Adeus Dulcinea!

Naquela manhã Dulcinia convidou-me a ir dar uma volta pelos montes de Cuarte de Huerva.
Um manhã fresca, de sol, própria do Outono, com os caminhos secos, salvo uma ou outra poça mais profunda e os tipicos regueiros de outono formados pelas primeiras chuvas que anunciam a proximidade do inverno.
Dulcinea estava especialmente atrevida, subia com decisão os caminhos e sempre que os encontrava, metia-se pelos trillos do pessoal do BTT!
Quando os montes esconderam todos os sinais de civilização,  deixando a descoberto uma extensa area deserta, arida e agreste Dulcinea parou….

-Quanto tempo faz que nos conhecemos?
-Quase três anos….
-Aprendeste alguma coisa comigo?
-Sim! Todos os dias me ensinas algo novo. As sensações que me deste a conhecer no monte, onde as pedras, a lama e os imprevistos me ajudam no meu dia a dia!
-Sabes porque te trouxe aqui?
-Não!  Porquê?
-Eu cheguei a ti com um objectivo claro, mostrar-te uma vertente desconhecida do motociclismo. Como sabes eu sou uma pequena Trail Utilitária e não me nego a nada, mas tenho os meus limites.
-Eu sei e respeito os teus limites!
-Mas queres mais, pelo que considero que a minha missão contigo está terminada.  É tempo de ir…
-Mas… Espera! Eu gosto de ti, é certo que as vezes exijo muito mas…
-Sempre me trataste bem, adoraria continuar a partilhar a garagem com a Dorothy e a Maria das Curvas, mas eu fui construida para ensinar,  proporcionar novas experiências aos novatos e não a um veterano cu de beduíno como tu!
Adoras cada uma das tuas máquinas, mas eu já pouco faço aqui, tenho que seguir o meu caminho….
– Eu adorei ter-te na minha garagem e serás sempre bem vinda e por isso minha querida Dulcinea, por tudo isso, respeito a tua decisão. Mas deves saber que vou sentir a tua falta!
-E eu a tua! Nada de tristezas, enquanto eu não encontrar novo dono,  sempre podes passar lá pelo stand e falarmos um bocadinho! Agora vamos para casa,  que tenho que começar a reunir as minhas coisas….

Pirineus (parte 4)- Honda Instituto de Seguridad

Estar a viajar e dormir em hotéis é algo que ao que já me acostumei.
A parafernalia matinal de montar as malas, deixa-las na Dorothy, tomar o pequeno-almoço e entregar as chaves do quarto hoje teve um sabor amargo!

Os mentirosos da metereologia tinham dado uma probabilidade de chuva de 90%. E não é que os gajos adivinharam!?

Justo no dia onde eu ia ser formando, num curso de condução do Honda Instituto de Seguridad!? Mas, se chove estes gajos não vão querer dar o curso por motivos de segurança!!!

Até me custava engolir o croissant com queijo e fiambre (bem atestado)…
Eu ainda tentava empurrar com o leite com café que preparei, mas sempre que na recepção se abria a porta e deixava entrar o ruido das gotas a cair no chão lá fora tinha vontade de regujitar!

Quando sai com a Dorothy da garagem do hotel, caia uma chuva molha tolos, mas o chão já estava empregnado do liquido elemento. Tinha chovido toda a noite!
Mecagoentodoloquesemenea!!!!
Pior que tudo foi que, à medida de que me ia aproximando do HIS (Honda Instituto de Seguridad) as gotas passaram a cair na mesma cadencia, mas com uma “caudal” superior. Tanto que cheguei ao local já molhado nos braços e pernas!

65 Pista Asfalto

Esta é a pista de asfalto….
….completamente molhada!

Ao fazer a confirmação da inscrição, previamente paga, fiquei a conhecer o funcionamento das instalações.
O complexo é composto por 3 pistas, duas de seco e uma de molhado (sendo esta ultima com um coeficiente de aderencia reduzido), as pistas secas, uma é asfaltada e a outra é de terra.

67 Pista terra

A pista de piso molhado serve unicamente para procurar os limites, fazem-se exercícios de travagem de pânico e em pisos muito deslizantes, sempre com piso molhado. O objectivo é que saibamos qual é o limite que marca o equilíbrio e a queda, e depois ir treinando a travagem de forma a torna-la progressiva em potencia e por consequência eficiente.

Na pista asfaltada, mais tarde soube que dão cursos com esta pista molhada, tem umas marcas para simulação de situações diarias na condução da mota. Nela fazemos os tipicos slolons, aplicando as tecnicas explicadas na parte teorica, como e onde olhar quando conduzimos uma moto, como curvar e como travar com e sem ABS.

Na pista de terra, dão-te noções basicas de como conduzir uma moto de todo terreno.

O resto do complexo está contido num edificio, donde podemos ver as motas utilizadas no curso.

68 Garagem

Algumas joias da coroa….

69 Garagem 2

Para alem de tudo isto, no piso superior, temos balnearios onde podemos guardar casacos, capacetes, tomar banho e trocar de roupa, salas de practicas com as motos robot e sala de aula teorica.

70 Gold Wing

Quem nos recebe é esta menina, todo um referente de segurança no mundo das motos!

71 Scooters

As meninas com que se dão os cursos de Scooter

72 Motos

E as meninas dos cursos de iniciantes e curso medio!

Isto não é bem assim, porque as motos vão rodando para que o parque se mantenha atualizado em materia de tecnologia.
No curso que fiz (curso medio) haviam NC750S e CB500S.

Na aula teorica foi-nos dado a saber que comportamentos devemos ter com o elementos metereologicos, a adoptar uma posição adecuada, as noções de “pendurismo” (a explicar aos penduras obviamente), distribuição de pesos e carga na moto, etc.
Passamos então as simulações para testar algumas das teorias ensinadas de forma virtual e depois é que saltamos para cima delas.

Quando descemos as pistas o S.Pedro andava com o secador a secar o asfalto. A chuva deixou de cair e o vento quente deixou a pista em seca em pouco mais de meia hora, facilitando assim que o pleno disfrute e diversão em aprendizagem.
Afinal de contas o objectivo da chuva matinal foi deixar a pista lavada e limpinha para que o curso fosse um sucesso!
Inicialmente tive o prazer de conduzir uma CB500S, mas depois roubei uma NC para ver se era tão boa quanto diziam….
Os exercícios eram todos eles fáceis, rápidos de assimilar e de muito práticos para o dia a dia.
Gostei muito dos exercícios de travagem donde notei uma melhoria em respeito ao que já fazia e admirei-me quando me explicaram com exemplos práticos coisas que já fazia inconscientemente.
Nas travagens em molhado, a vitima foi uma SH300i (Scoopy grande) com as rodinhas de lado, onde podemos sentir, sem cair como actua o ABS em molhado e como podemos actuar progressivamente sobre os travões de forma a reduzir a distancia de travagem sem que o ABS salte. É espantoso ver que, ao seguirmos a directivas do Jordi (instrutor), as distancias de travagem se reduzem, paramos a moto em segurança e sem que o ABS actue.
Ao final, fizemos uma corridinha de lentos onde me piquei com o Jordi!

73 Diploma

Na cerimonia de entrega dos diplomas, Jordi frisou que me queria voltar a ver num curso avançado, dado que eu fiz a opção errada ao escolher fazer o escalão medio.
“As tuas habilidades estão acima de alguns que vem fazer o avançado!”

Depois do bem bom dos últimos 4 dias, era hora de voltar para casa.
De Santa Perpectua de Mogoda a Zaragoza existem muito kms, que percorremos em pouco tempo, a velocidades vertiginosas que cumpriram sempre com o limite imposto pelas leis.
Quando cheguei a casa deparei-me com a casa vazia, a cheirar a limpo e sem sinais de estar habitada há já alguns dias.
Resignado com a possibilidade de a rapariga ter-se ido embora, ainda ganhei coragem de lhe pedir uma satisfação:

-Estou!!!
-Podias ao menos dizer que te ias embora!
-Embora!? Eu estou em casa!- disse admirada- Onde é que tu estas?
-Isso pergunto-te eu? Eu estou em casa!!
-Rui! Em que casa!?
-Porra pá.-disse irritado ao deparar-me que tinha entrado no apartamento que deixara vazio, porque tinha juntado os trapinhos com a miúda – Enganei-me na casa!!! Espera lá que eu já vou, tenho muitas aventuras para te contar!!!!

Pirineus (parte 3)- O Sr Montseny

E não é que amanheceu a chover?
Foi a primeira coisa que fizemos no dia…
Mandar uma rogatória ao S.Pedro!

44 Ermita

Não funcionou!
Ao ganharmos altura este foi substituindo a chuva pelo nevoeiro.
Visto que a rogatoria não funcionou, mandamos um requerimento:

“Queremos SOL!!!”

45 Vale

Prontos! Prontos!
Não se enerve!

Onde iamos!?
Ao Pas de la Casa!

46 Vaca

Não olhem para as vacas!
Mania de estar sempre a olhar para onde não devem….
O objectivo desta imagem é a curva e os picos la ao longe ok!

47 Pas de la Casa

Port de Envalira!?
Mas, não era Pas de la Casa?
É! Mas não é!
A povoação começa aqui, mas a montanha chama-se Envalira.
Coisas que só um Andorrano pode entender….

48 nevoa

E agora?
Passamos de requerimento ao protesto deliberado?
Não chovia é certo, mas estava um frio de rachar e o nevoeiro estava, inevitavelmente há minha espera!
E não!!!
Não vos vou falar da infinita beleza desta imagem!
É bonita não é!?

49 Montanhas

Por incrivel que pareça estou no mesmo local, mas desta feita virado a sul, para onde o S. Pedro tinha levado o sol!
Hoje era um grande dia, porque iamos conhecer a s curvas do Maciço Volcanico e o Sr Montseny!
Mas primeiro teriamos que entrar em França saindo da Andorra pelo Pas de la Casa e fazer uma reeentré em Espanha pelo Puymorens!
Ao chegar a uma retunda em Pas de la Casa, já inmersos num denso nevoeiro, deparamos com os jardineiros do local!

50 Jardineiros

Ao parecer, para eles os corta relvas eram obsoletos. Não tive foi oportunidade de constatar se a relva estava bem aparadinha, tambem para não irritar ou insultar o orgulho profissional dos tres jardineiros que tão decididamente cortavam a relva!

51 Puymorents

1915 metros de altitude….
5ºC de temperatura, no dia 2 de Septembro…
Motard Sofre!

52 castelo

Tambem houve idade media por estes lados!

53 Catalunya

Catalunha é Aragão!

54 Selva Volcanica

Voltamos há diversão!
Já fora dos Pirineus, rumando a sul em direcção ao Mediterraneo, existe um maciço rochoso chamado Macizo Volcanico.
É uma extensa area de montanha com frondosos bosques e estrada cheias de curvas. Pois é precisamente essa a parte que mais nos interessa. Às curvas, juntas o factor de que são pouco transitadas e a diversão esta garantida!

55 Col de  Buc

Foi tão bom que esquecemo-nos das fotos!

56 Curvas do buc

Esta foi tirada um pouco antes de parar para almoçar uma Botifarra a la Brasa com Ali Oli!
Espero que a rapariga não chegue a saber que caí nestas catalanisses!

57 Sr Monteseny

Depois de comer ia fazer uma visita ao Sr Montseny.
De todo o condado de Barcelona era o ponto mais alto, com mais de 1700m no Turó del Home.
Como cartão de visita, aos motociclistas, o Sr Montseny oferece estradas bem asfaltadas paisagens a condizer. Só era preciso que o S.Pedro colaborasse.

58 Floresta

Exceptuando nos seus pontos mais altos, esta montanha esta revestida por uma densa mata que dá habitat a inumeras especies animais, como podem ser os veados ou os javalis.

59 Curvas da Floresta

Mas o que aqui nos interessa, são as curvas, encadeadas, kilometros de curvas numa coreografia incessante!

60 Curvas da floresta 2

Ao chegar ao Turó del Home, o nevoeiro corta por completo a visibilidade mas a teimosia não cessa!

61 Vol del Home

Pronto!
Esta visto que não vou poder disfrutar das tuas vistas…
Vamos embora!

62 Montseny

Na descida passamos pela povoação que tem o mesmo nome da montanha.
Nada de especial, tirando o facto de que esta rodeada por estradas fabulosas!

63 Paisagem Montseny

E foi assim que nos despedimos do Sr Montseny, olhando para o mar, num dos multiplos promontorios que nos oferece.
Daqui não ha nada a contar, salvo que o hotel tinha uma recepcionista com uma bicilindrica capaz de fazer inveja ao 106 polegadas cubicas da Harley!

Pirineus (parte 2)- Andorra

O hotel foi uma triste alegria….
Estava cheio de turistas portugueses, que falavam alegremente das suas aventuras de reformado com os empregados de mesa, que eram portugueses, ou com a rapariga da recepção, que tambem era portuguesa. Até o cozinheiro, que fez o obsequio de se preocupar com a satisfação dos comensais, era um declarado Alentejano de Borba!
Sinceramente não estava com pachorra para tanta alegria lusitana, por isso tratei de jantar e tomar o café na cafetaria:

-Un Cortado con la leche del tiempo!
-Si Senhor!- mas aquilo suou mais a (-Sim senhore!)
Queres ver que este é portugues?
-Tu de donde vienes!?- perguntei- Eres Portugues o qué?
-Si, da ciudad do Porto!- respondeu num explicito “portunhol”…
-Muy bonita la cuidad si señor!- e quando este se dispunha a falar da sua beleza barroca… -Cuanto le debo?
-Um euro e medio!- mas não lhe dei oportunidade, pois o dinheiro ja estava no balcão e eu já me dirigia aos quartos.

