias e gozavam de um silencio apaziguante.
Não chovia, mas faziam temperaturas negativas.

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La no alto, pouco antes de chegar a Roncesvalles, a neve caida durante a noite fazia realçar a beleza destas paragens.

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A famosa Escalinata de Roncesvalles, num momento em que voltava a nevar.
Era tempo de por preventivamente o fato de chuva e começar o caminho de verdade!

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A parte Navarra é acidentada e cheia de arvores que devem criar um ambiente verde e fresco para os peregrinos.

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O Caminho

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Os cursos de agua que tivemos que atravessar eram muitos…

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Um velhinho Willis e a Dulcinea que se quis fotografar ao lado!

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A Plaza del Consistorio em Pamplona, famosa pela largadas de touros (encierros) e as festas de San Fermin.

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De volta ao caminho!!!!

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O monte do Perdão.
É aqui que começa uma descida perigosa, abrupta, com muitos degraus e pedra solta. Chovia, fazia vento e, apesar de ter muito cuidado, por varias vezes encontrei os limites na Dulcineia.
As suas suspenções tinham pouco curso, a posição de condução não era de todo a ideal e, o que a levava estava demasiado verde para este tipo de aventuras.
Quando terminei a descida, sem antes levar um par de sustos, o caminho ficou “manso”, abrindo-se diante de mim com piso plano, largo e sem aparentes obstaculos, bordeando alguns arbustos sem grande dificuldade. Tudo convidava a aumentar o ritmo e acabei por acelarar mais do que devia.
Ao passar ao lado de um dos arbustos o caminho subitamente deixa de existir. O terreno ao lado tinha sido lavrado, assim como parte do caminho, o que deixou tudo cheio de barro e terreno “fofo”, acabando no chão no meio de um lamaçal. Dulcinea não teve a mesma sorte, pois impactou contra uma arvore, torcendo uma bainha, o guiador, amolgando o deposito e partindo a manete de embaiagem. Felizmente e depois de ver que não tinha nada a não ser o orgulho ferido, consegui reutilizar o pouco que restava da manete da embraiagem e trazer a Dulcinea de volta para casa.

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Estava assim finalizado o Caminho…..
….por agora!

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Já lá vão mais de dois anos, que aproveitei para ganhar experiencia, ler sobre o Caminho e comprar outra moto, muito mais capaz de aguentar uma aventura desta dimensão.
Contudo, aprendi muito, a experiencia e o que vivi mantinham vivas na minha alma aquela chama de sair à descoberta do caminho.
Coisa que chegou no ultimo dia do mes de Fevereiro deste ano!

O Caminho se faz ao andar…. ….em Moto! (Introdução)

O Caminho faz-se ao andar….. ….de Moto!

O que é?

O Caminho é uma peregrinação religiosa ao túmulo do Apostolo Tiago, supostamente sepultado pelos seus discípulos no lugar onde hoje existe a Cidade de Santiago de Compostela.
Tudo se remonta, de forma mal contada, aos anos imediatos à crucificação de Jesus Cristo, em que os Apóstolos se dispersaram pelo Velho Continente para levar o Evangelho aos seus habitantes. O Apostolo Tiago dirigiu-se há Península Ibérica onde “semeou “ a fé em vários discípulos das varias tribos que visitou.
No caminho de volta a Jerusalém, a Virgem Maria apareceu-lhe desde o alto de um Pilar de fogo pedindo-lhe que erguesse ali um templo consagrado a ela. Acabava de ser fundada, segundo a Igreja Católica, a Cidade de Zaragoza.
Ao encontrar-se em Jerusalém, Tiago foi preso e posteriormente decapitado pelos Romanos, mas o seu corpo foi lançado por crentes ao mar numa jangada de pedra, que derivou no mar por tempo indeterminado até encalhar nas costas galegas…. Ao reconhecerem o seu “professor”, os discípulos enterraram o corpo do Apostolo numa das colinas que serviam de pasto dos rebanhos.
Foi então que um dia, pastoreando por ali com o seu rebanho, um pastor vê mergulhar na colina uma estrela, indicando-lhe o caminho ao sepulcro do Apostolo. Correu a voz entre os habitantes da Península que o sepulcro de Campus Estelae curava todo tipo de males.
Quando Carlos Magno ouviu falar do Sepulcro do Apostolo quis fazer a peregrinação para ver com os seus olhos o poder que dele emanava.
Foi na Idade Media que o Caminho viveu a sua “época de ouro”, sendo custodiado pelos Cavaleiros da Ordem do Templo, onde vários milagres aconteceram e por donde passaram grandes personalidades da época.
Com o Renacentismo, o Romanticismo, as guerras de sucessão, Guerra da Independência e Guerra Civil (já em pleno sec XX) o caminho perdeu parte da sua identidade, muitas historias foram esquecidas e o seu trajecto quase apagado do mapa.
O Papa João Paulo II, conhecido por Papa Peregrino ajudou a avivar o espírito do peregrino e em consequência as antigas rotas de peregrinação. Mas foi a literatura contemporania que deram a conhecer o Caminho ao grande publico, destacando-se o Diario de Um Mago, livro escrito por Paulo Coelho nos meados da década de 90, como grande impulsionador do Caminho actual.
O Caminho tem varias rotas mais ou menos demarcadas. A norte o Caminho do Norte, que vai de Bayone até Santiago de Compostela acompanhando grande parte da Cordilheira Cantabrica, ao sul o Caminho de la Plata que sai da cidade de Sevilha até Astorga onde se junta ao Caminho Francês. O Caminho que liga o Santuário de Fátima a Santiago de Compostela. O Caminho de Jaca, que se junta ao Caminho Frances em Puente la Reina. E finalmente, o Caminho Frances, o mais conhecido e mais concorrido de todos, que transcorre desde a vila medieval de Saint-Jean-Pied-de-Port até há capital Jacobea e que seria esse o eleito para esta aventura.
Quando e porquê surgiu a ideia?
Sou um amante da Idade Média, uma época pouco justa, em que as lendas falam de heróis e reinos mais ou menos poderosos, as batalhas, a formação da Europa quase com a conhecemos hoje, os castelos, a Igreja em seu máximo esplendor (ou não), etc!
Dentro desta idade, a forma como surge e depois desaparece a Ordem do Templo fascina-me, leva-me a informar-me de quase tudo o que com eles esta relacionado. Como não podia deixar de ser, a leitura do Diario de um Mago, o facto de o Santo Graal estar vinculado com o caminho e de saber que os cavaleiros da Ordem do Templo custodiaram o Caminho fez ganhar força a ideia de fazer o Caminho montado da minha mota, oferecendo ajuda e auxilio a quem eu encontrasse pelo caminho. Seria uma espécie de Cavaleiro do Templo da modernidade, que circulava pelo caminho, em absoluto respeito pelos peregrinos, tratando sempre de garantir o seu bem estar.

Que regras devia seguir?

A moto devia ser ligeira, leve e maneável e por então a Dulcineia era uma verdadeira “peso pluma” em relação há Maria das Curvas. Para alem disso, o facto de ser uma Trail permitia-me ser fiel ao Caminho, que em ocasiões é plano, largo e asfaltado, e em outras inclinado, estreito cheio de todo tipo de obstáculos para transpor.
A melhor época seria o Inverno, porque não seria tão concorrido de peregrinos, diminuindo o risco de um possível atropelo e aumentando a dificuldade dos obstáculos, juntando a este condições adversas como a neve, lama ou a chuva.
ABSOLUTO RESPEITO pelos Peregrinos, que é para eles que está o Caminho. Eu era um simples aventureiro que vivia uma aventura saída da minha mente doentia. Ao avistar um Peregrino eu abrandava, passava por eles em andamento lento, evitava salpicar com lama ou levantar pó e desejava sempre “Buen Camino” ou “Bom Caminho”!
Como verão mais há frente o projecto só se concretizou por completo com a Artax, uma vez que a primeira tentativa com a Dulcineia correu mal.

Que preparativo se deve ter?

Agora, depois de o ter feito diria.
Melhor condição física…..
Mas no momentos prévios tive mais cuidados com a Artax, montando-lhe alguns acessórios e tratando de imitar as possíveis circunstancias que podia encontrar durante a viagem, fazendo sucessivas saídas ao monte para me habituar a ela!
Como vem com pneus mistos de origem a ideia era mudar os pneus para uns pneus de tacos a serio, com câmaras reforçadas e tudo… Mas o tempo livre para fazer as compras e a montagem foi nulo. E ainda bem! Porque terminei por perceber que foi a melhor opção ir com os pneus de origem.
Comprei umas botas de enduro para ir minimamente protegido e não utilizar as minhas botas de turismo, mas estas deixavam entrar agua, assim que acabei por levar as minhas botas de neve que, diga-se de passagem, me fizeram um jeitão!

Pirineus (parte 4)- Honda Instituto de Seguridad

Estar a viajar e dormir em hotéis é algo que ao que já me acostumei.
A parafernalia matinal de montar as malas, deixa-las na Dorothy, tomar o pequeno-almoço e entregar as chaves do quarto hoje teve um sabor amargo!

Os mentirosos da metereologia tinham dado uma probabilidade de chuva de 90%. E não é que os gajos adivinharam!?

Justo no dia onde eu ia ser formando, num curso de condução do Honda Instituto de Seguridad!? Mas, se chove estes gajos não vão querer dar o curso por motivos de segurança!!!

Até me custava engolir o croissant com queijo e fiambre (bem atestado)…
Eu ainda tentava empurrar com o leite com café que preparei, mas sempre que na recepção se abria a porta e deixava entrar o ruido das gotas a cair no chão lá fora tinha vontade de regujitar!

Quando sai com a Dorothy da garagem do hotel, caia uma chuva molha tolos, mas o chão já estava empregnado do liquido elemento. Tinha chovido toda a noite!
Mecagoentodoloquesemenea!!!!
Pior que tudo foi que, à medida de que me ia aproximando do HIS (Honda Instituto de Seguridad) as gotas passaram a cair na mesma cadencia, mas com uma “caudal” superior. Tanto que cheguei ao local já molhado nos braços e pernas!

65 Pista Asfalto

Esta é a pista de asfalto….
….completamente molhada!

Ao fazer a confirmação da inscrição, previamente paga, fiquei a conhecer o funcionamento das instalações.
O complexo é composto por 3 pistas, duas de seco e uma de molhado (sendo esta ultima com um coeficiente de aderencia reduzido), as pistas secas, uma é asfaltada e a outra é de terra.

67 Pista terra

A pista de piso molhado serve unicamente para procurar os limites, fazem-se exercícios de travagem de pânico e em pisos muito deslizantes, sempre com piso molhado. O objectivo é que saibamos qual é o limite que marca o equilíbrio e a queda, e depois ir treinando a travagem de forma a torna-la progressiva em potencia e por consequência eficiente.

Na pista asfaltada, mais tarde soube que dão cursos com esta pista molhada, tem umas marcas para simulação de situações diarias na condução da mota. Nela fazemos os tipicos slolons, aplicando as tecnicas explicadas na parte teorica, como e onde olhar quando conduzimos uma moto, como curvar e como travar com e sem ABS.

Na pista de terra, dão-te noções basicas de como conduzir uma moto de todo terreno.

O resto do complexo está contido num edificio, donde podemos ver as motas utilizadas no curso.