Não tenho nada contra os turistas ou imigrantes portugueses, eu mesmo sou um imigrante. Mas não estava com pachorra para estar a comentar de donde era, como vim cá parar e que fazia em Andorra.
Ao passar pela porta de entrada reparei que já chovia, coisa normal nas tardes pirinaicas de fim de verão.
Sai para ver o ambiente, beber mais um café e ver os cús das Andorranas!

A manhã levantou-se cinzenta, o ceu estava coberto por uma nevoa que fazia pensar que iria chover a qualquer momento.
Pequeno almoço tomado, Dorothy com os cavalos quentes, telemovel a servir de GPS e bota lá então!

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Andorra, encontra-se situada nos Pirineus, tendo practicamente os seus limites a Bacia Ideografica do Gran Valira, com um area que não chega aos 500km2.Tem dois chefes de estado e um regime democratico que funciona tendo em conta os 6 “destritos” que compõe o seu territorio. Mas deixemo-nos de tretas…
O que de melhor Andorra tem são as montanhas!
As montanhas e as curvas que temos que fazer para lá chegar!

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E é aí que eu quero chegar!
Hoje o objectivo é fazer quase todas as estradas andorranas, que conduzem na maioria às estações de Sky, ou sku (depende da preferencia) que existem em quase todas as partes do territorio.

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Por casualidade, pura e simples coincidencia, visitava Andorra em vesperas do Campeonato Mundia de BTT e de uma das etapas de montanha da Vuelta Ciclista a España!
Aqui está Dorothy, à entrada do Padock onde se concentravam os ciclistas do campeonato de BTT.
Visto isto, para elém da estrada estar meio molhada, meio seca, era prudente contar com a presença dos inumeros fans ciclistas, tanto dos velocistas como dos gajos do mato, o que aconselhava a ter mais cuidado em estradas que há priori estariam meio desertas.

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Mas quase tudo foi esquecido quando comecei a ver paisagens como esta!

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E a fazer estradas como esta!

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O sol começava a raiar e tinha esperança de que secasse a estrada para um deleite superior!

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Ja acima dos 1800m a paisagem só é habitada por animais, os seus pastores e os postes dos teleféricos que elevam os esquiadores para as pistas.

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Quando o asfalto acabou o GPS indicou de que tinha acabado de entrar em território espanhol.
Estava a 2000m de altitude.

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Ao longe este senhor equestre convenceu-me a não avançar. Era suposto que depois desse houvessem mais e o seu comportamento pode não ser o desejavel. Não convem ter que ajustar contas com algum cavalo cansado de puxar alguma carroça e que se queira vingar em mim.

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Montanhas e curvas…….
Que mais podemos ter!?

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Uma mota bonita!

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E mais uma cota de 2000m no lombo!

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Aqui, a quase 2600m, chovia uma chuva molha tolos!
Mas descer valeu bem a pena!

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A estrada já estava quase totalmente seca e as curvas gritavam por nós!

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Descemos até Ordino, para desviar à esquerda e subir o Alto de Ordino nas vesperas dos escaladores de la Vuelta!

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Não podemos simplesmente resitir!
Paramos para gravar esta paisagem.

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E pronto!
Em quatro horas apenas percorremos as estradas de montanha mais importantes de Andorra, estando a mais de 2000m de altitude por 4 vezes e guardando o mitico Pas de la Casa para amanhã!
Agora era altura de ir vitaminar e conhecer o pior de Andorra!

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O pior de Andorra como se diz! Estas extensas zonas comerciais são o pulmão do principado. Nele podemos encontrar de tudo, ou quase tudo, a preços teoricamente convidativos.

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Este é centro de Andorra la Vella, onde cada edificio é um Hotel e cada armazem um centro comercial donde os desportos de inverno predominam. Mas para nós motociclistas também há muita oferta!

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Que o diga esta montra!
Pobre desgraçado que ficou sem a Vespa!
É o que eu digo!
Para um homem ter problemas na vida, basta ter uma mulher!

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Dois exemplos claros de que tambem existem motos para as mulheres…

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O Gran Valira!
Este tudo o que esta a volta deste rio é Andorra!

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Eu a vestir um casaco que teoricamente tinha roubado!
Como era Verão e saí de casa à pressa, não me lembrei de trazer um casaco ligeiro para um dia encoberto!
Entrei numa loja da Pull&Bear e comprei um casaco para o desenrasque:
-Tire-lhe as etiquetas e tal que levo-o já vestido- e a rapariga assim o fez.
Tirou tudo menos o alarme.
Paguei e apressei-me a sair, e à saida o alarme tocou, mas nunca pensei que fosse por minha culpa. Ninguém veio a correr atras de mim nem nada….
Só depois, mais tarde, já em Zaragoza é que reparei que o pin do alarme ainda ali estava posto.
Desloquei-me a uma loja da Pull&Bear com o Ticket e o funcionario prontamente retitrou o dito cujo!

Pirineus (parte 1)- La Trans-Pirinaica

Estar de ferias é muito chato.
Não ter hora para te levantar, para te deitar, fazer a comida sem o stress do relógio, programar os dias com calma, sem improviso e preocupações, namorar, oferecer flores à miúda, ver o mundo com outros olhos….
Tudo muito aborrecido!
É então que eu começo a sentir a nostalgia do Adagio para Cordas de Barber e o mundo verde e cheio de flores começa a ficar cinzento, sombrio e assustador!
Já me dispunha entregar o meu pescoço ao verdugo quando a Cavalgata das Valquirias começou a contaminar tudo com alegria e energia, e no horizonte aparece uma linda égua, toda ela negra, com a crina grisacea, de cavalgar imponente e majestoso, preparada para me salvar do verdugo:

-Acorda….
-Acorda!!!!
-Eu não sou a Dorothy, para de me puxar os cabelos!!!

Isto não se faz!
Precisamente naquele momento em que me dispunha a montar aquele belissimo animal a mulher atira-me da cama a baixo:

-O raio dos ciumes, pá!
-Que ciumes
– dizia enquanto tentava recolocar o couro cabeludo- Estavas a sonhar com o raio das motas e a puxar-me os cabelos!
-Qual mota, qual carapuça mulher! Era uma égua!
-Não quero saber nada disso. Quero é dormir descansada que não tarda, tenho que ir trabalhar. Infelizmente não tenho a sorte de estar de ferias!

Enquanto se deitava de novo no ninho, eu fui há casa de banho…
Espera lá!
Ela tem razão!
Eu estou de ferias!

Passadas duas horas ela baixa à cozinha e junto ao tabuleiro onde estava o seu pequeno almoço estava um bilhete que gritava:

FUI-ME EMBORA!
ESTOU DE FÉRIAS!
MAMO-TE (quando volte)!

P.s.:
Como tenho o curso na quinta e hoje é segunda….
Como estou de férias e não tenho nada para fazer…
Como deves estar chateada comigo por te ter puxado os cabelos, decidi ir dar uma voltinha, fazer alguma coisa e assim dar-te tempo de acalmar o fel!
Fui com a Dorothy!
Não te esqueças de dar uma vista de olhos na Dulcinea e na Maria todos os dias, ok!?
Dá de comer ao piriquito ok!?

P.s.2:
Nós não temos piriquito!

Preparar uma viagem em pouco mais de duas horas, durante a madrugada e influenciado pela sonolência pode resultar catastrófico, por isso revia mentalmente o que tinha posto nas laterais da Dorothy.
Por sorte estava tudo, desde a roupa, o fato de chuva, a bolsa de barbear,o mapa da península, a câmara e a tablet com os livros electrónicos.

1 Saida

Só ainda não sabia onde e como preencher o meu tempo, mas a placa da Autovia punha Huesca e por lá se vai para o Monrepos!
Para já era por lá que iriamos. Depois consultariamos o mapa!

2 Monrepos

Cá estamos!
A partir daqui a estrada, a pesar de estar em obras, é um manto de diversão. Vinte km de curvas rapidas que desenham vários ganchos com inclinações de medo!
Pouco a pouco começo a desenhar na minha cabeça o mapa da viagem.

3 Desvio

À direita do Monrepós, a norte da cidade de Huesca, ergue-se o maciço rochoso de Guara, desconhecido por mim, mas que pelo mapa tinha por lá umas estradas interessantes e umas paisagens que foram uma surpresa.
Outro detalhe interessante são as povoações, habitadas geralmente por pessoas idosas e cujo numero de habitantes por vezes não supera a dezena.

4 Policia Local

Paramos num deles, onde o “Policia Municipal” tratou de avisar os habitantes da presença do intruso!

5 Pueblo

Casas frias no verão e quentes no inverno….
A pedra destas casas, para alem da robustez, confere uma camuflagem natural. Este pequeno aglomerado, dificilmente se distinguiria visto desde um avião.

6 Rio Escarpado

Começamos a ganhar altura e o rio que nos acompanhava esforça-se por descer o monte, saltando de pedra em pedra.

7 Vale do rio

Neste caso, trata de desviar-se dos obstaculos, alguns deles com alguma tonelada de peso, mesmo que para isso tenha que passar forçosamente por debaixo deles.
Mas a estrada trata de nos deliciar com curvas e mais curvas….

8 Curvas 1

Paisagens e horizontes acidentados…

9 Paisagem

Onde a agua e a terra lutam com as suas armas para dificultar a vida um do outro, proporcionando espectaculos como este.

10 Queda de Agua

E no meio disto tudo há sempre quem se dispõe a desafiar as regras que a natureza nos impõe.

11 Alpinistas

Estes montanhistas, ou barraquistas (como dizem os aragoneses), dispõem-se a descer por esta garganta!

12 Altura

Enquanto disfrutava deste cenário, respirava este ar puro, pensava na miuda!
Como deve ter reagido com o meu bilhete?
Com que humor foi trabalhar?
Bem, não pensemos em problemas e coisas tristes!
Quando desperto deste pensamento vejo que havia uma CTX parada ao lado da Dorothy!
Admirando a mesma vista que eu, um senhor de 50 anos, fumando o seu cigarro cumprimenta-me com um timido “Hola!”.
Foi assim que conheci Enric, um montanhista catalão, que fazia pouco que tinha descoberto a melhor forma de viajar. Viajar de mota, para ele, foi um acto de liberdade, uma forma de expandir os seus horizontes sem ter limites!
Andava por ali, porque gosta de ver as paredes rochosas. Tinha estado em Jaca e traçou esta rota porque achou a estrada interessante:

-Não defraudou em absoluto!- disse.

A partir dali, fomos juntos, cada qual a seu ritmo, até Sos, onde paramos para vitaminar.

13 CTX e VFR

Depois decidimos fazer companhia um ao outro, programamos uma parada em Sort, e as que nos desse na vontade para tirar fotografias, fumar ou regar uma arvore.

14 Curvas 2

As curvas seriam mais divertidas e as paisagens mais bonitas!

14 Montanhas

A N260, que liga a costa catalã há costa vasca, atravessa os Pirineus de cabo a rabo, sendo conhecida como a “trans-pirinaica” e é adorada por motociclistas e ciclistas, pelo seu traçado e pelas cotas de altura que atinge!

15 Creu de Perves

A estrada, depois do alto de Creu de Perves, desce abruptamente, numa sequência de cotovelos e curvas lentas até chegar ao vale de Sort.
Dorothy ainda desafiava a CTX mas esta não era fã dos andamentos desportivos, começando logo a roçar com os deslizadores no asfalto.
De vez em quando escapavamo-nos de Enric e a sua CTX para a dose de curvas, mas, assim que parasse para fotografar ela passava por nós com ligeireza e elegância.

16 Bruxa de Ouro

Este sitio tem fama de trazer sorte!
Nesta pequena vila Pirinaica de Sort, está Administracion de Loterias del Estado “La Bruixa D’Or”, pode-se orgulhar de ter a fama e o record de ter distribuído o maior numero de “Gordos” da Loteria de Navidad. Num total 4 vezes, sem mencionar segundos, terceiros e quartos prémios, que totalizam varias dezenas de milhares de milhões de Euros e das antigas Pesetas!

17 Bruxo

Este senhor é o proprietario da Administracion e primou por ser uma pessoa simpatica, simples e humilde.

18 Sort

Deixamos Sort, subindo pela montanha, continuando pela N260 e o seu excelente traçado….

19 Vale de Sort

A tarde já tinha passado o seu equador e Enric dizia que me abandonaria en La Seu D’Ugell para rumar há cidade condal.

20 El Cantó

Esta foi a cota mis alta do dia, a 26km de La Seu. E que 26km de curvas….
A descida é impropria para cardiacos, com rampas de 12% quase sempre limitadas por cotovelos e curvas lentas que fazem aquecer os discos de travão em travagens prolongadas e mordazes.
Os pulsos já acusavam algum cansaço e o desconhecimento da estrada apelavam há precaução.
Uma vez chegados a La Seu D’Urgell, despedi-me da excelente companhia que foi Enric, trocamos dados para não perdermos o contacto e ficamos de nos encontrar em breve.
De La Seu D’Urgell eu apanharia direcção a Andorra la Vella em busca de uma cama onde descansar os ossos.

Uma Barrigada de Curvas

La em casa eramos cinco.
O Chico Galito, venenoso, provocador, capaz de derreter um cubo de gelo com o olhar e o tempo necessário para que este se derreta, contundente e inteligente, um verdadeiro diplomata politicamente incorrecto!
A Escrava Isaura (Bruxa nos momentos de carinho) um poço de ternura, atenta, preocupada, sempre disponivel, trabalhadora incansavel, paciente e com uma “talocha” que punha tudo em sentido.
O mais velho, olhos azuis penetrantes, bruto, feio, engenhoso, convencido e com um coração tão grande que muitas vezes não lhe cabia no peito.
O do meio, estudioso, amante das boas leituras, recortador-mor de jornais, politico, revolucionario, defensor de boas causas, trabalhador de andar traquina, uma rachadela na cabeça que pos fim à saga Mini cá em casa, carinhoso, sensivel, cabeludo e de confiaça.
O mais novo, traquina, inteligente,irreverente, dos que gosta de ver o circo pegar fogo, estratega impulsivo, comunicativo, imaginativo, copinho de leite, problematico com as mulheres, amante de todas as motas que ja existiram e hão-de existir, estudioso das motas, condutor das motas (principalmente), mecanico das motas, lavador das motas (e tudo mais terminado em Motas), para alem de provocador, venenoso e pensador.
Conseguem perceber agora porque é que, depois de conhecerem o meu componente familiar, me pode acontecer tudo e mais alguma coisa!?
Já agora, voces conhecem a Maria Amelia?
Maria Amelia foi a mota que o mais velho comprou quando soube que a Dorothy ia viver para a minha garagem. Mas foi sol de pouca dura, pois o mais velho não podia ficar atras do mais novo!
Na noite de Botorrita, os dois foram fazer as famosas curvas cuja povoação lhes dá nome e a frustração foi tão grande que ele se confessou:

-Tenho que ir buscar uma coisa dessas pá! Esta mota não me deixa curvar como eu quero!
– Já te disse que mudasses esse pneu dianteiro, o pneu esta triangular e é de uma marca diferente do traseiro. É normal que não te dê as sensações que procuras e por isso não tens confiança na mota.
-Não é nada disso pá! É a mota pá, vou muito recto, não é uma posição desportiva que te ajude a curvar…..

O tempo foi passando e o Verão chegou. Ou seja, tempo dos tótós andarem todos à solta…
E como o pessoal anda todo com a lua de ir curtir umas curvas de mota o mais velho encontra num stand uma belissima VFR800 V-Tech e sem exitar compra-a.
E é assim que chegamos aos dias de hoje, onde vos passo a contar como conheci a Gertrudes!

(Com isto já ganhei um empalamento (ou varios), dado que já escrevi mais de um paragrafo sobre uma barrigada de curvas.)

Como é normal por aqui em Aragão o dia começa pela manhã, com o nascer do sol mais ou menos entre as 6h e as 7 da manhã.
Ora hoje, Domingo, estava combinado os manos se encontrarem na primeira “gasolineira” da N330 em direcção a Huesca. O telemovel desperta-me ao som de um dos solos mais brutais de todos os tempos (Meastreted- Deep Purple), o que me faz acordar para a vida algo sobressaltado mas logo com a pica toda!
O sol, esse já era uma enorme laranja que se elevava no horizonte.
Depois do protocolo de despertar, beber o cafe, atirar-me pelas escadas abaixo e descer pelo elevador, a fazer o pino, até há garagem, finalmente encontro a Dorothy que trata de saudar com choque estatico!
Montados nela, motor quente, cavalos já com vontade de sair dali para fora, olho para o relogio que me alertava para a necessidade de me despachar.
Chegados ao ponto de encontro procuro uma VFR branca e nada!
Olho para o relogio 8:05….
Vou esperar 10min!
Bebi café, falei com o pessoal que estava tambem por lá para ir passear de mota, volto a olhar para o relogio e este gajo sem aparecer….
Telefono e nada!
Raios me partam lá o raio que o partiu em mil bocados com cimento cola!
O telefone toca e do outro lado oiço uma voz languida e atordoada:
-Estou….. Estou a sair de casa!
-Adormeceste seu morcão! Para a proxima vens tu a minha casa!
-O que é!?- disse tentando dissimular um bossejo- Eu já vou estou a sair de casa!

2 Dorothy e Gertrudes

Meia hora depois!
E ainda por cima sem tomar café!
-Agora temos que ir ligeirinhos, não é!?
-Se quieseres vais tu, mas a esta hora já os radares estão todos acordados, aqui na auto-via aconselho-te a teres cuidado!
-Então vá, vamos embora, vai há frente!

Era só o que faltava, marcar o caminho ao dominhoco.

2 Monrepos

Os 80km que separam as fotografia foi o suficiente para amainar o fel e agora já só pensava na descida de Monrepós, com os seus cotovelos vertiginosos durante uma boa vintena de km até chegar quase a Sabiñanigo. Depois começavamos a subir de novo para Jaca, onde desviariamos caminho em direcção ao “arame farpado” com a republica francesa.

3 Pirineus Jaca

Por ali estava o vale do Rio Aragon, onde se diz ter germinado o gene aragones…
Subiriamos por esse vale até ao principal objectivo do meu irmão, que era a estação de Canfranc, que se encontra abandonada desde há muito, mas que por si só, significa um periodo importante na historia industrial de Aragão, mas tambem pela sua arquitectura e o seu tamanho que a tornam quase tão colossal como as monatanhas que a rodeiam.

4 Canfranc

É, de facto, gigantesca e para ela se fala em planos de reabilitação e inculsivé de reactivação da linha ferroviaria…

5 Canfranc 2

Satisfeito o carpicho do mano velho, era hora de oferecer mais uma internacionalização há Dorothy.

6 França

A ideia consistiu em fazermos o enorme e aborrecido tunel de Somport, saindo do lado frances e depois voltando a Espanha pela estrada velha!
Foram 16 km de curvas e paisagens…

7 Montanha Ruiva

As paisagens esperam sempre por nós, assim como eu tinha que esperar pelo meu irmão, depois de argumentar que ainda se estava a adaptar há nova montada.

8 Montanhas

Aqui estão as meninas, depois de coroar os 1640m do Alto de Somport

9 Somport

Aproveitamos para beber uma cafezada e por as bocas em dia, para alem de planificar um bocadinho o final de manhã!

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Astun, estancia de sky….

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Um posto avançado do exercito espanhol, utilizado pelo destacamento de salvamento da Guardia Civil no inverno e cedido às instituições de protecção de menores como acampamento base para as ferias dos miudos mais carenciados.
Mas com uma paisagem assim, qualquer um vivia ali!

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Detras da Dorothy e da Gertrudes, as terras altas da Jacetania, um dos territorios de Aragon que menos conheço, mas donde se podem encontrar povoações singulares como Aisa.

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Povoações pequenas, mas com uma trama labirintica de ruelas e becos sem saida, que nos fizeram perder o norte e terminamos por sair de este por um caminho agricola, com atravesia de um leito de um ribeiro seco incluida.
Estava feito o baptismo da Gestrudes numa incursão pelo “todo terreno”.
Uma vez em Jaca, o objectivo era o grande Jabali, 35km de curvas cujas fotos jamais descrevem o prazer de as fazer. Por isso mesmo, não há fotos!
A cada curva o mundo e o horizonte mudavam de prespectiva, as vezes com um frenezim estonteante, Dorothy deixava no asfalto o seu binario, que me impulsionava para a frente, deixando para tras a Gertrudes e um condutor que, para alem de não conhecer a estrada, tinha um kit de unhas atrofiado pela idade.
Os anos e os km que fiz com ele já me davam confiança para estar tranquilo, que não se ia perder, e que não ira reclamar pelo ritmo imposto. A regra era simples. No proximo cruzamento espera-se pelo companheiro ou para que se volte a reunir o grupo.

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Neste caso foi ao final de este tunel, já em pleno vale do rio Gallego.
Paragem tecnica para contar impressões, recuperar o folego e beber algo fresco no bar que estava ali perto!

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O Vale do Rio Gallego é, nesta ocasião a porta de saida dos Pirineus, que nos devolve as planicies da Olla de Huesca, mas ainda tinhamos as ultimas curvas para fazer, que nos deixaram deslumbrados com estas paisagens!

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O Gallego e os Mallos de Riglos…
….algumas curvas mais tarde….

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E depois o “deserto”, um sem fim de campos secos, que mostravam ainda o restos da colheita do cereal numa planicie sem fim, percorrida por estradas secundarias que serpenteam pelo meios das povoações de caracter agricola.

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La atras os Pirineus, que tanto prazer deram em (re)visitar e nos protegeu do calor que agora nos asfixia!
Chegados a Zuera, a autovia foi o caminho mais rapido para chegar há Capital do Reino.
Ao final foram percorridos 400km dos quais mais de metade por estradas de montaña por sitios que eu aconselho a qualquer um de voces a visitar.
Quanto há Gertrudes, ela parece ter sido bem estimada, tem uma pintura singular e as jantes brancas dão-lhe un toque exclusivo, apesar de estarem condenadas a andarem sempre sujas!
Despois disto ficou a vontade de que ela seja uma companheira mais frequente e assidua, sempre que o dono se comprometa a levantar-se a tempo de não obrigar os demais a esperar por ele!

O Vale do Jalon!

O que é o Jalon!?
A resposta mais óbvia é:
O Jalon é um rio!
Certamente que muitos de vocês já fizeram a Nacional II (agora A2) que liga Madrid ao extremo nordeste da península.
Pois se é o caso, muitos de vocês já acompanharam o Rio Jalon em boa parte do seu trajecto, que vai desde que nasce em Esteras de Medinaceli até aliar-se ao Rio Ebro mais ou menos a 30km de Zaragoza!
Porque andar atrás de um rio?
É pá, sinceramente, vocês fazem cada pergunta!

Mas isto tudo tem um motivo!
Pois claro, o motivo é uma mulher…
Não será altura de me deixar de problemas?
Ora bem, acontece que a rapariga está a estudar e tem exames, e os exames fazem-se em Madrid, e o pessoal quer dar apoio moral, e a Dorothy quer fazer curvas!
Querem mais algum motivo?
Até foi fixe, porque ela foi de lagartixa veloz (AVE) e eu fui sozinho na Dorothy….

1 Mapa

E dou por mim a olhar para o mapa, a navegar mentalmente pelas estradas e tal, curvas e desfiladeiros, povos no meio do nada e castelos assombrados pelo Almanzor!
Pois! Esse gajo andou muito pelo vale do Jalon!
Só depois, depois de ter definido mentalmente por donde ia e por donde devia passar é que me dou conta de que estava a olhar para o mapa de França. Imaginem só se fosse mesmo o de Espanha!?
Chegou o dia, fui buscar a rapariga, e levei-a à estação.

2 Esatação

Pronto, já esta!
Mulher despachada e agora sou só eu e tu!

3 Enlaces

Dorothy explica-nos lá como é que vai ser!!!!
Prontos pessoal, a Dorothy é tímida, não é de muitas palavras.
A ideia era sair de Zaragoza pela Nacional II, a estrada antiga que atravessava a cidade de cabo a rabo, seguir a mesma pelo troços que não foram cortados pela Autovia A2, pois esta levar-nos-ia direitinho ao nascimento do Rio Jalon!
Esta é a Rotunda dos Enlaces onde “morre” a antiga Nacional. Em frente faremos o trajecto de saída da cidade até apanharmos a Autovia que nos levará a Almunia.

4 Barragem

Passamos Almunia de Doña Godina e apanhamos a Nacional antiga com um pré-aviso de que estrada estava cortada por obras.
“Naaahhh!!! Nos passamos, não é Dorothy! Uma mota passa em qualquer lugar!”
Pois, conforme confirma a fotografia, a estada esta literalmente cortada por um paredão de uma presa que estão a construir no leito de um riacho da zona!
Voltamos para trás!
Mas foi fixe, ao menos aprendemos que às vezes uma mota também não passa.
Na nossa procura pelos antigos retalhos da Nacional II, depois de passar o imponente alto da Perdiz, voltamos a abandonar a autovia para nos reencontrarmos com a Nacional e uma nova inscrição de estrada cortada.

5 NIIa

Por acaso, pelo aspecto da coisa, a estrada parecia abandonada, sem qualquer manutenção, e com poucas marcas de transito.

6 Caminho

Mas só quando o asfalto acabou é que nos rendemos há ideia de que o melhor era voltar para tras!
Mas prontos, íamos animados, porque o troço de Aluenda até Calatayud nós sabíamos que estava transitável.
Não queríamos acreditar que pelas obras na ponte que passa por encima da Autovia, não se podia fazer esse pedaço da Nacional II!
Pronto, lá saímos na saída de Calatayud para entrar definitivamente na velha estrada. Até Castilla y Leon não pisaríamos mais a Autovia.
E já agora, em Calatayud encontramo-nos com o Rio Jalon para o seguir até ao seu nascente!

6 Calatayud

Depois de Calatayud, Ateca!

7 Ateca

Ateca, para alem de ser importante marco do Caminho del Cid, tem umas quantas torres mudejar que tem a particularidade de nenhuma estar direita!
O “casco antigo” merece uma visita detalhada!