68 Garagem

Algumas joias da coroa….

69 Garagem 2

Para alem de tudo isto, no piso superior, temos balnearios onde podemos guardar casacos, capacetes, tomar banho e trocar de roupa, salas de practicas com as motos robot e sala de aula teorica.

70 Gold Wing

Quem nos recebe é esta menina, todo um referente de segurança no mundo das motos!

71 Scooters

As meninas com que se dão os cursos de Scooter

72 Motos

E as meninas dos cursos de iniciantes e curso medio!

Isto não é bem assim, porque as motos vão rodando para que o parque se mantenha atualizado em materia de tecnologia.
No curso que fiz (curso medio) haviam NC750S e CB500S.

Na aula teorica foi-nos dado a saber que comportamentos devemos ter com o elementos metereologicos, a adoptar uma posição adecuada, as noções de “pendurismo” (a explicar aos penduras obviamente), distribuição de pesos e carga na moto, etc.
Passamos então as simulações para testar algumas das teorias ensinadas de forma virtual e depois é que saltamos para cima delas.

Quando descemos as pistas o S.Pedro andava com o secador a secar o asfalto. A chuva deixou de cair e o vento quente deixou a pista em seca em pouco mais de meia hora, facilitando assim que o pleno disfrute e diversão em aprendizagem.
Afinal de contas o objectivo da chuva matinal foi deixar a pista lavada e limpinha para que o curso fosse um sucesso!
Inicialmente tive o prazer de conduzir uma CB500S, mas depois roubei uma NC para ver se era tão boa quanto diziam….
Os exercícios eram todos eles fáceis, rápidos de assimilar e de muito práticos para o dia a dia.
Gostei muito dos exercícios de travagem donde notei uma melhoria em respeito ao que já fazia e admirei-me quando me explicaram com exemplos práticos coisas que já fazia inconscientemente.
Nas travagens em molhado, a vitima foi uma SH300i (Scoopy grande) com as rodinhas de lado, onde podemos sentir, sem cair como actua o ABS em molhado e como podemos actuar progressivamente sobre os travões de forma a reduzir a distancia de travagem sem que o ABS salte. É espantoso ver que, ao seguirmos a directivas do Jordi (instrutor), as distancias de travagem se reduzem, paramos a moto em segurança e sem que o ABS actue.
Ao final, fizemos uma corridinha de lentos onde me piquei com o Jordi!

73 Diploma

Na cerimonia de entrega dos diplomas, Jordi frisou que me queria voltar a ver num curso avançado, dado que eu fiz a opção errada ao escolher fazer o escalão medio.
“As tuas habilidades estão acima de alguns que vem fazer o avançado!”

Depois do bem bom dos últimos 4 dias, era hora de voltar para casa.
De Santa Perpectua de Mogoda a Zaragoza existem muito kms, que percorremos em pouco tempo, a velocidades vertiginosas que cumpriram sempre com o limite imposto pelas leis.
Quando cheguei a casa deparei-me com a casa vazia, a cheirar a limpo e sem sinais de estar habitada há já alguns dias.
Resignado com a possibilidade de a rapariga ter-se ido embora, ainda ganhei coragem de lhe pedir uma satisfação:

-Estou!!!
-Podias ao menos dizer que te ias embora!
-Embora!? Eu estou em casa!- disse admirada- Onde é que tu estas?
-Isso pergunto-te eu? Eu estou em casa!!
-Rui! Em que casa!?
-Porra pá.-disse irritado ao deparar-me que tinha entrado no apartamento que deixara vazio, porque tinha juntado os trapinhos com a miúda – Enganei-me na casa!!! Espera lá que eu já vou, tenho muitas aventuras para te contar!!!!

Pirineus (parte 3)- O Sr Montseny

E não é que amanheceu a chover?
Foi a primeira coisa que fizemos no dia…
Mandar uma rogatória ao S.Pedro!

44 Ermita

Não funcionou!
Ao ganharmos altura este foi substituindo a chuva pelo nevoeiro.
Visto que a rogatoria não funcionou, mandamos um requerimento:

“Queremos SOL!!!”

45 Vale

Prontos! Prontos!
Não se enerve!

Onde iamos!?
Ao Pas de la Casa!

46 Vaca

Não olhem para as vacas!
Mania de estar sempre a olhar para onde não devem….
O objectivo desta imagem é a curva e os picos la ao longe ok!

47 Pas de la Casa

Port de Envalira!?
Mas, não era Pas de la Casa?
É! Mas não é!
A povoação começa aqui, mas a montanha chama-se Envalira.
Coisas que só um Andorrano pode entender….

48 nevoa

E agora?
Passamos de requerimento ao protesto deliberado?
Não chovia é certo, mas estava um frio de rachar e o nevoeiro estava, inevitavelmente há minha espera!
E não!!!
Não vos vou falar da infinita beleza desta imagem!
É bonita não é!?

49 Montanhas

Por incrivel que pareça estou no mesmo local, mas desta feita virado a sul, para onde o S. Pedro tinha levado o sol!
Hoje era um grande dia, porque iamos conhecer a s curvas do Maciço Volcanico e o Sr Montseny!
Mas primeiro teriamos que entrar em França saindo da Andorra pelo Pas de la Casa e fazer uma reeentré em Espanha pelo Puymorens!
Ao chegar a uma retunda em Pas de la Casa, já inmersos num denso nevoeiro, deparamos com os jardineiros do local!

50 Jardineiros

Ao parecer, para eles os corta relvas eram obsoletos. Não tive foi oportunidade de constatar se a relva estava bem aparadinha, tambem para não irritar ou insultar o orgulho profissional dos tres jardineiros que tão decididamente cortavam a relva!

51 Puymorents

1915 metros de altitude….
5ºC de temperatura, no dia 2 de Septembro…
Motard Sofre!

52 castelo

Tambem houve idade media por estes lados!

53 Catalunya

Catalunha é Aragão!

54 Selva Volcanica

Voltamos há diversão!
Já fora dos Pirineus, rumando a sul em direcção ao Mediterraneo, existe um maciço rochoso chamado Macizo Volcanico.
É uma extensa area de montanha com frondosos bosques e estrada cheias de curvas. Pois é precisamente essa a parte que mais nos interessa. Às curvas, juntas o factor de que são pouco transitadas e a diversão esta garantida!

55 Col de  Buc

Foi tão bom que esquecemo-nos das fotos!

56 Curvas do buc

Esta foi tirada um pouco antes de parar para almoçar uma Botifarra a la Brasa com Ali Oli!
Espero que a rapariga não chegue a saber que caí nestas catalanisses!

57 Sr Monteseny

Depois de comer ia fazer uma visita ao Sr Montseny.
De todo o condado de Barcelona era o ponto mais alto, com mais de 1700m no Turó del Home.
Como cartão de visita, aos motociclistas, o Sr Montseny oferece estradas bem asfaltadas paisagens a condizer. Só era preciso que o S.Pedro colaborasse.

58 Floresta

Exceptuando nos seus pontos mais altos, esta montanha esta revestida por uma densa mata que dá habitat a inumeras especies animais, como podem ser os veados ou os javalis.

59 Curvas da Floresta

Mas o que aqui nos interessa, são as curvas, encadeadas, kilometros de curvas numa coreografia incessante!

60 Curvas da floresta 2

Ao chegar ao Turó del Home, o nevoeiro corta por completo a visibilidade mas a teimosia não cessa!

61 Vol del Home

Pronto!
Esta visto que não vou poder disfrutar das tuas vistas…
Vamos embora!

62 Montseny

Na descida passamos pela povoação que tem o mesmo nome da montanha.
Nada de especial, tirando o facto de que esta rodeada por estradas fabulosas!

63 Paisagem Montseny

E foi assim que nos despedimos do Sr Montseny, olhando para o mar, num dos multiplos promontorios que nos oferece.
Daqui não ha nada a contar, salvo que o hotel tinha uma recepcionista com uma bicilindrica capaz de fazer inveja ao 106 polegadas cubicas da Harley!

Pirineus (parte 2)- Andorra

O hotel foi uma triste alegria….
Estava cheio de turistas portugueses, que falavam alegremente das suas aventuras de reformado com os empregados de mesa, que eram portugueses, ou com a rapariga da recepção, que tambem era portuguesa. Até o cozinheiro, que fez o obsequio de se preocupar com a satisfação dos comensais, era um declarado Alentejano de Borba!
Sinceramente não estava com pachorra para tanta alegria lusitana, por isso tratei de jantar e tomar o café na cafetaria:

-Un Cortado con la leche del tiempo!
-Si Senhor!- mas aquilo suou mais a (-Sim senhore!)
Queres ver que este é portugues?
-Tu de donde vienes!?- perguntei- Eres Portugues o qué?
-Si, da ciudad do Porto!- respondeu num explicito “portunhol”…
-Muy bonita la cuidad si señor!- e quando este se dispunha a falar da sua beleza barroca… -Cuanto le debo?
-Um euro e medio!- mas não lhe dei oportunidade, pois o dinheiro ja estava no balcão e eu já me dirigia aos quartos.

Não tenho nada contra os turistas ou imigrantes portugueses, eu mesmo sou um imigrante. Mas não estava com pachorra para estar a comentar de donde era, como vim cá parar e que fazia em Andorra.
Ao passar pela porta de entrada reparei que já chovia, coisa normal nas tardes pirinaicas de fim de verão.
Sai para ver o ambiente, beber mais um café e ver os cús das Andorranas!

A manhã levantou-se cinzenta, o ceu estava coberto por uma nevoa que fazia pensar que iria chover a qualquer momento.
Pequeno almoço tomado, Dorothy com os cavalos quentes, telemovel a servir de GPS e bota lá então!

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Andorra, encontra-se situada nos Pirineus, tendo practicamente os seus limites a Bacia Ideografica do Gran Valira, com um area que não chega aos 500km2.Tem dois chefes de estado e um regime democratico que funciona tendo em conta os 6 “destritos” que compõe o seu territorio. Mas deixemo-nos de tretas…
O que de melhor Andorra tem são as montanhas!
As montanhas e as curvas que temos que fazer para lá chegar!

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E é aí que eu quero chegar!
Hoje o objectivo é fazer quase todas as estradas andorranas, que conduzem na maioria às estações de Sky, ou sku (depende da preferencia) que existem em quase todas as partes do territorio.

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Por casualidade, pura e simples coincidencia, visitava Andorra em vesperas do Campeonato Mundia de BTT e de uma das etapas de montanha da Vuelta Ciclista a España!
Aqui está Dorothy, à entrada do Padock onde se concentravam os ciclistas do campeonato de BTT.
Visto isto, para elém da estrada estar meio molhada, meio seca, era prudente contar com a presença dos inumeros fans ciclistas, tanto dos velocistas como dos gajos do mato, o que aconselhava a ter mais cuidado em estradas que há priori estariam meio desertas.

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Mas quase tudo foi esquecido quando comecei a ver paisagens como esta!

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E a fazer estradas como esta!

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O sol começava a raiar e tinha esperança de que secasse a estrada para um deleite superior!

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Ja acima dos 1800m a paisagem só é habitada por animais, os seus pastores e os postes dos teleféricos que elevam os esquiadores para as pistas.

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Quando o asfalto acabou o GPS indicou de que tinha acabado de entrar em território espanhol.
Estava a 2000m de altitude.