8 Bubierca

A Nacional II contorna os montes pelo vale do Rio Jalon, subindo o seu leito e ao longo do seu trajecto encontramos povoações que chamam há atenção!
Bubierca, com a sua igreja no alto obrigou-nos a parar!

9 Igreja de bubierca

Desde o alto, a vista é tremenda, avistamos o rio que contorna os montes, a velha nacional e ainda a linha ferroviária que outrora, antes do AVE aparecer, era de uma importancia vital.
Prontos Dorothy, vamos embora…

10 Rua de Bubierca

Mas!? E agora?

11 Beco de Bubierca

“Ó Mãe, lá na escola chamam-me cabeçudo!
Ó filho, corre atras deles e arreia-lhes!
Não posso!
Porquê filho!?
Eles metem-se sempre por ruelas estreitas!”

Tive que desmontar as laterais para passar.
Estamos sempre a aprender, mas que me ensinassem duas vezes no mesmo dia (em poucas horas) que uma mota não cabe em qualquer buraco era obra!

12 Alhama

Não foi tirada ao acaso!
Esta foto é precisamente um momento de transição.
Aqui acaba a montanha (temporariamente) e o vale ganha largura e planicie. Alhama de Aragon é uma estancia termal, com agua que ajudam a curar a problemas derivados do Reumatismo e um dos primeiros povos de Aragão ao entrar neste territorio. Um pouco mais há frente entraremos de novo na Autovia para numa quarentena de km, para a abandonarmos definitivamente até ao nascimento do Rio Jalon!
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É uma pena que este tremida, pois esta imagem tem um enquadramento espactacular.
De Somaen até Medinaceli, o Jalon é apertado por duas paredes de rocha, a Nacional II passa por cima deste varias vezes em poucos km.
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A estrada corta a rocha em varios pontos e outras vezes contorna os enormes rochedos, serpenteando de forma literal há medida que o terreno se impõe.
Era tempo de diversão, as curvas, uma estrada desabitada, um piso aceitavel e uma mota que adora curvas rapidas. Dá para adivinhar não dá!?
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Quando chegamos aqui já vinham os cavalos todos com a lingua de fora!
Este é o Arco de Medinaceli, tão milenar como a povoação em si.
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Foi construido pelos romanos, este arco representava entre outras coisas a fronteira administrativa entres as provincias romanas.
La no fundo, está o vale do Jalon onde este ganha corrente e força para atravessar grande parte do massiço Iberico até ao vale do Ebro!
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Medinaceli tem uma historia medieval importante, não fosse aqui que há registro da agonia do tirano Almanzor.
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Caminhar por entre as suas ruas a esta hora da manhã ainda é possivel, pois o calor ainda não é sufocante.
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Uma igreja de estilo romanico que outrora foi mesquita.
Foi aqui que Almanzor resistiu aos ferimentos da batalha de Calatañazor, mas a sorte não esteve do seu lado, acabando por secumbir, deixando o seu extenso imperio há deriva!
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Apesar de parecer, aqui não estavamos há deriva, estavamos há procura de fazer uma foto digna desta paisagem.
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E foi assim que nos despedimos de Medinaceli!
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E aqui está!
Uma nascente limpida e energica, aguas frecas que brotam da terra para descer até ao mediterranio via Ebro!
Aqui nasce o rio Jalon, responsavel por uma boa parte do cereal aragones, pelo engordar de quase toda a totalidade de fruta aragonesa, desde os melões até há uva dos vinhos do Campo de Borja!
Ao lado do seu leito, o Homem fez nascer povoações de diversa importancia, como Medinaceli, Arcos de Jalon, Alhama de Aragon, Ateca, Calatayud ou Epila!

23 Casa de Pedra

Mas como iamos de caminho há capital espanhola, a nossa curiosidade não ficou satisfeita e como o mapa de França pouco nos podia dizer sobre o que encontrar no caminho até Madrid, fizemos uso da nossa bagagem camionista para desencantar uma casa feita, ou melhor, escavada num duro e massiço rochedo na povoação de Alcolea del Pinar, situada a 1208m de altitude!

24 Placas

Um exemplo da determinação de uma pessoa, que acabou por obter um retorno institucional.
Agora, satisfeita a curiosidade e como não queriamos aturar uma autovia aburrecida e cheia de policia, desviamos caminho até outro sitio de reis, fadas, cavalheiros e donzelas!

25 Siguenza

Foi só um foto fugaz e outro pin no mapa (desta vez o de Espanha).
Singuenza é uma cidade medieval, cheia de Historia e de um explendor que ganhou uma visita detalhada!
Mas o pior de isto tudo são a estradas!
Cheias de curvas, de bom piso, paisagens de morrer, que tortura pessoal, até tenho sonhos com aquelas curvas…

26 Km 103

A estrada leva-nos à Autovia. Leva-nos a um ponto, o km 103, onde uma “Venta” resiste há passagem do tempo. Não é só um ponto de referencia para os Camionistas, é uma paragem quase obrigatória no caminho a Madrid, onde se come bem e se podem encontrar quase todos os serviços relacionados com o facto de se estar a viajar de um ponto para o outro!

27 Torija

Já tinha pouco tempo para ir buscar a “novia” a faculdade de Madrid (Complutense), mas ainda parei para fotografar o bonito castelo de Torija. Tenho pena mas Guadalajara, Alcalá e San Fernando terá que ficar para uma proxima.

28 Goya

Sabem quem é este!?
Um “cabezon” chamado Francisco de Goya!
Nada de especial, um tipo que pela sua obra me dá vontade de viver nos tempos em que viveu!
Querem saber para onde esta a olhar!?
Para aqui!

29 Prado

Este é o Museu Nacional do Prado, onde estão expostas obras de Dali, Goya, Velasquez, El Greco, entre outros!

31 Dorothy no Prado

E esta é a Dorothy, que foi testemunha de um fim de semana cultural que vivemos apartir do momento em que fiz esta foto..
Contaremos mais sobre Madrid no futuro, mas agora foi para tomar um banho de cultura em sitios onde não se pode fotografar, pelo que pouco podia adiantar que fosse relevante para este relato….

Lone Rider- Endless Road

Deixar uma mulher para trás é um passo duro, complicado, que deve ser ponderado e calculado ao ínfimo pormenor….
Mas eu não tenho esse problema, o meu problema é outro!
Já não se tratava dos alforges, nem do meu saco/mochila magnético, nem do lubrificante de corrente, mas agora tinha ganhado umas malas rígidas eu saco deposito Tank lock que funciona de “puta madre”!
Mas o meu coração estava encolhidinho, batia lento e choroso porque no fundo ia deixar pela primeira vez aquela que tantas alegrias me deu na garagem para ir com outra.
Deixa-la ali, sozinha, no escuro, doia tanto que ponderei há ultima da hora mudar tudo para os alforjes e por-me a monte nela.

Mas depois olhava para a outra e sentia aquela alegria e emoção de ir “desvergindar” a uma menina. Aquela tesão de principiante que traçou uma rota diferente e um plano que incluía milhares de revira-voltas antes de chegar a casa!

E então olhava para a terceira, que sorria envergonhada para mim e sugeria que se não me decidisse pelas “gordas”, que a levasse a ela!
E eu pensei:

“Ai! Dulcinea Dulcinea, o teu problema é a tua anorexia de motor!”
E foi assim, mergulhado nesse “trilema” que me afundei no adredon da cama!

O Tambor de Almanzor

1 utebo

Olá
Esta é Dorothy…
Encontrei-a abandonada e deprimida num stand e resolvi resgata-la para que ela participe na minha vida, nessa estrada sem fim!
Eu sou o Lone Rider, um gajo que só sabe andar só, porque por si só, já é má companhia.
Como podem ver, Dorothy esta apetrechada para uma viagem, 900km por um trajecto que é novidade na sua grande maioria. Quando montar nela vão ser dois dias de muitas curvas, fotos, sorriso e momentos de reflexão.
Endless Road é o meu lema, porque é a isso que me proponho, uma estrada interminável, repleta de curvas, aventuras e momentos emocionantes!
Abril, manhã fresca, com o sol a espreitar timidamente por entre uma neblina alta que cobria todo o Vale do Ebro.
A Banda Sonora para os primeiros km são os Stone River, com os seus Blues “langonhentos”, enquanto vou desenhando as primeiras curvas por uma estrada que atravessa os extensos e secos campos da Ribeira Alta do Ebro, até entrarmos no Campo de Borja. Á esquerda, o Rey Moncayo vigia as minhas trajectórias. Olhar para ele é perigoso, está engalanado com o seu manto de neve tardia e se o sol estivesse a descoberto, este manto brilhava com intensidade!
Tarazona é a ultima cidade Aragonesa e o principio de uma subida que nos levará ás terras numantinas.
Uma das coisas mais importantes que estas terras tem é uma nascente de aguas límpidas, que depois, pela sua corrente, pelos seus afluentes e pelo percurso que fazem, ganham um tom dourado. Tom esse, muito característico no inverno e que lhe deu o nome.

2 Duero

Aqui está ele, o Rio Douro, quando passa por Soria (Numancia na epoca romana).
A Capital de Província mais alta de Espanha é muito rica em história, mas não é essa a historia que vos quero contar hoje, mas não posso deixar de destacar este exemplo do românico!

3 Santo Domingo

Esta é a igreja de Santo Domingo, do seculo XI.
Depois de atravessar Soria, apanhamos direcção Valladolid, para chegar ao Sabinar de Calatañazor.
Mas primeiro abastecer a Dorothy no lugar de sempre.

4 Hostal Venta Nueva

Este é o, Hostal Venta Nueva e podemos encontra-lo no KM 185 da N122.
Este hostal é de propriedade de uma familia motard, pelo que o acolhimento para o pessoal das motas é previligiado, tendo direito à garagem e check in as 24h do dia. Basta telefonar com antecedencia. Não posso falar das comodidades porque nunca me hospedei, mas posso dizer que se come muito bem, barato e um atendimento muito simpatico. Fica a dica!

5 Calatañazor

Este povo é Calatañazor e é importantissimo na historia da Peninsula. O seu castelo, hoje parcialmente em ruínas, viu acontecer uma batalha entre os Cristãos e os Mouros, que mudou para sempre o rumo da historia da península.

6 Calatañazor 2

Apoiado num massiço rochoso as muralhas do castelo ainda hoje marcam os limites da povoação.

7 Calatañazor 3

Que aparenta estar abandonada. As casas são velhas, descuidadas, fieis aqueles tempos, donde se utilizavam o que se podia retirar dos bosques e das pedreiras para construir as casas.

9 Taverna

E aqui está Dorothy, descansando há porta da taberna.

10 Porche

Apesar de entrar habitado e vivo, o povo parece abandonado…

11 Almanzor

Segundo diz a lenda, com pouco suporte documental, por isso é meio lenda meio verdade, foi aqui que Almanzor perdeu o tambor. Ou seja, aqui sofreu um volte-face nas suas ambições militares.
Almanzor não era, nem rei, nem shiek, nem sultão, nem coisa que o valha. Era um ditador, que na politica e como funcionario foi bem sucedido, sabendo aproveitar as conspirações que ele mesmo tecia para acumular cargos e poderes. Depois casou-se com a filha do chefe do exercito da taifa del Al Andaluz e as bem sucedidas campanhas em Salamanca, Leon e Navarra, permitiram a Almanzor chegar ao auge da sua ditadura.
Em 1002, o grosso do seu exercito encontrava-se no castelo de Calatañazor e era perseguido pelos aliados cristãos, os exercitos de Castella, Leão e do (ainda) condado de Navarra.
Neste exercito, destacavam figuras importantes da historia desta peninsula, com o Rei Afonso IV de Castela e um dos seu subditos mais valentes, um tal de Cid, El Campeador.
Almazor pensou em enfrentar-se ao contingente cristão e este não disse que não….
Este foi o campo de batalha.

13 Campo de Batalha

Calatañazor (Julho do ano 1002)

– O luso foi importante em Salamanca- comentava enquanto mordia o lombo do coelho assado- esteve sempre ao nosso lado, e mesmo na hora do desaire o fio da sua espada estava sempre manchado de sangue mouro. Foi por isso que o senhor Cid o quis nas suas fileiras.
Olhava para os comensais sentados ha volta da fogueira e ha medida que o velho contava a suas historias revia na minha mente o sangue da minha espada, ouvia o gemer urfante de um mouro degolado por ela e via as chispas que saltavam das espadas encontradas. Levavamos uma campanha desastrosa, muitos pereceram, campos queimados, mulheres feitas escravas a encaminhadas aos harens dos infieis, para não falar da desmoralização das tropas.
– Hey, amigo Luso!- pergunta um terceiro comensal- De donde vens!?
– Da serra da Estela, donde vive o meu povo.
– E isso donde fica!?
– A uma semana daqui a cavalo na direcção do poente, uma montanha de granito donde se veem as estrelas de todo o ceu que nos cobre. Éra dominio da minha tribu, os Lusitanos, tribo pacifica e de pastores, mas os Mouros invadiram os terrenos da serra, mataram os rebanhos e expoliaram mulheres e crianças….
– E sendo tu pastor, como aprendeste a manejar a espada dessa forma?
– É o senhor que toma conta do meu braço!- e uma gargalhada contagiosa se propaga pelos comensais. Um corpo grande que se aproxima ao fogo faz o silencio vencer a folia. Todos baixam a cabeça em sinal de respeito.
-Martinez, Vascon e Luso, mañana a alvorada na minha tenda, o resto a descansar, que amanhã será um dia grande.
Enrosquei-me na manta de pele de cabra num misto de nervosismo e ansiedade, sabia que quando o sol se levantasse que seria tempo de empunhar a espada contra o povo que fez escravo o meu.
O sol pintava o ceu de laranja e fazia as arvores pareceram fantasmas, desenhando sombras gigantescas nos prados secos. Ao fundo o Castelo de Calatañazor, ponto estrategico e que deveria ser tomado por nós se quisessemos abrir caminho para sul! Apesar de ainda ser muito cedo, uma boa parte dos homens já estavam acordados, e eu acabava de reunir-me com Vascon e Martinez para irmos ao encontro de nosso senhor. Rodrigo Diaz de Vivar (Cid Campeador) destacou-se pela sua valentia e pela leitura que tem no momento da batalha. É homem de confiança do Rei e este confia-lhe as missões mais arriscadas. Naquela breve reunião em que participou o Rei Afonso IV foi-nos confiado liderar as negociações.
Tive a oportunidade de olhar para os olhos do homem que mandou destruir o meu povo, embora que não lhe dirigisse palavra.
As condições foram sumamente negadas pelo que a comitiva foi obrigada a retirar-se mantendo uma postura defensiva.
– Os mouros querem que se derrame sangue Magestade!- disse Cid a Afonso.
-Assim seja! Que Deus tenha piedade de todos!- e virando-se para a os seus chefes de coluna- Senhores! Todos ouviram o que disse Cid? Estes infieis que queimam os nossos cultivos, nos desonram as nossas mulheres, que matam os filhos do nosso povo, dizem que este é o seu sitio, que não se retiram, que o seu Alá está do seu lado!
Vamos ter que, com a ajuda de Deus, mostrar que aqui não é a sua patria e que devem pagar pelos seus crimes e pecados. Reuni os vossos homens, montai nos vossos cavalos, formais as colunas e preparai-vos para um dia de gloria. Hoje tomaremos aquele castelo, vingaremos os desaire de Salamanca, Leon e Uncastillo! Mandemos para o fogo do inferno a esse infiel que se da pelo nome de Almanzor!
Não foi necessario muito para se começar a perfilar uma grossa coluna de homens a pé, armados de lanças,bestas, arcos e espadas, tendo como direcção o castelo de Calatañazor!
No sopé do maciço rochoso donde assentavam as suas muralhas, um manto de branco vivo se começou a perfilar. Via-se os trurvantes e os cintos de couro onde brilhavam as espadas em forma de meia lua..
Nos flancos a cavalaria tomava posições.
Eu, o meu senhor Cid, juntamente com a sua coluna estavamos a preparar um assalto ao castelo, pelo que desviamos caminho pelos bosques. Ali tinhamos que permanecer para lançar o derradeiro assalto, quando já não fosse possivel o apoio da infantaria moura em caso de fracasso ao assalto.
Pudemos assim ser espectadores do que se passava no campo de batalha, de ouvir o proprio Almazor dizer:
-Ala é grande! Se chegar a nossa hora sabera acolher-nos no seu harem e brindar-nos com as suas mais belas virgens! Mas não serão os infieis aqueles que hão-de impor a sua vontade nas nossas terras! Por Alá!

E com este grito, a cavalaria começa o seu galope de encontro ha infantaria cristã, de espadas em alto e gritando: “Alá é grande! Por Alá!”
Do outro lado os arqueiros lançam as primeiras vagas de flechas, muitas delas encendiarias, e a cada vaga, se veem corpos caindo ao chão, espezinhados pelos cavalos em panico pelo fogo, enquanto o vento aviva as chamas da palha seca pelo verão. Mas os cavaleiros entram nas linhas e logo de seguida se ouve o confronto das espadas, os gritos dos feridos. Enquantos os cavalos abriam brecha nas defesas cristãs a infantaria de Almanzor já preparava a entrada em acção, quando no lado norte do bosque sai do abrigo das arvores a cavalaria de castela, aproveitando o desnivel para ganhar velocidade e atacar um dos flancos do grosso do contingente muçulmano. Estes tentaram manter a sua formação para repelir o ataque, mas virulencia do mesmo se parou as forças pela metade.
-Senhores- dizia Cid- Preparai-vos! Que Deus nos ajude e nos perdoe pelos nossos pecados!- e desenbainhando a sua espada indica a direcção do castelo. A ideia era encontrar o Castelo desguarnecido, entrar e eliminar as forças que estevissem no seu interior. Depois, lançar uma vaga nas costas do inimigo para tentar dispersa-lo ou elimina-lo.
Enquanto no vale o som do ferro encontrado fazia termos uma sensação do feroz que era a batalha, no nosso campo visual já podiamos ver a porta do Castelo e os torreões que a guardavam. Não seria facil entrar, mas mesmo assim prestavamo-nos a tentar!
Vascon levava consigo 20 arqueiros que nos serviriam de apoio para tentar entrar no castelo.
E foi assim, ao vermos que o mesmo se encontrava desguarnecido irrompemos do nada e com ganchos subimos a muralha na sua vertente mais baixa, abrindo as portas para que a cavalaria entrasse. Fui dos primeiros a entrar e encontrei-me de imediato com uma lança que pude esquivar, desferindo um golpe no antebraço de quem me apontava com ela. Das meãs choviam setas, mas ao terem que dar a volta os mouros deixaram as suas costas descobertas e Vascon e seus homens, desde fora do castelo podiam fazer tiro há vontade. Em poucos minutos, haviam cadaveres no chão, pendurados nas meãs e sangue manchando cada pedra do castelo.
-Vamos Senhores, vamos pregar uma surpresa ao tirano Almazor!- dizia Cid limpando a sua cara manchada de sangue- Vascon, da-nos apoio e assegura o castelo!
E os cavalos sairam do castelo de doi em dois,primeiro a trote e depois em espaço aberto a galope, atacando a retaguarda da infantaria infiel!
Aqueles que tiveram tempo de olhar para tras, plasmaram a sua incredibilidade nos seus rostos, há media que as laminas lhes cortavam braços e cabeça, que os cavalos os derrubavam e os espezinhavam!
Ao fim de uns minutos as forças começaram a disperçar-se e a fugir, a vitoria era nossa!
Almanzor, por fim tinha sido derrotado e o castelo de Calatañazor abria agora o caminho para sul!!

12 Torre de Menagem

A torre de Menagem, foi uma preveligiada testemunha do que ali se passou há 1000 anos atras. Diz a historia que Almanzor foi ferido na batalha e terminaria por morrer em Medinacelli meses depois.
Mas Calatañazor tem mais!
Tem paisagem e curvas!

14 Paisagem de Calatañazor

A N122 desce pelo mesmo promontorio do Castelo, pelo que as vistas são invejaveis.

15 Curva de Calatañazor 1

E se desce, podem haver curvas!
Neste caso, ganchos!

16 Curva de Calatañazor 2

Ganchos, daqueles de inclinações de medo!

17 Curvas de Calatañazor 3

Seis no total, até chegar lá baixo e ter um sorriso de orelha a orelha.

18 Curvas de Calatañazor 4

Mas prontos, sigamos o nosso caminho, pois em breve passaremos pela cidade de Osma.

18 Castelo de Osma

Em tempos foi de muita relevancia religiosa e hoje o seu patrimonio, como a sua catedral, revelam o quão importante foi.

19 Castelo de Osma

Mas as ruinas do Castelo, não deixam esquecer que no seu momento foi um posto fronteiriço importante!
Mas a estrada chamava por nós, para nos levar de novo ao encontro do Douro….

Haza e Peñafiel

20 Subida de Haza

Olhem bem para esta foto!
Estamos a 910m de altura, a Estrada Nacional 122 passa ali, algures no meio dos campos de trigo verde e de ela deriva uma estrada serpenteante que sobe a vertente sul do vale do Douro para nos levar a Haza!

21 Torre de Menagem de Haza

Haza foi uma vila fortificada que no sec X e XI ganhou importância estratégica, mas que depois foi sendo esquecida há medida de que o tempo passou.
Do castelo sobra uma parte da muralha, assim como a Torre de Menagem que foi residência do senhor das terras de Haza até a abolição do sistema feudal espanhol.

22 Dorothy em Haza

Aqui temos o que melhor tem o povo para nos oferecer.
Paisagens e ar puro.
Lá no fundo, no meio do arvoredo corre o Rio Riaza, cujo nome deriva do nome de Haza (Rio+Haza=Riaza).
Actualmente Haza conta com apenas 26 habitantes e a agricultura é a sua principal actividade economica. Contudo convido a visitar porque tem aspecto de povo abandonado…

23 Igreja de Haza

A Igreja de Santa Maria foi o ultimo que vimos de Haza, donde o negro de Dorothy contrastou com o rustico da “piedra caliza”!
Depois de descer e retomarmos a N122, o seguinte seria Aranda, sede de Ducado, mas que não nos interessava visitar.
Na mente estava o Castelo do Mestre da Ordem de Calatrava!

24 Peñafiel

Peñafiel, ou então, Loyal Rock em ingles, ganhou este nome precisamente na reconquista.
Como posto fronteiriço foi conquistada e reconquistada sucessivamente por ambos bandos, sendo que o seu castelo sofreu constantes remodelações e demolições….

25 Entrada

Esta é a entrada principal, no seu lado oriental, depois de deliciar-nos com uma ascensão recheada de curvas e bom piso.

26 Curvas de peñafiel

O Castelo ganhou forma definitiva e manteve-se assim até hoje em parte porque passou a ser residencia habitual da familia Quiron, quando Pedro de Quiron, Cavaleiro Mestre da Ordem de Calatrava o adquiriu.

27 Peñafiel Povo

Esta é Peñafiel nos dias de hoje, cidade importante no que se refere aos Grandes Vinhos da Zona Demarcada de Ribera del Duero.

28 Torre de Menagem

A torre de menagem de um castelo que tem uma forma muito peculiar, que o torna unico.

29 Traseira

Este castelo foi construido sobre uma “crista rochosa”, adoptando a sua forma, pelo que este parece um barco, encalhado no cimo de um morro.

30 Armadura

Acreditem!
Esta armadura, piscou-me o olho!
Olhem fixamente e verão que sim!

31 Armadura

Claro que, se o fizerem, esta segunda ficara ciumenta e correrá atras de vocês empunhando a sua espada!

32 vistas

La no alto, no cimo da Torre tiramos esta foto há parte norte de Peñafiel, donde podem ver tambem o telhado das novas Caves Broto, com a forma de uva e projectada por um arquiteto famoso que já não me lembro quem foi. A melhor parte foi de que cortei o telhado propositadamente. Digamos que lhe roubei uma vaga!

33 Vista 1

Olhamos a ocidente e vemos a estrada que nos levara dali para fora!

34 Proa

Depois de descer, já no final da visita, descemos as masmorras, ou o que resta delas…

35 Calabouços

Por aqui se entrava!
Que medo!
Depois da visita, Dorothy desvia caminho por Cuellar, abandonando definitivamente o vale do Douro. A estrada plana não nos oferece nada de especial para alem de um paisagem eminentemente agricola, salpicado por um ou otro pinhal.
Mas quando chegamos a Medina do Campo a sorpresa compensou o caminho.

36 La Mota

Não fiz, nem quero fazer, nenhuma pesquisa sobre esta fortaleza.
Chama-se o Castelo da Mota e em breve irei la vasculhar a coisa.
Mais uma vez Dorothy manda no caminho e a estrada a seguir levar-nos-ia pelos imensos campos de cultivo de Castilla y Leon, onde serpenteamos de forma rapida pelo asfalto de primeira qualidade.

Salamanca e Las Madras (hostal)

Depois de um abastecimento em Alaejos, Dorothy sugeriu a N620 que embora fosse quase sempre paralela há moderna Autovia A62, permitia toadas mais tranquilas, quase sempre abaixo dos 200km/h!
Ao chegarmos às imediações de Salamanca decidimos ir rever uma praça Patrimonio da Humanidade.

37 Plaza Mayor

Como o Sol a aquecer o pessoal saiu todo há rua.
E eu comi um gelado….

38 EStrada

Em Salamanca olhamos para o mapa. Dorothy queria curvas e montanha, e eu estava tentado em comer um “prato de entulho” feito pela minha mãe.
Dorothy ganhou e desviamos caminho para sul, em direcção há Serra de Francia.
A estrada perdeu largura, o horizonte estava agora mesmo diante do nosso nariz, curva apos curva, sentiamos que nos iamos isolando cada vez mais do mundo.

39 Dorothy e a Estrada

Os promontorios permiatim isto, fotografias aos vales e as estradas pelas quais iamos transitar depois de um sem numero de curvas.
Tudo isto para chegar a Las Madras, um pequeno hostal situado num pequeno lugar no meio dos montes….
Longe de tudo, no meio de nada donde as curvas são uma delicia.

39 Las Madras

Calor, vontade de tomar um banho, cansado mas curioso por ver e conhecer melhor tudo o que me rodeia.

40 Arvore

Esta era a vista do meu quarto, depois de um banho que ajudou a retemperar as forças.
Vestimos algo fresco e saimos há rua de Camara em punho.

41 Povi

Depois de imortalizar estas construções tipicas, sentamo-nos há mesa para um jantar e fomos falar com a Blanca e a sua irmã gemea!