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Ao longe este senhor equestre convenceu-me a não avançar. Era suposto que depois desse houvessem mais e o seu comportamento pode não ser o desejavel. Não convem ter que ajustar contas com algum cavalo cansado de puxar alguma carroça e que se queira vingar em mim.

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Montanhas e curvas…….
Que mais podemos ter!?

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Uma mota bonita!

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E mais uma cota de 2000m no lombo!

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Aqui, a quase 2600m, chovia uma chuva molha tolos!
Mas descer valeu bem a pena!

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A estrada já estava quase totalmente seca e as curvas gritavam por nós!

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Descemos até Ordino, para desviar à esquerda e subir o Alto de Ordino nas vesperas dos escaladores de la Vuelta!

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Não podemos simplesmente resitir!
Paramos para gravar esta paisagem.

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E pronto!
Em quatro horas apenas percorremos as estradas de montanha mais importantes de Andorra, estando a mais de 2000m de altitude por 4 vezes e guardando o mitico Pas de la Casa para amanhã!
Agora era altura de ir vitaminar e conhecer o pior de Andorra!

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O pior de Andorra como se diz! Estas extensas zonas comerciais são o pulmão do principado. Nele podemos encontrar de tudo, ou quase tudo, a preços teoricamente convidativos.

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Este é centro de Andorra la Vella, onde cada edificio é um Hotel e cada armazem um centro comercial donde os desportos de inverno predominam. Mas para nós motociclistas também há muita oferta!

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Que o diga esta montra!
Pobre desgraçado que ficou sem a Vespa!
É o que eu digo!
Para um homem ter problemas na vida, basta ter uma mulher!

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Dois exemplos claros de que tambem existem motos para as mulheres…

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O Gran Valira!
Este tudo o que esta a volta deste rio é Andorra!

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Eu a vestir um casaco que teoricamente tinha roubado!
Como era Verão e saí de casa à pressa, não me lembrei de trazer um casaco ligeiro para um dia encoberto!
Entrei numa loja da Pull&Bear e comprei um casaco para o desenrasque:
-Tire-lhe as etiquetas e tal que levo-o já vestido- e a rapariga assim o fez.
Tirou tudo menos o alarme.
Paguei e apressei-me a sair, e à saida o alarme tocou, mas nunca pensei que fosse por minha culpa. Ninguém veio a correr atras de mim nem nada….
Só depois, mais tarde, já em Zaragoza é que reparei que o pin do alarme ainda ali estava posto.
Desloquei-me a uma loja da Pull&Bear com o Ticket e o funcionario prontamente retitrou o dito cujo!

O Vale do Jalon!

O que é o Jalon!?
A resposta mais óbvia é:
O Jalon é um rio!
Certamente que muitos de vocês já fizeram a Nacional II (agora A2) que liga Madrid ao extremo nordeste da península.
Pois se é o caso, muitos de vocês já acompanharam o Rio Jalon em boa parte do seu trajecto, que vai desde que nasce em Esteras de Medinaceli até aliar-se ao Rio Ebro mais ou menos a 30km de Zaragoza!
Porque andar atrás de um rio?
É pá, sinceramente, vocês fazem cada pergunta!

Mas isto tudo tem um motivo!
Pois claro, o motivo é uma mulher…
Não será altura de me deixar de problemas?
Ora bem, acontece que a rapariga está a estudar e tem exames, e os exames fazem-se em Madrid, e o pessoal quer dar apoio moral, e a Dorothy quer fazer curvas!
Querem mais algum motivo?
Até foi fixe, porque ela foi de lagartixa veloz (AVE) e eu fui sozinho na Dorothy….

1 Mapa

E dou por mim a olhar para o mapa, a navegar mentalmente pelas estradas e tal, curvas e desfiladeiros, povos no meio do nada e castelos assombrados pelo Almanzor!
Pois! Esse gajo andou muito pelo vale do Jalon!
Só depois, depois de ter definido mentalmente por donde ia e por donde devia passar é que me dou conta de que estava a olhar para o mapa de França. Imaginem só se fosse mesmo o de Espanha!?
Chegou o dia, fui buscar a rapariga, e levei-a à estação.

2 Esatação

Pronto, já esta!
Mulher despachada e agora sou só eu e tu!

3 Enlaces

Dorothy explica-nos lá como é que vai ser!!!!
Prontos pessoal, a Dorothy é tímida, não é de muitas palavras.
A ideia era sair de Zaragoza pela Nacional II, a estrada antiga que atravessava a cidade de cabo a rabo, seguir a mesma pelo troços que não foram cortados pela Autovia A2, pois esta levar-nos-ia direitinho ao nascimento do Rio Jalon!
Esta é a Rotunda dos Enlaces onde “morre” a antiga Nacional. Em frente faremos o trajecto de saída da cidade até apanharmos a Autovia que nos levará a Almunia.

4 Barragem

Passamos Almunia de Doña Godina e apanhamos a Nacional antiga com um pré-aviso de que estrada estava cortada por obras.
“Naaahhh!!! Nos passamos, não é Dorothy! Uma mota passa em qualquer lugar!”
Pois, conforme confirma a fotografia, a estada esta literalmente cortada por um paredão de uma presa que estão a construir no leito de um riacho da zona!
Voltamos para trás!
Mas foi fixe, ao menos aprendemos que às vezes uma mota também não passa.
Na nossa procura pelos antigos retalhos da Nacional II, depois de passar o imponente alto da Perdiz, voltamos a abandonar a autovia para nos reencontrarmos com a Nacional e uma nova inscrição de estrada cortada.

5 NIIa

Por acaso, pelo aspecto da coisa, a estrada parecia abandonada, sem qualquer manutenção, e com poucas marcas de transito.

6 Caminho

Mas só quando o asfalto acabou é que nos rendemos há ideia de que o melhor era voltar para tras!
Mas prontos, íamos animados, porque o troço de Aluenda até Calatayud nós sabíamos que estava transitável.
Não queríamos acreditar que pelas obras na ponte que passa por encima da Autovia, não se podia fazer esse pedaço da Nacional II!
Pronto, lá saímos na saída de Calatayud para entrar definitivamente na velha estrada. Até Castilla y Leon não pisaríamos mais a Autovia.
E já agora, em Calatayud encontramo-nos com o Rio Jalon para o seguir até ao seu nascente!

6 Calatayud

Depois de Calatayud, Ateca!

7 Ateca

Ateca, para alem de ser importante marco do Caminho del Cid, tem umas quantas torres mudejar que tem a particularidade de nenhuma estar direita!
O “casco antigo” merece uma visita detalhada!

8 Bubierca

A Nacional II contorna os montes pelo vale do Rio Jalon, subindo o seu leito e ao longo do seu trajecto encontramos povoações que chamam há atenção!
Bubierca, com a sua igreja no alto obrigou-nos a parar!

9 Igreja de bubierca

Desde o alto, a vista é tremenda, avistamos o rio que contorna os montes, a velha nacional e ainda a linha ferroviária que outrora, antes do AVE aparecer, era de uma importancia vital.
Prontos Dorothy, vamos embora…

10 Rua de Bubierca

Mas!? E agora?

11 Beco de Bubierca

“Ó Mãe, lá na escola chamam-me cabeçudo!
Ó filho, corre atras deles e arreia-lhes!
Não posso!
Porquê filho!?
Eles metem-se sempre por ruelas estreitas!”

Tive que desmontar as laterais para passar.
Estamos sempre a aprender, mas que me ensinassem duas vezes no mesmo dia (em poucas horas) que uma mota não cabe em qualquer buraco era obra!

12 Alhama

Não foi tirada ao acaso!
Esta foto é precisamente um momento de transição.
Aqui acaba a montanha (temporariamente) e o vale ganha largura e planicie. Alhama de Aragon é uma estancia termal, com agua que ajudam a curar a problemas derivados do Reumatismo e um dos primeiros povos de Aragão ao entrar neste territorio. Um pouco mais há frente entraremos de novo na Autovia para numa quarentena de km, para a abandonarmos definitivamente até ao nascimento do Rio Jalon!
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É uma pena que este tremida, pois esta imagem tem um enquadramento espactacular.
De Somaen até Medinaceli, o Jalon é apertado por duas paredes de rocha, a Nacional II passa por cima deste varias vezes em poucos km.
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A estrada corta a rocha em varios pontos e outras vezes contorna os enormes rochedos, serpenteando de forma literal há medida que o terreno se impõe.
Era tempo de diversão, as curvas, uma estrada desabitada, um piso aceitavel e uma mota que adora curvas rapidas. Dá para adivinhar não dá!?
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Quando chegamos aqui já vinham os cavalos todos com a lingua de fora!
Este é o Arco de Medinaceli, tão milenar como a povoação em si.
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Foi construido pelos romanos, este arco representava entre outras coisas a fronteira administrativa entres as provincias romanas.
La no fundo, está o vale do Jalon onde este ganha corrente e força para atravessar grande parte do massiço Iberico até ao vale do Ebro!
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Medinaceli tem uma historia medieval importante, não fosse aqui que há registro da agonia do tirano Almanzor.
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Caminhar por entre as suas ruas a esta hora da manhã ainda é possivel, pois o calor ainda não é sufocante.
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Uma igreja de estilo romanico que outrora foi mesquita.
Foi aqui que Almanzor resistiu aos ferimentos da batalha de Calatañazor, mas a sorte não esteve do seu lado, acabando por secumbir, deixando o seu extenso imperio há deriva!
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Apesar de parecer, aqui não estavamos há deriva, estavamos há procura de fazer uma foto digna desta paisagem.
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E foi assim que nos despedimos de Medinaceli!
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E aqui está!
Uma nascente limpida e energica, aguas frecas que brotam da terra para descer até ao mediterranio via Ebro!
Aqui nasce o rio Jalon, responsavel por uma boa parte do cereal aragones, pelo engordar de quase toda a totalidade de fruta aragonesa, desde os melões até há uva dos vinhos do Campo de Borja!
Ao lado do seu leito, o Homem fez nascer povoações de diversa importancia, como Medinaceli, Arcos de Jalon, Alhama de Aragon, Ateca, Calatayud ou Epila!

23 Casa de Pedra

Mas como iamos de caminho há capital espanhola, a nossa curiosidade não ficou satisfeita e como o mapa de França pouco nos podia dizer sobre o que encontrar no caminho até Madrid, fizemos uso da nossa bagagem camionista para desencantar uma casa feita, ou melhor, escavada num duro e massiço rochedo na povoação de Alcolea del Pinar, situada a 1208m de altitude!

24 Placas

Um exemplo da determinação de uma pessoa, que acabou por obter um retorno institucional.
Agora, satisfeita a curiosidade e como não queriamos aturar uma autovia aburrecida e cheia de policia, desviamos caminho até outro sitio de reis, fadas, cavalheiros e donzelas!

25 Siguenza

Foi só um foto fugaz e outro pin no mapa (desta vez o de Espanha).
Singuenza é uma cidade medieval, cheia de Historia e de um explendor que ganhou uma visita detalhada!
Mas o pior de isto tudo são a estradas!
Cheias de curvas, de bom piso, paisagens de morrer, que tortura pessoal, até tenho sonhos com aquelas curvas…

26 Km 103

A estrada leva-nos à Autovia. Leva-nos a um ponto, o km 103, onde uma “Venta” resiste há passagem do tempo. Não é só um ponto de referencia para os Camionistas, é uma paragem quase obrigatória no caminho a Madrid, onde se come bem e se podem encontrar quase todos os serviços relacionados com o facto de se estar a viajar de um ponto para o outro!