Peña de Francia e Estrela

A noite foi muito boa para repor energias, o sol já se estava a levantar, hoje era dia de dar um beijo na minha mãe.
Mas o primeiro que fiz foi abrir a janela e espreitar lá para fora, para constatar que Dorothy ainda dormia, serena e calma.
Hoje era dia de curvas, milhares de curvas, de revisitar sitios já esquecidos pelas correrias na A25. Hoje era dia de uma estrada sem fim (endless road) com quotas de altura, neve, castelos e muito granito…

41 Objectivo

O pequeno almoço foi suficiente para ter fome de curvas, pouco passadas as 7h da manhã! E, até chegar lá ao alto, tinha mais de 35km atafulhados de ganchos, curvas, curvinhas e curvões. Todos elas com a sua trajectoria que Dorothy desenhou sem protesto.

42 Capilla de la Bianca

E pronto!
Já cá estamos!
Esta é a Capela da Bianca, la no alto, na Peña de Francia a 1700 metros de alto.

43 Santuario

Este é o Santuario.
Segundo reza a historia, Nossa Senhora andou por aqui e deixou-se ver a um pastor….

44 Paisagem 1

Mas aqui o mais importante são as paisagens….
Ali, algures no horizonte, está Salamanca.

45 Paisagem 2

Deste lado, para alem de se poderem ver as curvas de ascensão, está Ciudad Rodrigo, algures, lá no horizonte!

46 Paisagem 3

Quando cheguei ali, descobri que por aqui passa um dos caminhos ibericos de pregrinação a Santiago de Compostela.
Esta imagem do caminhante subindo a encosta abrupta, simboliza em parte os sacrificios que se fazem para se chegar a uma meta. Ou melhor ainda, das reflexões que essas metas provocam, das vezes que te encontras com a tua propria realidade, os teus problemas e as tuas frustrações….

47 Santuario

Era hora de partir, depois da oração, depois da reflexão e meditação, era hora de retornar ao caminho da vida.
E foram as curvas que me fizeram sentir que a vida pode dar muitas voltas mas segue sempre no mesmo sentido….
Em frente!

48 Paisagem 5

Lá no fundo, não muito longe erguesse o maciço de granito mais alto de Portugal.
É para lá que nos dirigimos!

49 Santuario no alto

Olhamos para tras, suplicamos pela protecção, montamos, engrenamos primeira e aqui vamos nós!
Pela frente mais curvas, uma descida interminavel com ganchos seguidos, um detras do outro, pendurados na encosta até ao riacho que a medida que baixava em altura ganhava corrente e caudal.
Quando por fim entramos na Extremadura. As estradas, como que por magia, ganharam 4m de largura de faixa, curvas rapidas e “rectas serpenteantes”.
Avivamos o ritmo a Dorothy, que disponobilizava cavalos a cada acelaração, provando que estava no seu ambiente favorito. Uma estrada rapida de bom asfalto, alias as melhores estradas da peninsula estão aqui, na comunidade de Extremadura.
Mas foi sol de pouca dura, pois voltamos de novo a Castilla Y Leon,onde a estrada continuava larga, mas com um piso de qualidade duvidosa.

50 Portugal

Mas era isto que estavamos há procura!
Para Dorothy era a sua segunda internacionalização, para mim….
Para mim era a primeira vez em que entrava em Portugal na condição (descarada) de emigrante.

52 Sabugal

Sabugal!
Mais um castelo para visitar com tempo.

53 Sabugal 2

Agora a N 232, por conselho expresso do Sergio!

54 Calhaus

Este massiço rochoso já la esteve bem enterrado no subsolo, mas como nada neste mundo é estatico, a natureza fez com que estes blocos subissem de novo há superficie para os torturar numa lenta e desgastante erosão.

51 Carvalho

E a visa é teimosa, renovando-se a cada dia.
Prova disto é este Castanheiro, secular, protegido mas, acima de tudo, que teima em manter-se vivo.
Mas a N232 estava há nossa espera, e quando nela entramos começamos a subir, curva apos curva, num piso de primeira qualidade, com a estrada sem transito e Dorothy desbocada a deitar cá para fora toda a cavalaria.
Depois de Manteigas o ritmo baixou, estavamos a entrar no Vale Glaciar, mas queriamos primeiro ir ao Poço, o Poço do Inferno…

55 Poço do Inferno

Depois voltamos para tras…

56 Caminho

Dorthy perfeitamente integrada na paisagem granitica…

57 Regato

Por entre as pedras, revestidas com uma fina camada de musgo, brotam fios de agua, que se vão juntando naquele que depois se trasnformara no maior afluente do Rio Tejo.

58 Ribeiro

Aqui, na Serra da Estrela, nascem os dois maiores rios que tem o seu percurso exclusivamente em solo portugues.
Na longa subida que é a estrada que vai de Manteigas há Torre é perfeitamente perceptivel estes “fios de prata” deslizando pelo granito, o que faz que nos detenhamos no caminho para ver um espectaculo unico.

59 Montanha

Ali algures detras destas rochas, está a nascente do Mondego, que terei a oportunidade de cruzar mais adiante!

60 Vale Glaciar

Já quase no cimo, fazemos um alto no caminho para admirar esta perspectiva do Vale Glaciar.
Valeu bem a pena!

61 Curvas

As ultimas curvas antes de chegar há torre…

62 Torre

La no fundo, bem lá ou fundo, olhando para ocidente, via de forma tenue uma fumaça, uma fumaça com um odor que me era familiar….
Aquele odor de carne e chouriça a ferver num caldo de lugumes, atulhado de couve e feijão e que fervia lentamente no fogo da cozinha da minha mãe!
Altamente!
A minha mãe esta a fazer sopa!
Bora lá!

Daqui o caminhho mais rapido era….
Espera lá!
Qual caminho mais rapido!?
Daqui o caminho com mais curvas até casa era em direcção a Seia e depois seguir o Alba até há Ponte das Tres Entradas, Tabua, Mortagua, Luso e finalmente Mealhada!
Até Seia, impulsionado pelo cheirinho da sopa da minha mãe, a descida foi vertiginosa, com o joelho e ponta das botas a roçar de forma tenue no chão em algumas curvas.
Depois de Seia o Alba fez-me tranquilizar, pois ofereceu-me paisagens explendidas.

63 Rio Alba

Tudo isto até chegar a Ponte das Tres Entradas!

64 Ponte das tres entradas

Daqui até casa foi um pequeno lapso de tempo, que me sentenciou o pneu traseiro e que me fez chegar a tempo de ir almoçar um prato de sopa cheia de entulho!

Aragão por Lone Rider- As Cinco Villas

Se o maior problema do homem é a sua mulher, o maior problema de um motard é uma mulher que lhe diga o que tem que fazer e como o tem que fazer!
Durante a semana previa aos dias santos de Pascoa, o whatsapp fervilhava de ideias de como passar esses dias previos ha uma viagem….

-Podiamos estar em casa, fazer umas comidas saudaveis, beber uma garrafinha de verde e há noite saimos a ver as procissões!
-Nem pensar! Estou farta de estar em casa!
Vais fazer o que eu te digo porque eu é que sei!
Vamos ver as Cinco villas!
Tauste, Sadaba, Ejea de los Caballeros, Sos del Rey Catolico e Uncastillo!

-Mas….

-Nem mas, nem meio mas. Não queres “rodar-me” para depois irmos a Portugal?
– As Cinco Villas é bonito e tem um trajecto interessante.

Quando eu vi o mapa fiquei convencido e depois o San Google terminou com as minhas duvidas.
E foi assim que a “miuda” impos a sua vontade.

Quinta feira santa, feriado em Espanhã, sol a brilhar e o Cierzo que nos dava descanso depois de toda a semana a soprar forte e frio.
Dorothy marcava no campo seco, depois das cheias do Ebro, a sua sombra e a de dois corpos agarrados a ela. Ao lado direito as varandas do Ebro, do outro lado o Ebro….
O destino era ver mais uma das torres Mudejar desta vez a de Tauste!

1 Tauste

Tauste era uma praça forte moçulmana até há chegada dos Cristãos em 1105 debaixo do comando de Alfonso I o Batalhador.
Esta igreja, agora consagrada a Santo Antão, foi mandada edificar por ele.
Tauste tem um centro urbano acidentado, labirintico e com marcas das varias fases da historia.

2 Tauste 2

Mas o principal objectivo de hoje é outro, pelo que voltaremos mais tarde para descobrir Tauste!
Já alguem ouviu falar da Nobreza Baturra!?

3 Baturros

Pois bem….
Esta menina, quis que lhe fizesse esta foto, evocando as “Jotas” e o sei baile caracteristico.

A estrada chama por nós.
Para tras deixamos o Rei Moncayo e o seu manto de neve e atravessamos todo o campo de Tauste até há bonita vila de Ejea de los Caballeros, donde Jaime I instituiu a figura de “Justicia Mayor de Aragon”. Uma especie de Tribunal Supremo de hoje, que tinha por função resolver os pleitos que surgissem entre a Coroa e Familia Real e os Nobres do reino.
Mas antes tinha la estado outra vez o Batalhador, como o proprio nome indica, fartou-se de dar há espada!
Foi isso e construir igrejas como esta, a de Santa Maria, edificada em mil cento e trocó passo….

4 Ejea de los Caballeros

Como podem calcular Alfonso I o Batalhador, foi o principal cristianizador da comarca, no seu caminho até Sara Custa (Zaragoza), a Capital do Reino!

5 Portico

O pórtico de estilo românico da Igreja de Santa Maria.

6 Ejea de los Caballeros

E esta é a de San Juan, do sec XIII, donde Dorothy se deixou fotografar junto ao seu portico.

7 Ejjea de los Caballeros 4

Sair de Ejea, olhar para o horizonte e ver os grandes maciços rochosos dos Pirineus, que se erguem no horizonte deixando para trás a planície.
As curvas, primeiro rápidas e depois cada vez mais lentas e técnicas, vão fazendo adivinhar o que nos reserva o passeio!
Ao contrario do “Ai! Ai! Ai!” das primeiras curvas (de ha quase um ano atrás) Carolina a cada curva deixa deslizar um “uuuuuuuuiiiiiiiii!” a cada curva, logo seguido de uma gargalhada cargada de adrenalina!

Sadaba e Sos del Rey Catolico

8 Sabada

Desde o promontório avistamos o Castelo de Sadaba….

9 Castillo de Sabada

Num estado de conservação perfeito, este castelo foi outrora linha avançada de Alfonso I o Batalhador. Assentado numa enorme rocha, com a sua forma quadrada este dominava todo o vale.
Pode-se entrar, mediante pago de uma quantia simbolica e deve de ser bastante interessante.

10 Moncayo

Se virarmos costas ao Castelo, e apesar da antena destruir parte da imagem, temos uma visão do Monacayo e o seu manto de neve. Manto este que, para principios de Abril, faz concluir que inverno foi rigoroso e frio.

11 Lateral do castelo

Demos a volta ao castelo para descubrir toda a sua imponencia.
O seu interior, esse podeis descubri-lo vós mesmos. Que tudo seja para vos abrir o apetite de visitar estas paragens!

12 Sabada Povo

Assim como o interior do Castelo, Sabada merece uma visita ao seu sentro historico!

13 Sabada rua

Não é muito dificil encontrar aqui edificios datados do sec XVII ou XVIII.

14 Casa Consitorial

A Casa Consistorial (Camara Municipal) e a Catedral ao lado que tinha a torre do campanario em obras de restauração e conservação!

15 Portigo Gotico

Mas o Portico Gotico, datado do sec XIII, mereceu uma foto.

16 Pormenor Falico

Repare-se no detalhe (falico) das portas da mesma!

Entre Sadaba e Sos está Castilliscar, povo isolado e simples mas que despertou a nossa curiosidade.

17 Portico de Castilliscar

Adoro a arquitectura gotica.

Hoje dia 22 de Março de 1479 de Nosso Senhor venho aqui contar os dias mais gloriosos da minha vida…
Tudo aconteceu quando El Rei D. Afonso V me encomendou a mais ousada façanha da minha vida ao destinar-me a Alfort, no reino da Áustria, para participar nos jogos que o senhor Wassler organizava. A vontade do Senhor meu Rei era de representar o seu reinado e a Ordem dos Cavaleiros da Cruz de Cristo, para alem de contar de primeira mão a todos as grandes empresas do Rei na descoberta do novo mundo e do caminho marítimo para as índias.
Como Monge e Cavaleiro da Ordem da Cruz de Cristo, dispus-me a viajar de imediato, levando comigo a minha inseparável e sempre obediente égua, um puro sangue lusitano de seu nome Doroteia.
Alfort era uma praça forte, com uma disposição no cume de um rochedo, todo ele amuralhado que protegia a casa do seu senhor, a igreja e parte da povoação que lhe dava nome há fortaleza. Nela já se acumulavam todo tipo de comerciantes, saltimbancos e as delegações dos diferentes reinados que acudiam os jogos.
Numa praça central, muito próximo do palácio do Senhor daquelas terras, estava há vista de todos um chapéu, de tecido e feitura nobres, vigiado por dois guardas e que era sinal de respeito ao Senhor daquelas terras. Todo aquele que passasse perante ele devia prostra-se ante ele em sinal de respeito ao senhor daquelas terras.
Infelizmente não era consciente de tal lei e ao vê-lo, desde o alto da minha montada, nada fiz, provocando assim a ira dos guardas e o meu consequente cativeiro nas masmorras da fortaleza. Foram-me retiradas as credenciais, a espada e a minha égua, atirado para uma masmorra fétida donde os ratos andavam há sua vontade. Em frente ouvia uma voz de criança que conversava com alguém, com uma voz entre-cortada pelo desespero e o medo.
Como pode ser que ponham uma criança num local como este? Que terá feito?
Ajoelhei-me perante a parede da masmorra e nas minhas preces ao Pai Todo Poderoso, pedi que velasse pela alma de tão atormentada criança.
Acordei com o abrir da pesada porta de ferros da masmorra, os guardas levaram-me para uns aposentos onde tinha há minha disposição todas as minha pertenças, assim como a minha espada. Lavei-me, vesti a minha túnica e tratei de comer algumas das frutas que me foram levadas. Dispunha-me para as orações de matines quando alguém pede autorização para entrar:

-Hola! Soy el Caballero de la Ordem del Hospital Fernando de Osma, hablais la lengua del Rey de Castilla?
-Aquí Irmão Cavaleiro, só se fala a língua do reino de Portugal. No entanto consigo entender-vos se falais com calma. Alegro-me pela sua presença aqui, sinal de que Deus não nos abandonou, pois a minha chegada aqui foi um quando acidentada – e fazendo-lhe uma vénia com a minha espada- Eu sou Cavaleiro da Ordem da Cruz de Cristo, Rui, Senhor das Terras do Valdoeiro!