27 Torija

Já tinha pouco tempo para ir buscar a “novia” a faculdade de Madrid (Complutense), mas ainda parei para fotografar o bonito castelo de Torija. Tenho pena mas Guadalajara, Alcalá e San Fernando terá que ficar para uma proxima.

28 Goya

Sabem quem é este!?
Um “cabezon” chamado Francisco de Goya!
Nada de especial, um tipo que pela sua obra me dá vontade de viver nos tempos em que viveu!
Querem saber para onde esta a olhar!?
Para aqui!

29 Prado

Este é o Museu Nacional do Prado, onde estão expostas obras de Dali, Goya, Velasquez, El Greco, entre outros!

31 Dorothy no Prado

E esta é a Dorothy, que foi testemunha de um fim de semana cultural que vivemos apartir do momento em que fiz esta foto..
Contaremos mais sobre Madrid no futuro, mas agora foi para tomar um banho de cultura em sitios onde não se pode fotografar, pelo que pouco podia adiantar que fosse relevante para este relato….

Lone Rider- Endless Road

Deixar uma mulher para trás é um passo duro, complicado, que deve ser ponderado e calculado ao ínfimo pormenor….
Mas eu não tenho esse problema, o meu problema é outro!
Já não se tratava dos alforges, nem do meu saco/mochila magnético, nem do lubrificante de corrente, mas agora tinha ganhado umas malas rígidas eu saco deposito Tank lock que funciona de “puta madre”!
Mas o meu coração estava encolhidinho, batia lento e choroso porque no fundo ia deixar pela primeira vez aquela que tantas alegrias me deu na garagem para ir com outra.
Deixa-la ali, sozinha, no escuro, doia tanto que ponderei há ultima da hora mudar tudo para os alforjes e por-me a monte nela.

Mas depois olhava para a outra e sentia aquela alegria e emoção de ir “desvergindar” a uma menina. Aquela tesão de principiante que traçou uma rota diferente e um plano que incluía milhares de revira-voltas antes de chegar a casa!

E então olhava para a terceira, que sorria envergonhada para mim e sugeria que se não me decidisse pelas “gordas”, que a levasse a ela!
E eu pensei:

“Ai! Dulcinea Dulcinea, o teu problema é a tua anorexia de motor!”
E foi assim, mergulhado nesse “trilema” que me afundei no adredon da cama!

O Tambor de Almanzor

1 utebo

Olá
Esta é Dorothy…
Encontrei-a abandonada e deprimida num stand e resolvi resgata-la para que ela participe na minha vida, nessa estrada sem fim!
Eu sou o Lone Rider, um gajo que só sabe andar só, porque por si só, já é má companhia.
Como podem ver, Dorothy esta apetrechada para uma viagem, 900km por um trajecto que é novidade na sua grande maioria. Quando montar nela vão ser dois dias de muitas curvas, fotos, sorriso e momentos de reflexão.
Endless Road é o meu lema, porque é a isso que me proponho, uma estrada interminável, repleta de curvas, aventuras e momentos emocionantes!
Abril, manhã fresca, com o sol a espreitar timidamente por entre uma neblina alta que cobria todo o Vale do Ebro.
A Banda Sonora para os primeiros km são os Stone River, com os seus Blues “langonhentos”, enquanto vou desenhando as primeiras curvas por uma estrada que atravessa os extensos e secos campos da Ribeira Alta do Ebro, até entrarmos no Campo de Borja. Á esquerda, o Rey Moncayo vigia as minhas trajectórias. Olhar para ele é perigoso, está engalanado com o seu manto de neve tardia e se o sol estivesse a descoberto, este manto brilhava com intensidade!
Tarazona é a ultima cidade Aragonesa e o principio de uma subida que nos levará ás terras numantinas.
Uma das coisas mais importantes que estas terras tem é uma nascente de aguas límpidas, que depois, pela sua corrente, pelos seus afluentes e pelo percurso que fazem, ganham um tom dourado. Tom esse, muito característico no inverno e que lhe deu o nome.

2 Duero

Aqui está ele, o Rio Douro, quando passa por Soria (Numancia na epoca romana).
A Capital de Província mais alta de Espanha é muito rica em história, mas não é essa a historia que vos quero contar hoje, mas não posso deixar de destacar este exemplo do românico!

3 Santo Domingo

Esta é a igreja de Santo Domingo, do seculo XI.
Depois de atravessar Soria, apanhamos direcção Valladolid, para chegar ao Sabinar de Calatañazor.
Mas primeiro abastecer a Dorothy no lugar de sempre.

4 Hostal Venta Nueva

Este é o, Hostal Venta Nueva e podemos encontra-lo no KM 185 da N122.
Este hostal é de propriedade de uma familia motard, pelo que o acolhimento para o pessoal das motas é previligiado, tendo direito à garagem e check in as 24h do dia. Basta telefonar com antecedencia. Não posso falar das comodidades porque nunca me hospedei, mas posso dizer que se come muito bem, barato e um atendimento muito simpatico. Fica a dica!

5 Calatañazor

Este povo é Calatañazor e é importantissimo na historia da Peninsula. O seu castelo, hoje parcialmente em ruínas, viu acontecer uma batalha entre os Cristãos e os Mouros, que mudou para sempre o rumo da historia da península.

6 Calatañazor 2

Apoiado num massiço rochoso as muralhas do castelo ainda hoje marcam os limites da povoação.

7 Calatañazor 3

Que aparenta estar abandonada. As casas são velhas, descuidadas, fieis aqueles tempos, donde se utilizavam o que se podia retirar dos bosques e das pedreiras para construir as casas.

9 Taverna

E aqui está Dorothy, descansando há porta da taberna.

10 Porche

Apesar de entrar habitado e vivo, o povo parece abandonado…

11 Almanzor

Segundo diz a lenda, com pouco suporte documental, por isso é meio lenda meio verdade, foi aqui que Almanzor perdeu o tambor. Ou seja, aqui sofreu um volte-face nas suas ambições militares.
Almanzor não era, nem rei, nem shiek, nem sultão, nem coisa que o valha. Era um ditador, que na politica e como funcionario foi bem sucedido, sabendo aproveitar as conspirações que ele mesmo tecia para acumular cargos e poderes. Depois casou-se com a filha do chefe do exercito da taifa del Al Andaluz e as bem sucedidas campanhas em Salamanca, Leon e Navarra, permitiram a Almanzor chegar ao auge da sua ditadura.
Em 1002, o grosso do seu exercito encontrava-se no castelo de Calatañazor e era perseguido pelos aliados cristãos, os exercitos de Castella, Leão e do (ainda) condado de Navarra.
Neste exercito, destacavam figuras importantes da historia desta peninsula, com o Rei Afonso IV de Castela e um dos seu subditos mais valentes, um tal de Cid, El Campeador.
Almazor pensou em enfrentar-se ao contingente cristão e este não disse que não….
Este foi o campo de batalha.

13 Campo de Batalha

Calatañazor (Julho do ano 1002)

– O luso foi importante em Salamanca- comentava enquanto mordia o lombo do coelho assado- esteve sempre ao nosso lado, e mesmo na hora do desaire o fio da sua espada estava sempre manchado de sangue mouro. Foi por isso que o senhor Cid o quis nas suas fileiras.
Olhava para os comensais sentados ha volta da fogueira e ha medida que o velho contava a suas historias revia na minha mente o sangue da minha espada, ouvia o gemer urfante de um mouro degolado por ela e via as chispas que saltavam das espadas encontradas. Levavamos uma campanha desastrosa, muitos pereceram, campos queimados, mulheres feitas escravas a encaminhadas aos harens dos infieis, para não falar da desmoralização das tropas.
– Hey, amigo Luso!- pergunta um terceiro comensal- De donde vens!?
– Da serra da Estela, donde vive o meu povo.
– E isso donde fica!?
– A uma semana daqui a cavalo na direcção do poente, uma montanha de granito donde se veem as estrelas de todo o ceu que nos cobre. Éra dominio da minha tribu, os Lusitanos, tribo pacifica e de pastores, mas os Mouros invadiram os terrenos da serra, mataram os rebanhos e expoliaram mulheres e crianças….
– E sendo tu pastor, como aprendeste a manejar a espada dessa forma?
– É o senhor que toma conta do meu braço!- e uma gargalhada contagiosa se propaga pelos comensais. Um corpo grande que se aproxima ao fogo faz o silencio vencer a folia. Todos baixam a cabeça em sinal de respeito.
-Martinez, Vascon e Luso, mañana a alvorada na minha tenda, o resto a descansar, que amanhã será um dia grande.
Enrosquei-me na manta de pele de cabra num misto de nervosismo e ansiedade, sabia que quando o sol se levantasse que seria tempo de empunhar a espada contra o povo que fez escravo o meu.
O sol pintava o ceu de laranja e fazia as arvores pareceram fantasmas, desenhando sombras gigantescas nos prados secos. Ao fundo o Castelo de Calatañazor, ponto estrategico e que deveria ser tomado por nós se quisessemos abrir caminho para sul! Apesar de ainda ser muito cedo, uma boa parte dos homens já estavam acordados, e eu acabava de reunir-me com Vascon e Martinez para irmos ao encontro de nosso senhor. Rodrigo Diaz de Vivar (Cid Campeador) destacou-se pela sua valentia e pela leitura que tem no momento da batalha. É homem de confiança do Rei e este confia-lhe as missões mais arriscadas. Naquela breve reunião em que participou o Rei Afonso IV foi-nos confiado liderar as negociações.
Tive a oportunidade de olhar para os olhos do homem que mandou destruir o meu povo, embora que não lhe dirigisse palavra.
As condições foram sumamente negadas pelo que a comitiva foi obrigada a retirar-se mantendo uma postura defensiva.
– Os mouros querem que se derrame sangue Magestade!- disse Cid a Afonso.
-Assim seja! Que Deus tenha piedade de todos!- e virando-se para a os seus chefes de coluna- Senhores! Todos ouviram o que disse Cid? Estes infieis que queimam os nossos cultivos, nos desonram as nossas mulheres, que matam os filhos do nosso povo, dizem que este é o seu sitio, que não se retiram, que o seu Alá está do seu lado!
Vamos ter que, com a ajuda de Deus, mostrar que aqui não é a sua patria e que devem pagar pelos seus crimes e pecados. Reuni os vossos homens, montai nos vossos cavalos, formais as colunas e preparai-vos para um dia de gloria. Hoje tomaremos aquele castelo, vingaremos os desaire de Salamanca, Leon e Uncastillo! Mandemos para o fogo do inferno a esse infiel que se da pelo nome de Almanzor!
Não foi necessario muito para se começar a perfilar uma grossa coluna de homens a pé, armados de lanças,bestas, arcos e espadas, tendo como direcção o castelo de Calatañazor!
No sopé do maciço rochoso donde assentavam as suas muralhas, um manto de branco vivo se começou a perfilar. Via-se os trurvantes e os cintos de couro onde brilhavam as espadas em forma de meia lua..
Nos flancos a cavalaria tomava posições.
Eu, o meu senhor Cid, juntamente com a sua coluna estavamos a preparar um assalto ao castelo, pelo que desviamos caminho pelos bosques. Ali tinhamos que permanecer para lançar o derradeiro assalto, quando já não fosse possivel o apoio da infantaria moura em caso de fracasso ao assalto.
Pudemos assim ser espectadores do que se passava no campo de batalha, de ouvir o proprio Almazor dizer:
-Ala é grande! Se chegar a nossa hora sabera acolher-nos no seu harem e brindar-nos com as suas mais belas virgens! Mas não serão os infieis aqueles que hão-de impor a sua vontade nas nossas terras! Por Alá!

E com este grito, a cavalaria começa o seu galope de encontro ha infantaria cristã, de espadas em alto e gritando: “Alá é grande! Por Alá!”
Do outro lado os arqueiros lançam as primeiras vagas de flechas, muitas delas encendiarias, e a cada vaga, se veem corpos caindo ao chão, espezinhados pelos cavalos em panico pelo fogo, enquanto o vento aviva as chamas da palha seca pelo verão. Mas os cavaleiros entram nas linhas e logo de seguida se ouve o confronto das espadas, os gritos dos feridos. Enquantos os cavalos abriam brecha nas defesas cristãs a infantaria de Almanzor já preparava a entrada em acção, quando no lado norte do bosque sai do abrigo das arvores a cavalaria de castela, aproveitando o desnivel para ganhar velocidade e atacar um dos flancos do grosso do contingente muçulmano. Estes tentaram manter a sua formação para repelir o ataque, mas virulencia do mesmo se parou as forças pela metade.
-Senhores- dizia Cid- Preparai-vos! Que Deus nos ajude e nos perdoe pelos nossos pecados!- e desenbainhando a sua espada indica a direcção do castelo. A ideia era encontrar o Castelo desguarnecido, entrar e eliminar as forças que estevissem no seu interior. Depois, lançar uma vaga nas costas do inimigo para tentar dispersa-lo ou elimina-lo.
Enquanto no vale o som do ferro encontrado fazia termos uma sensação do feroz que era a batalha, no nosso campo visual já podiamos ver a porta do Castelo e os torreões que a guardavam. Não seria facil entrar, mas mesmo assim prestavamo-nos a tentar!
Vascon levava consigo 20 arqueiros que nos serviriam de apoio para tentar entrar no castelo.
E foi assim, ao vermos que o mesmo se encontrava desguarnecido irrompemos do nada e com ganchos subimos a muralha na sua vertente mais baixa, abrindo as portas para que a cavalaria entrasse. Fui dos primeiros a entrar e encontrei-me de imediato com uma lança que pude esquivar, desferindo um golpe no antebraço de quem me apontava com ela. Das meãs choviam setas, mas ao terem que dar a volta os mouros deixaram as suas costas descobertas e Vascon e seus homens, desde fora do castelo podiam fazer tiro há vontade. Em poucos minutos, haviam cadaveres no chão, pendurados nas meãs e sangue manchando cada pedra do castelo.
-Vamos Senhores, vamos pregar uma surpresa ao tirano Almazor!- dizia Cid limpando a sua cara manchada de sangue- Vascon, da-nos apoio e assegura o castelo!
E os cavalos sairam do castelo de doi em dois,primeiro a trote e depois em espaço aberto a galope, atacando a retaguarda da infantaria infiel!
Aqueles que tiveram tempo de olhar para tras, plasmaram a sua incredibilidade nos seus rostos, há media que as laminas lhes cortavam braços e cabeça, que os cavalos os derrubavam e os espezinhavam!
Ao fim de uns minutos as forças começaram a disperçar-se e a fugir, a vitoria era nossa!
Almanzor, por fim tinha sido derrotado e o castelo de Calatañazor abria agora o caminho para sul!!

12 Torre de Menagem

A torre de Menagem, foi uma preveligiada testemunha do que ali se passou há 1000 anos atras. Diz a historia que Almanzor foi ferido na batalha e terminaria por morrer em Medinacelli meses depois.
Mas Calatañazor tem mais!
Tem paisagem e curvas!

14 Paisagem de Calatañazor

A N122 desce pelo mesmo promontorio do Castelo, pelo que as vistas são invejaveis.

15 Curva de Calatañazor 1

E se desce, podem haver curvas!
Neste caso, ganchos!

16 Curva de Calatañazor 2

Ganchos, daqueles de inclinações de medo!

17 Curvas de Calatañazor 3

Seis no total, até chegar lá baixo e ter um sorriso de orelha a orelha.

18 Curvas de Calatañazor 4

Mas prontos, sigamos o nosso caminho, pois em breve passaremos pela cidade de Osma.

18 Castelo de Osma

Em tempos foi de muita relevancia religiosa e hoje o seu patrimonio, como a sua catedral, revelam o quão importante foi.

19 Castelo de Osma

Mas as ruinas do Castelo, não deixam esquecer que no seu momento foi um posto fronteiriço importante!
Mas a estrada chamava por nós, para nos levar de novo ao encontro do Douro….

Haza e Peñafiel

20 Subida de Haza

Olhem bem para esta foto!
Estamos a 910m de altura, a Estrada Nacional 122 passa ali, algures no meio dos campos de trigo verde e de ela deriva uma estrada serpenteante que sobe a vertente sul do vale do Douro para nos levar a Haza!

21 Torre de Menagem de Haza

Haza foi uma vila fortificada que no sec X e XI ganhou importância estratégica, mas que depois foi sendo esquecida há medida de que o tempo passou.
Do castelo sobra uma parte da muralha, assim como a Torre de Menagem que foi residência do senhor das terras de Haza até a abolição do sistema feudal espanhol.

22 Dorothy em Haza

Aqui temos o que melhor tem o povo para nos oferecer.
Paisagens e ar puro.
Lá no fundo, no meio do arvoredo corre o Rio Riaza, cujo nome deriva do nome de Haza (Rio+Haza=Riaza).
Actualmente Haza conta com apenas 26 habitantes e a agricultura é a sua principal actividade economica. Contudo convido a visitar porque tem aspecto de povo abandonado…

23 Igreja de Haza

A Igreja de Santa Maria foi o ultimo que vimos de Haza, donde o negro de Dorothy contrastou com o rustico da “piedra caliza”!
Depois de descer e retomarmos a N122, o seguinte seria Aranda, sede de Ducado, mas que não nos interessava visitar.
Na mente estava o Castelo do Mestre da Ordem de Calatrava!

24 Peñafiel

Peñafiel, ou então, Loyal Rock em ingles, ganhou este nome precisamente na reconquista.
Como posto fronteiriço foi conquistada e reconquistada sucessivamente por ambos bandos, sendo que o seu castelo sofreu constantes remodelações e demolições….

25 Entrada

Esta é a entrada principal, no seu lado oriental, depois de deliciar-nos com uma ascensão recheada de curvas e bom piso.

26 Curvas de peñafiel

O Castelo ganhou forma definitiva e manteve-se assim até hoje em parte porque passou a ser residencia habitual da familia Quiron, quando Pedro de Quiron, Cavaleiro Mestre da Ordem de Calatrava o adquiriu.

27 Peñafiel Povo

Esta é Peñafiel nos dias de hoje, cidade importante no que se refere aos Grandes Vinhos da Zona Demarcada de Ribera del Duero.

28 Torre de Menagem

A torre de menagem de um castelo que tem uma forma muito peculiar, que o torna unico.

29 Traseira

Este castelo foi construido sobre uma “crista rochosa”, adoptando a sua forma, pelo que este parece um barco, encalhado no cimo de um morro.

30 Armadura

Acreditem!
Esta armadura, piscou-me o olho!
Olhem fixamente e verão que sim!

31 Armadura

Claro que, se o fizerem, esta segunda ficara ciumenta e correrá atras de vocês empunhando a sua espada!

32 vistas

La no alto, no cimo da Torre tiramos esta foto há parte norte de Peñafiel, donde podem ver tambem o telhado das novas Caves Broto, com a forma de uva e projectada por um arquiteto famoso que já não me lembro quem foi. A melhor parte foi de que cortei o telhado propositadamente. Digamos que lhe roubei uma vaga!

33 Vista 1

Olhamos a ocidente e vemos a estrada que nos levara dali para fora!

34 Proa

Depois de descer, já no final da visita, descemos as masmorras, ou o que resta delas…

35 Calabouços

Por aqui se entrava!
Que medo!
Depois da visita, Dorothy desvia caminho por Cuellar, abandonando definitivamente o vale do Douro. A estrada plana não nos oferece nada de especial para alem de um paisagem eminentemente agricola, salpicado por um ou otro pinhal.
Mas quando chegamos a Medina do Campo a sorpresa compensou o caminho.

36 La Mota

Não fiz, nem quero fazer, nenhuma pesquisa sobre esta fortaleza.
Chama-se o Castelo da Mota e em breve irei la vasculhar a coisa.
Mais uma vez Dorothy manda no caminho e a estrada a seguir levar-nos-ia pelos imensos campos de cultivo de Castilla y Leon, onde serpenteamos de forma rapida pelo asfalto de primeira qualidade.

Salamanca e Las Madras (hostal)

Depois de um abastecimento em Alaejos, Dorothy sugeriu a N620 que embora fosse quase sempre paralela há moderna Autovia A62, permitia toadas mais tranquilas, quase sempre abaixo dos 200km/h!
Ao chegarmos às imediações de Salamanca decidimos ir rever uma praça Patrimonio da Humanidade.

37 Plaza Mayor

Como o Sol a aquecer o pessoal saiu todo há rua.
E eu comi um gelado….

38 EStrada

Em Salamanca olhamos para o mapa. Dorothy queria curvas e montanha, e eu estava tentado em comer um “prato de entulho” feito pela minha mãe.
Dorothy ganhou e desviamos caminho para sul, em direcção há Serra de Francia.
A estrada perdeu largura, o horizonte estava agora mesmo diante do nosso nariz, curva apos curva, sentiamos que nos iamos isolando cada vez mais do mundo.

39 Dorothy e a Estrada

Os promontorios permiatim isto, fotografias aos vales e as estradas pelas quais iamos transitar depois de um sem numero de curvas.
Tudo isto para chegar a Las Madras, um pequeno hostal situado num pequeno lugar no meio dos montes….
Longe de tudo, no meio de nada donde as curvas são uma delicia.

39 Las Madras

Calor, vontade de tomar um banho, cansado mas curioso por ver e conhecer melhor tudo o que me rodeia.

40 Arvore

Esta era a vista do meu quarto, depois de um banho que ajudou a retemperar as forças.
Vestimos algo fresco e saimos há rua de Camara em punho.

41 Povi

Depois de imortalizar estas construções tipicas, sentamo-nos há mesa para um jantar e fomos falar com a Blanca e a sua irmã gemea!

Peña de Francia e Estrela

A noite foi muito boa para repor energias, o sol já se estava a levantar, hoje era dia de dar um beijo na minha mãe.
Mas o primeiro que fiz foi abrir a janela e espreitar lá para fora, para constatar que Dorothy ainda dormia, serena e calma.
Hoje era dia de curvas, milhares de curvas, de revisitar sitios já esquecidos pelas correrias na A25. Hoje era dia de uma estrada sem fim (endless road) com quotas de altura, neve, castelos e muito granito…

41 Objectivo

O pequeno almoço foi suficiente para ter fome de curvas, pouco passadas as 7h da manhã! E, até chegar lá ao alto, tinha mais de 35km atafulhados de ganchos, curvas, curvinhas e curvões. Todos elas com a sua trajectoria que Dorothy desenhou sem protesto.