Vinha a mando do Senhor Wassler que apresentava formalmente as suas desculpas pela atitude grosseira dos seus guardas, convidando-me para o banquete que dava inicio aos jogos. Os meus votos não me permitiam a participação em tal evento, contudo aceitei com o objectivo de conhecer de perto os meus possíveis adversários nos jogos.
Fernando de Osma tinha uma personalidade afável e mostrava-se preocupado pelo meu bem estar. Perguntou-me pela viagem e por noticias do reino e explicou-me o porque de atitude tão dura perante a minha chegada. Existiam rumores que ganhavam força sobre uma possível rebelião e poucos dias antes tinham sido presos pai e filho por não mostrar sinal de obediência ao senhor das terras. Ao que parece, em sinal de mesericordia o Senhor Wassler desafiou Tell, Guilherme de nome. Tell tem fama de ter uma pontaria e um manuseamento da besta como ninguém, pelo que o Senhor destas terras disse-lhe que se acerta numa maçã que lhe concederá a liberdade a ambos, pai e filho.

O banquete oferecido foi toda uma demonstração do poderio do Senhor daquelas terras, havia porcos e vacas inteiras em cima de braseiros, bebia-se uma fermentação de cevada de sabor agrido, muito longe dos aveludados vinhos das minhas terras, mas ao que parecer os bávaros adoravam.
Aproveitei para degustar as carnes secas e as compotas de frutos da zona, assim como pedi gentilmente que me cedessem para viagem de volta e fazer um obséquio ao meu Senhor El Rei Afonso V.
Quando o sol se levantou, o castelo estava imerso numa neblina matinal densa e fria. Na praça estava montado o palco de personalidades, tinha chegado a hora de Tell cumprir com o seu desafio.
Em poucos instantes as praça encheu-se de gentes, assim como de todos os participantes dos jogos, Guilherme e seu filho foram dispostos em lados opostos da praça:

– Meus súbditos, viemos todos aqui hoje para ver que eu, como vosso Senhor e Senhor das Terras que vos dá o pão, que sou bondoso e que não condeno sumariamente aos que não respeitam a lei destas terras. Todos vós sabeis que Guilherme Tell não obedeceu há regra e por isso deveria ser condenado, juntamente com o seu filho há morte, mas eu dou a minha palavra de que se ele acerta na maçã com a sua besta a uma distancia não inferior a 50 passos, tanto ele como o seu filho sairão daqui com vida e com o meu perdão!
Mas, como vosso senhor, decidi aumentar a exigencia do desafio lançado, pelo que Guilherme Tell tem que acertar na maçã que será colocada sobre a cabeça do seu filho!

Ouvir aquelas palavras e a forma como foram ditas, tão eloquentemente e sem desejo nenhum de que tivera um final feliz, fez-me erguer os olhos aos ceus….
E o som do dardo ecoou por toda a praça, Deus era misericordioso e a Maçã abriu-se em duas suculentas metades com o filho de Tell ileso.
Os Camponeses desataram em jubilo mas Wassler não ficou contente e ordenou a prisão de Tell provocando a ira das gentes humildes que invadiram a praça obrigando os guardas a desembainhar as espadas. Estava naquele momento muito próximo do filho de Tell e ao ver a lamina levantar-se contra o jovem decidi tomar parte.
Ao guarda torci-lhe o braço de esgrima e desferi-lhe um golpe no mesmo costado, ficando assim o jovem debaixo da minha custodia até que o pai se juntasse a nós para que pudéramos fugir para lugar seguro.
Ao cair da noite, depois de inúmeros gestos e tentativas de comunicar pudemos por fim determinar que Wassler era demasiado tirano, que os jogos eram um motivo para ver jorrar sangue nobre nas suas terras sem se ver manchado a sua reputação. Já não fazia nada ali a minha missão tinha sido um fracasso pelo que me foi encomendado, mas quis Deus que ajudasse a que a justiça chegasse aquelas terras!
Doroteia mordeu-me a mão enquanto dormia, era hora de seguir de volta ao meu reino.
O caminho fez-se penoso, o inverno foi duro e estive retido na companhia dos Irmãos de Cister em Jaca, donde tive a sorte de orar olhando para o Santo Gral, tesouro guardado pelos Cavaleiros da Ordem do Templo até há sua extinção.
Quando as neves deixaram abrir passagem a ocidente, eu e Doroteia seguimos viagem pelo caminho do Apostolo Tiago.
Ao fim da primeira jornada, apartei-me do caminho para descansar a Doroteia e pernoitar.
Já enrolado na minha manta aproveitando do calor de Doroteia e do braseiro que me assou o coelho que se me cruzou pelo caminho, oiço os cascos de cavalos, que puxavam a uma carruagem. A comitiva parecia importante, pois havia uma escolta de guardas reais com o dístico do reino de Aragão.
Mas o som das espadas fez-me estar alerta. Tratava-se de uma emboscada contra a comitiva.
Era tempo de actuar, pois o reino de Aragão era a casa de origem daquela rainha que se fez santa pela sua obra de caridade, a Rainha Santa Isabel!
Em instantes montei na Doroteia para manchar a minha espada de sangue, a dos saqueadores! Enquanto com a minha espada, desferia golpes mortais em nome de Deus, Doroteia, apoiada nas suas patas traseiras, desferia patadas com os seus cascos dianteiros, deitando uns quantos saqueadores por terra. Em poucos minutos o assalto tinha fracassado, com o chefe da guarda a ler as minhas credenciais e agradecer em nome do Rey João II de Aragão pela ajuda prestada.

– Deixai-me ver tão humilde homem!- dizia uma voz feminina desde dentro da carruagem- Deixai-me agradecer-lhe em nome da rainha de Aragão!

Fiquei muito feliz ao ver que a bordo seguia uma jovem mulher que no seu ventre levava o futuro de Aragão e, como se veria mais tarde, o futuro da Peninsula e do mundo inteiro!
Fui convidado a desviar caminho até Sos, donde, na casa dos Senhores de Sos, a familia dos Sada, assisti ao jubilo de ver uma vida vir ao mundo, em toda a sua gloria. Tinha acabado de nascer o pequeno Infante e herdeiro da Coroa de Aragão Fernando!
Mais tarde, foi conhecido por Fernando, o Rei Católico.

18 Sos entrada

Esta é a entrada ao Centro Historico de Sos del Rey Catolico.
Aqui nasceu o Rei que uniu todos os reinos hispanos da Peninsula, terminou com a reconquista aos mouros (quase mil anos depois de o Rey Pelayo a ter começado) ao vencer um longo assedio em Granada e “lançou” um portugues de nome Cristovão em busca de um segundo caminho para as indias!

19 Sos Rua 1

Sos, como se chamava em 1479, ao ver a importancia do acontecimento adoptou o mesmo acontecimento para se passar a chamar Sos del Rey Católico.
O seu centro historico tem um estado de concervação irreprensivel, o que atrai a vila medieval milhares de turistas ao ano.

20 Sos Rua 2

Não é facil regressar aqueles tempos e imaginar os cascos dos cavalos soando nas calcadas, os comerciantes de frutas e verduras nas praças, sempre animadas pelo bobo e suas acrobacias.

21 Carolina

E as mulheres aragonesas, de encantos mil, de deixar qualquer cavalheiro com os sentimentos perdidos…

22 Sos Casa

Nas casas, as flores, o sol e o excelente dia, tudo parecia celebrar a Primavera.

23 Esfera Armilar

Em frente há casa dos Sada, esta esfera armilar me remete ao mais importante simbolo da nossa aventura, na descoberta do novo mundo!
Parecia uma premeditação do que sucedeu ha mais de 500 anos naquela casa!

24 Casa dos Sada

Hoje casa museu, foi aqui que Fernando II de Aragão nasceu.
É importante dizer que foi um Rey bastante astuto, inteligente e com uma capacidade de negociação acima da media!
Ao casar-se com a Rainha de Castela, lançou na Peninsula as bases necessarias para a prosperidade na peninsula.
Mas nem tudo foram coisas boas, instituiu a Inquisição, percussora de muitas perseguições injustas e do desterrro de Judeus e Mouros das terras que habitavam desde há muito tempo.

25 Sos Arco

Mas Sos tem muita mais historia alem do seu principal sucesso, foi fundada pelo Rei Ramiro I de Aragão como praça forte fronteiriça entre Navarra e as Taifas a sul.
Sos del Rey Catolico foi tambem cenario de fundo para o filme “La Vaquilla”.

26 Cineasta

E aqui temos ao seu realizador, sentado na sua cadeira…
“La Vaquilla” foi rodada em 1985 por uma equipe liderada por Luis Garcia Berlanga, que apesar de se vestir bem, esquecia-se sempre de se calçar!

27 Paisagem

As subidas ao castelo, donde apenas se conserva a Torre de Menagem e vestigios da muralha, as paisagens são assim!

28 Portico da Catedral

Pelo caminho esta a entrada há igreja, com este portico de nos deixar boquiaberto.

29 Torre de Menagem

Aqui a temos!
Esta é a Torre de Menagem do Castelo de Sos.

30 Sos del Rey Catolico

Com estas vistas ao povo!

31 Los Reyes Moteros

Pelo povo pudemos ainda encontrar as cadeiras dos protagonistas do filme rodado por garcia Berlanga mas…
Esta imagem deve ser vista como algo especial, como que a reedição da união entre Portugal e Aragão, como outrora foi a união entre Isabel e Dinis, mantendo-se a santidade na Aragonesa, mas desta vez por ter suficiente paciencia para aturar-me!

32 Cineasta Dois

Já estava na hora de voltar há estrada, mas queria pedir um autografo ao Luis mas ele não me respondeu. Como castigo teve que me segurar no capacete para fazer esta foto!

Uncastillo, el Pozo Pigalo y Biel

A estrada volta a torcer-se em curvas rapidas, de bom asfalto e um dia que convidava a torcer a orelha à Dorothy!
As Paisagens são deslumbrantes, com os picos dos Pirineus cobertos de neve como que despedindo-se do inverno, deixando-se lentamente derreter pelos raios de sol!
Sol esse que já aquecia o suficiente para nos fazer suar debaixo das protecções…

33 Un Castillo

Como seria de esperar as curvas acabam-se….
E aparece no horizonte as ruinas de um dos castelos mais valentes de toda a idade media. Era tão importante que deu o seu nome ao povo, derivando de la Fabla Aragonesa de “Um Castelo” para o Castelhano de Uncastillo! Ou seja “Um Castelo” ou “O Castelo”!

34 Uncastillo 2

Trata-se de mais uma perola medieval, onde viveram as tres culturas, onde reis se fizeram famosos nas batalhas, onde Almanzor mandou executar os cavaleiros que fez prisioneiros.
Guardem este Nome (Almanzor) pois eu já sei onde ele perdeu o Tambor!

36 Uncastillo 3

Com Dorothy a descansar era tempo de queimar calorias pelas ruas de Uncastillo, todas elas estreitas e ladeadas por casas centenarias, tecendo uma trama labirintica que deixaria os intrusos desorientados.

37 Uncastillo 4

Apesar de tremida (seria muito melhor com o Shaker do Barman nas mãos que com uma maquina fotografica), aqui podemos ver uma das maiores dificuldades para conquistar o castelo. Estava asente num massiço rochoso elevado de muito dificil acesso.

38 escadaria

Tanto que, para se poder aceder as mesmas escadarias foram talhadas na rocha.

39 Accesso

Do castelo apenas existe as fundações da muralha a Torre de Menagem e parte do palacio real que foi construido posteriormente.

40 Palacio

O palacio!

40.1 Torre de menagem

A Torre de Menagem que nos dias de hoje alberga um museu que conta a historia do povo e do Castelo.

41 Construção

Desde a sua construção, materiais utilizados e tecnicas utilizadas….

41 Contrução 2

…até as ferramentas e as artes utilizadas para a construção do mesmo!

42 Arma 1

Uma besta, arma tão popular na Idade Media como a Espada do Cavalheiro!