42 Capilla de la Bianca

E pronto!
Já cá estamos!
Esta é a Capela da Bianca, la no alto, na Peña de Francia a 1700 metros de alto.

43 Santuario

Este é o Santuario.
Segundo reza a historia, Nossa Senhora andou por aqui e deixou-se ver a um pastor….

44 Paisagem 1

Mas aqui o mais importante são as paisagens….
Ali, algures no horizonte, está Salamanca.

45 Paisagem 2

Deste lado, para alem de se poderem ver as curvas de ascensão, está Ciudad Rodrigo, algures, lá no horizonte!

46 Paisagem 3

Quando cheguei ali, descobri que por aqui passa um dos caminhos ibericos de pregrinação a Santiago de Compostela.
Esta imagem do caminhante subindo a encosta abrupta, simboliza em parte os sacrificios que se fazem para se chegar a uma meta. Ou melhor ainda, das reflexões que essas metas provocam, das vezes que te encontras com a tua propria realidade, os teus problemas e as tuas frustrações….

47 Santuario

Era hora de partir, depois da oração, depois da reflexão e meditação, era hora de retornar ao caminho da vida.
E foram as curvas que me fizeram sentir que a vida pode dar muitas voltas mas segue sempre no mesmo sentido….
Em frente!

48 Paisagem 5

Lá no fundo, não muito longe erguesse o maciço de granito mais alto de Portugal.
É para lá que nos dirigimos!

49 Santuario no alto

Olhamos para tras, suplicamos pela protecção, montamos, engrenamos primeira e aqui vamos nós!
Pela frente mais curvas, uma descida interminavel com ganchos seguidos, um detras do outro, pendurados na encosta até ao riacho que a medida que baixava em altura ganhava corrente e caudal.
Quando por fim entramos na Extremadura. As estradas, como que por magia, ganharam 4m de largura de faixa, curvas rapidas e “rectas serpenteantes”.
Avivamos o ritmo a Dorothy, que disponobilizava cavalos a cada acelaração, provando que estava no seu ambiente favorito. Uma estrada rapida de bom asfalto, alias as melhores estradas da peninsula estão aqui, na comunidade de Extremadura.
Mas foi sol de pouca dura, pois voltamos de novo a Castilla Y Leon,onde a estrada continuava larga, mas com um piso de qualidade duvidosa.

50 Portugal

Mas era isto que estavamos há procura!
Para Dorothy era a sua segunda internacionalização, para mim….
Para mim era a primeira vez em que entrava em Portugal na condição (descarada) de emigrante.

52 Sabugal

Sabugal!
Mais um castelo para visitar com tempo.

53 Sabugal 2

Agora a N 232, por conselho expresso do Sergio!

54 Calhaus

Este massiço rochoso já la esteve bem enterrado no subsolo, mas como nada neste mundo é estatico, a natureza fez com que estes blocos subissem de novo há superficie para os torturar numa lenta e desgastante erosão.

51 Carvalho

E a visa é teimosa, renovando-se a cada dia.
Prova disto é este Castanheiro, secular, protegido mas, acima de tudo, que teima em manter-se vivo.
Mas a N232 estava há nossa espera, e quando nela entramos começamos a subir, curva apos curva, num piso de primeira qualidade, com a estrada sem transito e Dorothy desbocada a deitar cá para fora toda a cavalaria.
Depois de Manteigas o ritmo baixou, estavamos a entrar no Vale Glaciar, mas queriamos primeiro ir ao Poço, o Poço do Inferno…

55 Poço do Inferno

Depois voltamos para tras…

56 Caminho

Dorthy perfeitamente integrada na paisagem granitica…

57 Regato

Por entre as pedras, revestidas com uma fina camada de musgo, brotam fios de agua, que se vão juntando naquele que depois se trasnformara no maior afluente do Rio Tejo.

58 Ribeiro

Aqui, na Serra da Estrela, nascem os dois maiores rios que tem o seu percurso exclusivamente em solo portugues.
Na longa subida que é a estrada que vai de Manteigas há Torre é perfeitamente perceptivel estes “fios de prata” deslizando pelo granito, o que faz que nos detenhamos no caminho para ver um espectaculo unico.

59 Montanha

Ali algures detras destas rochas, está a nascente do Mondego, que terei a oportunidade de cruzar mais adiante!

60 Vale Glaciar

Já quase no cimo, fazemos um alto no caminho para admirar esta perspectiva do Vale Glaciar.
Valeu bem a pena!

61 Curvas

As ultimas curvas antes de chegar há torre…

62 Torre

La no fundo, bem lá ou fundo, olhando para ocidente, via de forma tenue uma fumaça, uma fumaça com um odor que me era familiar….
Aquele odor de carne e chouriça a ferver num caldo de lugumes, atulhado de couve e feijão e que fervia lentamente no fogo da cozinha da minha mãe!
Altamente!
A minha mãe esta a fazer sopa!
Bora lá!

Daqui o caminhho mais rapido era….
Espera lá!
Qual caminho mais rapido!?
Daqui o caminho com mais curvas até casa era em direcção a Seia e depois seguir o Alba até há Ponte das Tres Entradas, Tabua, Mortagua, Luso e finalmente Mealhada!
Até Seia, impulsionado pelo cheirinho da sopa da minha mãe, a descida foi vertiginosa, com o joelho e ponta das botas a roçar de forma tenue no chão em algumas curvas.
Depois de Seia o Alba fez-me tranquilizar, pois ofereceu-me paisagens explendidas.

63 Rio Alba

Tudo isto até chegar a Ponte das Tres Entradas!

64 Ponte das tres entradas

Daqui até casa foi um pequeno lapso de tempo, que me sentenciou o pneu traseiro e que me fez chegar a tempo de ir almoçar um prato de sopa cheia de entulho!

Cronica de uma Fotografia (3º aniversario)

Existem momentos na vida em que fazer uma loucura pode servir como uma maneira de rejuvenescer, de alimentar o ego e por a auto-estima em alta. Quem ler estas palavras e nunca ter feito uma loucura que se acuse.

Estou a viver em Espanha desde finais de 2006 e para me integrar no âmbito motard, inclusive para combater a solidão, dado que a Simone só veio definitivamente no Verão seguinte, encontrei-me com um grupo de amigos bastante coeso que se movimentava e faziam parte de uma associação que tinha como principal objectivo trabalhar na área da Segurança Rodoviária. Ao principio pensei que seria aborrecido, lidar com leis e ainda por cima de outro pais, meter-me publicamente com políticos e instituições e arriscar a pele nos trabalhos de campo…..
Mas o grupo era porreiro e ao trabalho juntaram-se momentos de convívio altamente. Pouco a pouco, comecei a encontrar gozo em ler os “Real Decretos”, os “Reglamentos Generales” e as “Ordenes Complementares” que marcavam as linhas gerais de actuação num trabalho de observação, controle e denuncia do que esta mal feito e do que nos prejudica em termos de segurança.
Fui trabalhando e fui subindo na “organização”, cheguei a ser o responsável pela Segurança Rodoviária Urbana, com vários relatórios apresentados e muita luta para ver resultados, que eram sempre poucos…..
A partir do Verão de 2009 a associação dá um giro de 180º com a nova direcção, que queria modificar os estatutos no sentido de modificar a orientação da mesma…. AMA Moteros Aragoneses ainda realizou a manifestação no dia 24 de Outubro desse ano, mas agonizou em debates internos até que os Fundadores decidiram, utilizando o voto de fundação, encerrar a Associação…..

Ao longo desse maravilhoso tempo, tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com pessoas do âmbito, verdadeiros gurus como Juan Rivas (actual presidente de Lucha Motera), Dinamita (presidente de Moteros en Accion) Jordi Vendrell que sabe de cor o Código da Estrada Espanhol, conhecer Juan Carlos Toribio, primeiro espada de AMM (Asociacion Mutua Motera) ou ao José Castillejos, entre outros.

Quando AMA desapareceu pensei em juntar-me a um grupo português ou talvez lutar em solitário e fazer montes de coisas….
Mas sou sincero, fa-lo-ia se tivesse sede de protagonismo, fa-lo-ia se quisesse destacar-me dos outros mas acho que não é por aí o caminho!

A ideia desta imagem nasce de um anuncio antigo (década de 70) que vi num programa da RTVE sobre os 50 anos do Agrupamento de Trafico da Guardia Civil e sobre as primeira campanhas de sensibilização rodoviária… Esse anuncio punha um adulto em cima de uma moto a conduzir com capacete e um slogan que dizia mais ou menos isto:

[quote]“El casco es tu cabeza, no pierdas la cabeza”[/quote]
Ou seja
[quote]“ O capacete á a tua cabeça, não percas a cabeça!”[/quote]

Hoje este anuncio, não teria as consequência desejadas, dado que está mais que demonstrado que a utilização do capacete é benéfica em todas as situações e a grande maioria já o utiliza de forma quase que intuitiva e normal, mas aquela imagem ficou aqui, na minha retina.
A Campanha Protege-Te visa sensibilizar os companheiros para o uso de equipamento de protecção adequado e, embora as ideias fossem mais ou menos originais, faltava uma ideia em que deixasse em evidencia a necessidade de utilização do equipamento em conjunto, como um todo, como uma pele anti abrasiva que levamos vestida.

A ideia surgiu na minha mente e a primeira pessoa a ouvir as palavras a saírem da boca foi Simone:
-Estas maluco!? O pessoal vai conhecer-te e vai rir-se na tua cara…. E onde vais tirar a fotografia? Na garagem não há luz natural e qualquer um pode entrar e ver-te!
Voltei a dizer-lhe que era um ideia altamente e é normal que os amigos reajam assim, mas o que interessa é quem não me conhece, aqueles que andam de chinelos, tshirt e calção só porque faz muito calor:
-Alem disso tenho um sitio perfeito!
-Onde?
-No Poligono do Pradillo.
-O quê? Tu és maluco- e desabafou- Meu Deus dai juízo a esta pobre alma que agora é que se lhe queimaram os neurónios!
Decidi deixar a ideia amadurecer na cabeça da Simone. Nessa semana subi á Alemanha e quando estava já de volta telefonei-lhe para falar desta ideia:
-Tem calma é rápido, este Domingo pela manhã vamos lá vemos como podemos fazer, e se estiver calmo, mandamos-lhes três flash?s e já está!
-E se aparece a policia!? Tu enlouqueceste de vez…..
-Se aparecer a policia, serão os municipais, falamos com eles e já está! E ao Domingo de manhã achas que vai haver movimento numa Zona Industrial praticamente abandonada?- cheguei a casa na quinta feira e fomos ver o local, expliquei mais ou menos o enquadramento e chamei-lhe a atenção de que estivemos ali mais de meia hora e não passou um só carro….
– Ok- disse- Domingo, se não estiver a chover, viemos aqui tirar a foto…..

Domingo, já com o novo fuso horário, abro os olhos e vejo a Simone a olhar para mim:
-Como é, vamos lá?-pergunto.
-Bom dia, acordaste a pensar nisso!?
Saltei da cama, liguei maquina do café comecei a ver que roupa tinha que por. Algo que seja rápido de tirar e por…..
Faltava lavar a Maria das Curvas dado que choveu na quinta e na sexta e ela estava suja.
Maquina com bateria, lente limpa e cartão de memoria descarregado e tudo pronto para fazer aquilo que seria para mim imagem do ano, sem duvida!

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Em 10 minutos lavei a Maria e deslocamos-nos ao local do crime, nunca melhor dito!

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Para alem de mim, que estou atrás da câmara, foi a Simone para imortalizar o momento, a Maria das Curvas e Geringonso, que ia servir de vestuário.
Depois a Simone sentou-se na Maria para eu ver o melhor enquadramento…..

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Esta era uma das opções, assim como retirar uma fotografia onde focasse mais o meu corpo e menos a dianteira da Maria, para alem da conveniência de não se verem as matriculas….
Expliquei à Simone os pontos de referencia e pedi-lhe que contasse os disparos para eu não mudar de pose….
Chegou o momento da acção. Abri a porta do Geringonso e comecei a tirar a roupa e num ápice montei na Maria!

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Vais assim pela Rua?

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Protege-te

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O objectivo é sensibilizar para um problema que faz vitimas todos os anos.
Assim como nos longínquos anos 80 em Portugal se lutou para normalizar o uso do capacete, acho que hoje devemos fazer o mesmo com os restantes elementos de protecção.
Sais à rua sem vestir-te?
Então, quando andas de mota, veste-te de forma adequada, porque de outras maneiras é como se fosses nu!

Mas eu, naqueles escassos 15 minutos estive a mercê de tudo, do frio do vento e inclusive de escorregar a cair com a Maria. Quando a Simone disse que tinha muitas imagens (10 ao todo), eu fugi dali para fora!!!!

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Voltei a vestir-me para poder ver as fotografias na câmara….
Estavam muita fixes!
Mais calmo e seguro de que fiz o que devia ter feito!

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La ao fundo, estava o Horizonte, chamando por mim!

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Mas ainda não acabou!!!
Faltava ambientar esta imagem, para dar-lhe um fundo credível e um ambiente mais urbano!
Acho que encontramos!

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Bem, já temos os paus e as folhas, já podemos fazer a cabana…
Com a Simone a deitar fumo e eu irritado por causa de ela ser tão meticulosa, lá trabalhamos a imagem de maneira a dar-lhe consistência, complementando-a com as imagens dos elementos de protecção que devemos usar e, à medida que íamos obtendo um resultado final, dávamos-nos conta de que estava muito interessante.
Este é o resultado final, espero que gostem, e que se consiga fazer passar a mensagem!!

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Aragão por Lone Rider- El Camino del Cid I

Rodrigo de Diaz Vivar, el Cid. Para os amigos Rui!
Conhecido na historia da Península como Cid Campeador, esta personagem controversa e heróica, chegou a ser bastante influente na península.
Guerreiro destemido, com uma vontade férrea de impor a sua autoridade, conquistou boa parte dos territorios de Aragão e do reino de Valência, retirando deles o sustento do seu aguerrido exercito.
Antes de assentar em Valência, cidade fortificada e conquistada aos mouros devido a uma manobra militar muito habilidosa, Cid Campeador (Rui para os amigos) fez um périplo pelas terras de Aragão, Castilla la Mancha e norte de Valência, que hoje são conhecidos com Caminos del Cid.
Esses caminhos percorridos deveram-se ao desterro que este teve por parte de um dos Afonsos de Castela, que mais tarde teve que pedir ajuda ao próprio Cid para que o ajudasse em Ateca numa batalha contra os mouros de Valência.
Os Caminos del Cid passam quase na sua totalidade por Aragão, desde Alhama de Aragon, passando por Calatayud, Daroca e Albarracin.
Desta vez vamos concentrar-nos em dois castelos importantes que Cid conquistou, e dominou durante muito tempo.

Durante o inverno, o sol é importante para ajudar a sair de casa. Abrir a persiana e avistar um dia luminoso ajuda a arrancar as pessoas da cama numa manhã fria!
Depois do protocolo matinal (levantar, fazer xixi, lavar a cara, etc, etc) tenho 2 minutos de mau humor que são insuportáveis, impelidos pela necessidade de café e um beijo de bom dia. Por isso, para os possíveis companheiros de viagem, se me verem a fazer tromba de beijo, meio encurvado para a frente e os braços mortos e pendurados, cumpram com o ritual e dêem-me um beijo. Caso contrario sou insuportável!
Montar na Dorothy para sair de casa numa manhã fria é outro suplicio…
As botas tem que estar perfeitamente polidas, em movimentos circulares feitos no sentido contrario do relógio (sempre assim e nunca ao contrario), os botões das calças tem que estar sempre postos na suas casilhas, os fechos subidos até cima, os velcros do casaco perfeitamente pegados; as luvas perfeitamente ajustadas, com os dedos em casa sitio correspondente, os velcros tensados a um puxão antes de partir; as mangas do casaco bem esticadas, com as molas apertadas e os fechos bem fechados; o capacete bem posto, posicionado 5mm acima das sobrancelhas, como o fecho micrométrico na septima posição, viseira limpa e sistema de comunicação coma abateria carregada e emparelhado com os 34 dispositivos que costumo levar onde quer que vá!
Só então é que me disponho a por a mota a aquecer!
Para tal, e antes de rodar a chave, verifico a pressão dos pneus, o nível de óleo e agua, o posicionamento das manetas, o desgaste das pastilhas de travão e meço com a dinamométrica o binário de aperto de cada para fuso exposto ao meu olhar. Quando, finalmente, rodo a chave, verifico que o check up é correctamente feito, que todos os sinais vitais estão funcionais e depois carrego no botão magico para trazer vida ao V4 de Dorothy!
Só aí é que me dou conta de que me esqueci em casa do comando que abre o portão da garagem….
Tive que voltar a casa para buscar o comando.
Por azar as chaves de casa já estavam dentro do casaco, pelo que tive que tive que tirar as luvas e abrir o casaco, sinal que teria que voltar a repetir todo o protocolo descrito anteriormente…

Despois desta pequena epopeia matinal, saímos há rua para saborear o gélido dia que nos presentava.
Com o sol de companhia, ainda meio adormecido, vigiava a estrada para detectar possíveis placas de gelo, pois o mentiroso da farmácia tinha indicado -1ºC, mas o único que se via eram grãos de sal por todo o lado.
Hoje iamos ver, ou melhor, seguir o rasto a um homem que viveu há quase mil anos e que os amigos tratavam por Rui, apesar de ser historicamente conhecido por Cid Campeador!
Calatayud era o primeiro destino, donde este hábil guerreiro desterrou os mouros em menos de nada, convertendo a cidade ao cristianismo.
Entre Zaragoza e Calatayud existem três altos de montanha, La Perdiz, Morata e El Frasno, este ultimo com quase mil metros de altura e de donde já se pode ver a cidade de destino. Em Almunia de Doña Godina tinhamos 8ºC mas quando chegamos a Calatayud tinhamos dois grais negativos. Tudo isto em pouco mais de 30km, pelo que a vontade de querer voltar para trás era muita!
1 Nariz Frio
– Não sei porque mas tenho a ponta do nariz gelada!- e de seguida- Cruzamos-nos com motos pelo caminho, porque que é que fazem sinais uns aos outros!?
-É uma forma de nos cumprimentarmos, de desejar boa viagem…. Deverias fazê-lo também! É uma das tarefas dos penduras!
2 Dedos Frios
-Então começo já a praticar!
Depois de nos recompormos do choque térmico, entramos em Calatayud para procurar os vestígios do Rui! Não é que eu tenha sido amigo intimo de Cid Campeador, mas não sei porque, o nome parece-me familiar!
3 Arco de San Miguel!
O Arco de San Miguel é uma das portas da cidade antiga, mas não era por ali o caminho que queríamos. Voltamos para tras e procuramos a sinalização correspondente ao que víamos lá no cimo do monte.
A cidade é composta por muitas ruelas estreitas, com casas dispostas sem um padrão comum, o que dificultava muito descobrir o caminho correcto.
Mas quem tem boca vai a Roma e quando nos disseram por donde era custou-nos a acreditar!
-Siga sempre em frente! Vai parecer que são ruelas por donde não passa mas é por aí! Sempre em frente!
E assim foi!
A rua não tem degraus, é certo, mas por vezes não chega a ter mais de 1,5m de largura, com curvas de 180º e inclinações muito para alem dos 10%.
Mas a recompensa chegou!
4 Castillo
Esta fortaleza, construída no século X pelos mouros foi das primeiras em caírem mãos do Cid Campeador, na sua cruzada pessoal contra os Sarracenos.
5 Torre
Uma característica que diferencia as suas fortalezas são as torres hexagonais!
6 Torre 2
São ruínas, é verdade, mas no seu tempo dominavam todo o vale!
7 meã
Atravez das meãs, que os arqueiros usavam muito frequentemente, podíamos deslumbrar duas das muitas torres de estilo Mudejar, espalhadas por todo Aragão!
8 Muralhas
A proteger a povoação e o vale, havia uma segunda linha de defesa, que hoje partilha as suas muralhas com as construções contemporâneas!
E agora!?
Para baixar era preciso fazer o mesmo caminho!
E o problema é que todos os santos ajudam!
9 Ruelas
Calatayud tem este aspecto, ruelas estreitas, casas amontoadas em cima de igrejas com as suas torres Mudejar majestosas!
Vale pena visitar e caminhar por entre esta disposição anárquica, mas noutro dia que o frio é de rachar e a minha pendura já me pediu um café bem quente!
10 Praça do Municipio
Este é o largo da Camara Municipal!
11 Vendedora
Aqui se fazia o mercado donde se podia encontrar os produtos que o vale dava aos agricultores!
Tomate, pêra, maçã, alfarrobas, melão e melancia, que depois eram vendidos nesta praça.
12 Varandas
Sim! Estão a ver bem!
Ali deve ter havido algum erro de engenharia que determinou uma ligeira “tendência de esquerda” de todo o edifício!
Café quentinho tomado, era hora de zarpar.
E a boa hora, pois o sol já aquecia os corpos que propositadamente procuravam o astro!
o proximo destino era outra cidade fortificada, que fica para lá do vale do rio Jiloca, que iriamos acompanhar até subir uma das vertentes do monte Paniza!
É uma nacional larga, de bom piso, com rápidas das que dá para acelerar e soltar os cavalos há Dorothy. Contudo hoje era para aproveitar o sol e, a mais velocidade mais sensação termica, decidi reduzir a velocidade para aproveitar o pouco calor que o astro rei nos oferecia!
13 Fixe
Este sinal confirma que a minha opção foi a correcta!
14 Povoção
Estes são algumas das pequenas povoações que podemos encontrar pelo caminho, quase todas elas com uma Igreja de estilo Mudejar!
15 Daroca
Daroca! Cidade Fortificada.
Esta é a porta Norte de um recinto que foi amuralhado e que ainda hoje conserva as torres da muralha.
16 Calle Mayor
Calle Mayor eixo principal da cidade.
17 Esttilo mudejar
Em algumas casas podemos encontrar detalhes interessantes.
18 Porta Sul
Eis a porta sul!
Por donde Cid Campeador saiu em conquista dos campos de Calamocha!
19 Catedral
Igreja Matriz, consagrada a San Lorenzo, de estilo Gótico.
Por detrás existe um caminho que leva até às muralhas, por donde se pode aceder há torres da mesma e aos recantos de uma cidade que merece um passeio a pé, com calma e descontracção!
20 Torre
Aqui temos um exemplo, em perfeito estado de conservação, mas que requer paciência, pois o seu acesso não é fácil, para alem de que só se pode aceder a pé!
Contudo, para aqueles que pretendem visitar, aconselho a que parem e aproveitem uma manhã de sol como esta para visitar esta cidade histórica.
21 Saida pela porta
Voltamos a sair pela porta norte para rumar em direcção ao mitico Alto de Paniza, fazer aquelas curvas deliciosas e voltar há cidade de Zaragoza.
Apesar do frio o saldo foi bastante positivo!
Calatayud e Daroca são duas cidades com muita historia em comum, donde as suas paredes denunciam a sua importância ao longo dos tempos, ricas em património e que não dispensam uma boa caminhada pelas suas ruelas, para visitar monumentos e edifícios históricos.
É de recordar que há mil anos atrás, um dos maiores guerreiros de toda a historia da península, fez destas cidades o seu quartel general, trazendo as suas povoações a fé cristã e ajudando assim a roubar domínio aos infiéis!
Sobre o caminho de Cid Campeador mais episódios virão, mas aconselho a que procure na Wikipedia informação sobre este personagem, tão valente como controverso!