43 Arma 2

Mas a Torre guardava-nos as vistas…

44 Uncastillo

Uncastillo!

45 Palacio

O Palacio Real de Pedro IV El Parcimonioso.

46 Ruinas e Uncastillo

E as ruinas, vista aerea que nos faz tomar noção do grande que era o castelo…

47 Santa Maria

Esta é a Igreja de Santa Maria, que dá acesso ao entramado de ruelas do centro antigo.

48 Portico

Mais um portico Gotico de beleza rara, poluido pelas convocatorias ao culto….

49 Torre e Portico

Uma vez mais, Dorothy e estrada. Desta feita com um piso abandonado desde há muito, cheio de lombas, sujo e necessitado de manutenção.
Ate derivarmos por um caminho de “cabras”, nada mais que 8km de caminho de terra batida, felizmente seco, mas cheio de buracos, pedras soltas e areia nos flancos.
Nada apetecivel para a Dorothy que reclamou o mau trato que lhe estavam a dar.

50 Dorothy

La chegamos ao sitio do crime, onde ouvimos o murmulho das Aguas, e o verde nos trouxe de volta há tranquilidade!
Pozo Pigalo é fruto da teimosia do rio Arba, que queria passar por ali e foi vencendo as rochas que se opunham.

51 Piscina Natural

Em Março as agua são pouco convidativas, mas dentro de 3 ou 4 meses havera muitos metidos nela!
A paragem é diferente, rodeada de pinhais que conferem o fresco necessario para fazer um picnic em pleno verão, com o premio de poder-se tomar uma banhoca!

52 Cascata

E aqui esta o Arba, que pouco a pouco demonstra que agua mole em pedra dura, tanto bate até que fura!

54 Liescas

E aqui esta Luesia, outro posto avançado mandado construir pelo Batalhador, donde actualmente sobressaem o que resta da torre e a Igreja Matriz.
Era tempo de regressar, era tempo de fazer a estrada cheia de curvas, desta vez com o piso em muito melhores condições, para visitar o berço do esplendor de Aragão!

55 Torre de menagem de Biel

Este palacio fortificado, que outrora foi parte de um majestoso castelo, viu nascer Alfonso I o Batalhador, que foi senhor de Biel e depois de coroado, Rei de Aragão e, por se ter casado com a Dona Urraca (rainha de Castela), Imperador da Peninsula. Foi ele que arrebatou Sara Custa (Zaragoza) e cristianizou grande parte do territorio aragonês que hoje conhecemos. Foi ele o predecessor de toda uma epoca de Gloria em Aragão, que culminou com a Conquista de Valencia 300 anos depois, com o dominio do mar mediterraneo e com a conquista dos Reinos de Napoles e Cecilia.

56 Biel

Biel hoje é um povo pacato, sereno, mas no seco X e XI foi a base de assalto a territorios dominados pelos mouros em praças fortes como El Frago que durante anos a fio alternou entre ambos bandos dada a sua posição estrategica.

As Cinco Villas foram, portanto, importantes no desenvolvimento económico de Aragão, os seu campos ferteis, planos e aráveis, para alem de regados pelos rios que desciam do Pirineu (Arba, Aragão, entre outros) permitiam aos senhores daquelas terras não sofrer de problemas de abastecimento.
Como se fosse pouco, naquelas terras nasceram pessoas relevantes na historia, tanto de Aragão como da Peninsula e, tambem se pode dizer, do Mundo.
A estrada para casa foi feita com calma, num debate meio aceso sobre como voltar para ver o tanto que ficou por ver e os objectivos que teriamos que concretizar num futuro breve.
Uma voltinha de 380 km, com caminhos há mistura, muitas curvas e umas quantas viagens ao passado que nos fizeram tomar consciencia de como era a vida naquele então!

Aragão por Lone Rider- O Reino dos Ceus!

Manhã de Domingo e a primavera anunciava a sua chegada para breve, fazendo subir vertiginosamente o caudal do Rio Ebro.
Tinha sido assim durante toda a semana.
O rio, que acumulava aguas das chuvas, viu chegar ao seu caudal o degelo repentino dos Pirenéus, crescendo bem alem das barreiras impostas, inundando povos ribeirinhos, campos de cultivo e matando os animais que não puderam ser resgatados.
No meio disto tudo estava Maria e Dorothy, abandonadas a sua mercê numa garagem a escassos 1500m do Ebro!
Logo agora que estava a 2500km de distancia.
Telefonei a Policia Local:
– “Desculpe, sou residente em Utebo e estou preocupado. Pode dizer-me se existem problemas por causa da enchente do Ebro!
– Não lhe posso prestar essa informação, telefone há Jefatura na segunda feira!”
Telefonei a um colega de trabalho e ele disse que estivesse tranquilo que esta tudo bem!!!
Mas depois, volto a ler uma noticia que relatava problemas de infiltrações em garagens de Utebo e que ainda não tinha chegado o ponto alto da enchente!

“-Desculpa querida, sei que não deves sair de casa para te arriscares a ter problemas, mas preciso de saber se esta tudo bem com Dorothy e Maria das Curvas!
– Não te preocupes, vou ver se o meu pai pode levar-me lá!”

E foi assim que a minha heroína entrou em acção. Saiu de casa, fez os 15km de caminho e depois disse-me que não havia problemas, que as meninas estavam enxutas e tranquilas.
Ganhou assim o dia que vos vou descrever!

 

Manhã de Domingo, luminosa calma e enxuta!
Dorothy esperava por nós na garagem enquanto tratávamos de ordenar os nossos pertences no seu top case!
O nosso destino de hoje era uma recompensa ao seu trabalho heróico!
Ela já me tinha falado do spot, do entorno, mostrou-me fotos e a sua ligação há industria cinematográfica de Hollywood! Eu sempre quis ir mas integrado num espectro mais amplio, com outro tipo de visitas e mais extenso a nivel de km e de tempo.
Mas ela merecia, tinha ganhado que eu lhe dedicara o dia a este magnifico sitio que íamos visitar.

Saimos de casa, Dorothy apontando a Carretera de Huesca sem antes me avisar que tinhamos que parar para comer!
Comeu ela e comemos nós!
Depois dos respectivos estômago cheios voltamos há estrada, uma plana e aborrecida autovia, que nos levaria há “Holla de Huesca” e os seus campos ferteis, que foram testemunho de cobiça tanto de cristãos como de mouros no sec XI!

Quando finalmente abandonamos a Autovia, a estrada começava a aproximar-nos da montanha e, ao caminharmos para norte o primeiro que vimos foi Bolea!

1 Bolea

La no alto a sua “escalinata”!

Os povos aragoneses, muitos deles milenares como este, são autênticos labirintos, onde as casas se amontoam de forma tão anárquica que chegam a terem formas estranhas. As ruas, ruelas e becos são de tão difícil acesso que, até mesmo nós que vamos de mota, temos dificuldade em circular por elas.
Mas o que queríamos ver estava bem lá no alto, um edifício de fundação romana com a sua “escalinata” que dava a sensação de estar fortificada.

2 Escalinata

Subimos com Dorothy até há “escalinata”, mas depois subimos a pé até la cima!

3 Escalinata 2

E de lá de cima…

4 Bolea

…orientamo-nos na direcção do nosso principal objectivo, algures na encosta daquela montanha do outro lado de vale!

Agora tínhamos outro desafio….
Sair dali!
A rua por donde tínhamos vindo era de sentido único, pelo que agora teríamos que baixar  por outro lado, sem evitar as ruas estreitas, descidas íngremes, com algum pequeno degrau e o urfar asfixiado dos cavalos de Dorothy!
Voltamos há estrada porque havia algo mais que ver antes de chegar a Loarre!

5 Anies
Lá no fundo, cravado na montanha, num sitio de acesso quase impossível uma ermita.
Aniés, é mundialmente conhecida por esta ermita!

6 Anies 2

Depois de debatermos com seriedade uma forma de subir até ali, decidimos que seria um dia em que viéssemos com a Dulcineia!
Como é!
Vamos lá então conhecer Loarre?
Quem já viu o filme Reino dos Ceus?
Tem tudo a ver!

O que vamos visitar foi “pano de fundo” em algumas cenas deste filme, que fala sobre a queda de Jerusalem em mãos muçulmanas.

Recomendo vivamente ver o filme!

 

7 Loarre

Desde longe, construído no alto de um penhasco, e agora adornado pelas amendoeiras em flor, ergue-se a maior e mais conservada fortaleza militar de estilo Romanico da Europa!
O Castelo de Loarre, foi edificado pelo rei de Navarra (quando Aragão ainda não existia) como posto avançado sobre a linha de defesa muçulmana!

8 Loarre 2

 

 

Chegar até lá é uma delicia, porque estrada oferece muitas curvas, com um piso de boa qualidade  e paisagens a condizer!

9 Loarrre 3

Da parte de trás é mais ou menos assim!
Conforme os reinos cristãos foram avançando as suas fronteiras, o Castelo perdeu importância estratégica e dedicou-se há  tarefa monástica.

10 Loarre entrada

Isso permitiu-lhe chegar até hoje num estado de conservação muito bom!

11 Castillo Loarre

Como se pode ver, todo ele está apoiado sobre a rocha, o que nos dias de assedio impossibilitava a construção de túneis para fazer ruir as muralhas.

12 Loarre Muralhas

Desde a entrada do mesmo, já no interior do primeiro perímetro defensivo, as

vistas sobre a “Holla de Huesca” são impressionantes!

13 Entrada

A entrada!

14 Trabalhos na Rocha

Como se pode ver, em alguns pontos talharam na própria rocha para construir escadas e acessos!

15 Abadia

E aqui esta a minha heroína, admirando a Igreja de São Pedro, com uma abobada pouco frequente para os tempos em que foi construída!

16 Teto

Naquele então o Vidro não era muito comum, para que a luz entrasse nas janelas eram postas placas de “alabastro”, muito abundante na região e que era translucido!

17 Alabastro

Saímos para fora para contemplar as paisagens!

16 Loarre Povo

La fora, ao fundo o povo de Loarre e toda uma imensidão de verde que adivinhava a chegada da primavera.

18 Interior

Carolina caminhava deliciada e imaginando como seria viver ali, há mil anos atras!

19 Castelo Velho

Esta é a parte mais antigua do castelo.

21 Abismo

A vertente norte, que gozava do status de inexpugnável!

22 Sala da Rainha

A Sala da Rainha, com vistas para o sul e por donde se podia pensar que se tratava do posto de comando.

23 Torre de Menagem

A Torre de menagem, cujo complexo era apenas comunicado por uma ponte levadiça, oferecendo assim uma fortaleza dentro da fortaleza!

24 Mosteiro

Aqui inicialmente foi a casa de armas, mas depois de deixar de ser posto militar, adaptou-se para serem os dormitórios dos Monges que aqui viveram durante muito tempo!

25 Castelo

O Castelo, visto desde o primeiro perímetro defensivo!

28 Loarre Despedida

Voltamos a montar na Dorothy, para seguir o caminho.
Esta foi  a foto de despedida do mítico Castelo de Loarre!

29 Ayerbe

Não só nas grandes capitais existem torres com relógios!
Ayerbe não é excepção!
Mas o que vem a seguir é totalmente diferente.
Ha medida que caminhamos em direcção ao maciço pirinaico, as formações rochosas dominam na paisagem. E sobre umas, outras dominam mais!

30 Mallos de Riglos

Estas paredes rochosas, que se elevam varias centenas de metros do nível do chão, são o habitat natural do majestoso Quebra Ossos, uma das aves com maior porte da Europa!
Os Mallos de Riglos impressionam, por isso sempre que posso volto para fazer-lhe uma visita!

31 Mallos e companhia

Carolina aproveitou a oportunidade para saudar a todos!

Seguimos estrada para outro sitio lindo a nível paisagístico e a nível motociclismo.

32 Valle del Gallego

Este é o Rio Gallego, que vamos acompanhar durante uns kilometros.
A estrada é um dos exlibris dos motards aragoneses, com milhares de curvas, piso bom e paisagem a condizer.
Cada curva, umas mais técnicas que outras, exigiam há Dorothy aprumo e precisão e a nós os dois aquele trabalho necessário para que não houvesse acidentes nem sustos!
Ao final os sorrisos eram evidentes e não deixamos de prometer voltar a  fazer de novo esta estrada.

33 Entrada

Acabamos aqui!
Na entrada (fechada) da cidadela da Cidade de Jaca.
Frustrados e esfomeados, não desistimos da ideia sem antes tirar umas fotos ao exterior da mesma.

34 fosso

O fosso!

35 bateria de canhões

Uma das baterias de canhões de uma fortaleza que tem muito para contar….
Depois de comermos, fomos atacar o mítico Alto de Monrepos!
Ganchos intermináveis, negociados a mais de 120Km/h em inclinações de medo, que nos elevam até aos 1280m de altitude para descermos de novo para a “Holla de Huesca” e depois os intermináveis 120km de autovia até há Capital do Reino!
E assim foram feitos mais de 300km que serviram para que a minha Heroína testasse a sua capacidade de fazer grandes tiradas em moto, para alem de que, foi uma forma de a recompensar por ter saído de casa em socorro das minhas preocupações.
Muito obrigado minha “Luciérnaga”!
Do meu ponto de vista, e pelo seu sorriso ao final do dia parece que valeu bem a pena esta voltinha!