Andar de Mota

Apesar de parecer uma pessoa extrovertida, os meus amigos mais chegados conhecem a minha essência nostálgica e os delicados equilíbrios que tento manter dentro de mim para que fora seja assim, um poço de alegria. Outros dizem que ponho cara de mau para que não descubram que na realidade sou um coração de manteiga derretida ao sol.
Por motivos que me superaram, as ferias de Natal se viram marcadas pela impossibilidade de fazer a viagem que estava programada e os dias que estavam pensados para curvas, paisagens e fotografias, passaram-se a organizar roupa, varrer o chão de casa e demais tarefas domesticas.
Todo um aborrecimento que me tirou o sono.
Necessitava um escape, de visitar a essência do motociclismo.
Andar de mota!

Eram 4h30 da manhã e andava as voltas na cama, doía-me o corpo, sentia-me cansado de não fazer nada. Ouvia o distante assobio da caldeira de gas que tratava de manter habitável a minha casa, aquecendo o ambiente para uns agradáveis 20ºC.
Outra volta na cama e volto a perguntar-me:

“O que é que te falta Rui?
Andar de mota!
E se sabes a resposta porque raio te resistes!?
Donde vou?
Sem destino.
Fazer o quê?
Logo se vê.
Para quê?
Andar de mota!”

Saltei da cama, fui ao armário e retirei o meu fato de turismo, procurei na gaveta o meu fato térmico, o meu passa montanhas e as luvas de inverno!
Em seguida desliguei a caldeira e abri as janelas para que o frio da noite ambientasse a casa.
Desci há garagem para subir as malas de Dorothy, lancei-lhe um olhar cúmplice como que dizendo:

“Prepara os cavalos!
Vamos dar uma voltinha sem destino!”

Na mala, o tripé da câmara, a câmara, uma muda de roupa, o estojo da barba, um mapa da península, um carregador do telemóvel e a bateria suplementar.
1
Utebo, dois graus negativos, mais ou menos seis da manhã!
Frio!?
Isso é para frouxos!
Pela frente km de estrada, sem saber bem donde ia parar, apenas com um único objectivo.
Andar de Mota!
Decidi passar pelo centro de Zaragoza, aproveitando a tranquilidade da madrugada para desfrutar da decoração de natal.
Depois apanhei direcção ao desconhecido, sem GPS ou mapas, só sabia que ia de encontro ao sol, que se preparava para aparecer no meu Horizonte!
A estrada, a minha casa, que serpenteava por montes e vales, oferecendo-me as curvas que tanto ansiava, que fazia com aprumo e concentração, procurando o sol. La fora, depois de passar as capas que me protegiam, o frio que gelou todo há minha volta punha há prova o meu equipamento, que se resistia, mantendo a minha temperatura estável e evitando o sofrimento. Contudo, seria por pouco tempo, e os dedos começaram a sentir o frio que, pouco a pouco, contaminava os tecidos das minhas luvas já veteranas.
Que fazer para evitar aquele formigueiro gélido que te paralisa de forma dolorosa as extremidades?
Não parar de mexer, para facilitar a circulação de sangue.
Apesar disso, na minha alma vivia-se jubilo, a cada curva, a cada aceleração, a cada paisagem, o sentimento de liberdade ia contaminando o meu estado de espírito.
2
Primeira paragem.
O sol já se via no horizonte, uma enorme laranja que se levantava, deixando aqueles que caminhavam até ele cegos, montando um espectáculo de sombras e “clareiras” que marcavam a diferença entre estar gelado ou aquecido pelo astro!
Algo me chama a atenção, uma ruínas, montadas no dorso de uma colina erosionada pelo tempo.
Os sinais indicavam um caminho de terra.
Existe alguma coisa que impeça a um Motard de ir donde quer que seja?
Não!
3
Foi assim que Dorothy fez a sua primeira incursão por caminhos de terra batida.
Com o merecido prémio ao final deste.
4
Castelo de La Palma, construído pelos muçulmanos a quando do seu domínio nestas terras.
5
E este é o Ebro, que leva as aguas gélidas do Cantábrico até ao Mediterrâneo.
6
O Castelo merece uma visita mais detalhada, mas hoje não era o momento.
Limitamos-nos a por o pino vermelho no mapa para no futuro prestar-lhe a atenção que se merece.
Voltamos há estrada e despedimos-nos de Sastago….
7
Outra vez a estrada, outra vez a luta travada pelo ar gélido, na tentativa de me demover do meu principal objectivo.
Andar de mota!
A estrada, a minha igreja, terreno do meu culto, torcia-se para salvar montes e vales, passando por povoações como Escatron ou Caspe, onde assumi o compromisso de voltar para falar de outro Compromisso, muito mais transcendental na historia de Espanha.
8
E a estrada volta a exigir a nossa presença no asfalto, porque se aproximam os desafios da serra de Tarragona, já na comunidade do Condado de Barcelona.
9
E o leito de prazer por donde deslizávamos, começa a oferecer-nos curvas rápidas, recortando o monte, subindo e descendo os vales, exigindo a Dorothy aprumo e precisão, roubando-me toda a concentração para que ambos constituíssemos o binómio inexpugnável que venceria todos os desafio que a estrada nos ia plantando no horizonte, km a km.
Viajava só, levando ilusão e esperança, sem um destino marcado, sem objectivos, sem saber o que fazer, só com uma vontade.
Andar de mota!
E foi assim que entrei nos domínios da capital catalã, sem saber bem o porquê, mas feliz por tudo o que já tinha vivido até então.
Donde ir?
Vamos ao circuito de Montemeló.
Vagueamos por ali, sem saber donde ir ou donde parar….
Terminamos fazendo um check in num dos hotéis das redondezas e despojamos a Dorothy das malas e da minha pessoa o fato que começava a assar-me a “fogo lento”.
Donde vamos!?
Andar de mota!
10
Aproveita Dorothy!
Não é todos os dias que se tem uma cidade inteira a teus pés!
Tibidabo é um monte que domina toda a cidade, mas é sobejamente conhecido pelo seu parque de atracções.
11
Mas as estradas são o mais atractivo.
As curvas técnicas e lentas são predominantes e foi nelas que pusemos há prova os musculados baixos de Dorothy. Quando estas acabaram, dirigimos-nos há capital para voltar a subir, mas desta vez ao castelo!
13
Andamos por ali, até que o sol nos roubou o calor.
Era tempo de voltar ao hotel, tomar banho, mudar de roupa e voltar há cidade.
O jantar era promissor!
Há mesa não iam só estar as delicias culinárias catalãs, mas também dois amigos que vivem na Cidade Condal. Hugo e Angela, Motards empedernidos, viviam há já uns anos em Barcelona. Conheci-os através do extinto MotoOnLine e com eles travei amizade. Aventureiros, amantes das viagens em comunhão com as duas rodas e um espírito enorme, levavam tempo puxando-me as orelhas por causa de uma visita prometida, e que por esta ou outra razão não me foi possivel cumprir.
Como o prometido é devido, o serão, para alem das esquisitas e deliciosas “tapas de sabores mediterrâneos”, foi bastante entretido. Falamos da Dorothy, da Hikari e das aventuras vividas recentemente, assim como da veterania da Maria das Curvas, dos projectos vindouros e dos conselhos que, de igual para igual, se trocam nestas ocasiões!
Foi tão bom (desde o meu ponto de vista) que nem fizemos foto para imortalizar o momento.
Sinal de que os momentos vividos são e serão memoráveis!
Depois…
Dormir, descansar os ossos e os cavalos era imperioso.

Voltei a abrir o olho passadas as oito da manhã, enroscado no edredon, espreguiço-me com lentidão e sorrio com a ideia de que hoje tinha muito km’s para fazer.
Era como acordar depois de uma noite de amor, em vez de abraçar a tua amada passando a mão carinhosamente pelos seus seios, enroscava-me no edredon feliz por estar longe de tudo e feliz porque em breve tinha que voltar a tudo!
O pequeno almoço foi adornado pelos fiambres, croissant’s e, o quase meio litro de leite habitual.
Pagamos a conta e montamos as malas em Dorothy.
14
Voltamos há estrada com o mesmo propósito….
Andar de mota!
Donde ir!?
Ia com vontade de farejar as curvas, que por referencia em Catalunha abundam!
Rumei a norte, até aos Pirineus, onde a estrada se volta a torcer.
E pronto…..
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A neve é um atractivo mais que convincente!
16
Rumamos em direcção do Principado.
É verdade que o transito intenso retirou um pouco o encanto há coisa, mas agora tinha um objectivo de superação.
Subir ao Pas de la Casa.
Pas de la Casa é um pico dos Pirenéus que ascende aos 2680 metros de altitude, contudo no patamar dos 2000 metros está a povoação e estação de esqui com o mesmo nome.
17
A ideia era subir até há estação e desfrutar do sol gelado pela neve.
Infelizmente, dadas as condições da estrada e os avisos sobre a obrigatoriedade do uso de correntes, ficamos a poucos km da estação de Sky.
Na prática, já tinha visto que as condições se degradavam e a roda traseira da Dorothy já o tinha notado por um par de vezes.
Com -4 ºC de temperatura era muito possível a formação de gelo e eu queria voltar, apesar de saber que era um aliciante tremendo correr o risco.
18
Mas o objectivo era, e continuava a ser, o mesmo.
Andar de moto.
E assim foi.
Demos a volta e voltamos há estrada.
Foi uma pena não chegar ao Pas de la Casa, mas outras oportunidades virão!
19
Quando saímos do “barulho” de Andorra, a estrada voltou a oferecer o melhor que tem. Curvas rápidas, estrada larga e piso de primeira e novamente o binómio a funcionar para rasgar um sorriso de orelha a orelha!
Sabíamos que íamos em direcção há monotonia, sabíamos que íamos em direcção ao de sempre, trabalho, responsabilidades, problemas e o dia a dia, mas as baterias estavam renovadas, prontas para novos ciclos e estes dois dias foram só para uma coisa.
Uma coisa que me dá muito prazer.
Andar de mota!