Cronica de uma Fotografia (3º aniversario)

Existem momentos na vida em que fazer uma loucura pode servir como uma maneira de rejuvenescer, de alimentar o ego e por a auto-estima em alta. Quem ler estas palavras e nunca ter feito uma loucura que se acuse.

Estou a viver em Espanha desde finais de 2006 e para me integrar no âmbito motard, inclusive para combater a solidão, dado que a Simone só veio definitivamente no Verão seguinte, encontrei-me com um grupo de amigos bastante coeso que se movimentava e faziam parte de uma associação que tinha como principal objectivo trabalhar na área da Segurança Rodoviária. Ao principio pensei que seria aborrecido, lidar com leis e ainda por cima de outro pais, meter-me publicamente com políticos e instituições e arriscar a pele nos trabalhos de campo…..
Mas o grupo era porreiro e ao trabalho juntaram-se momentos de convívio altamente. Pouco a pouco, comecei a encontrar gozo em ler os “Real Decretos”, os “Reglamentos Generales” e as “Ordenes Complementares” que marcavam as linhas gerais de actuação num trabalho de observação, controle e denuncia do que esta mal feito e do que nos prejudica em termos de segurança.
Fui trabalhando e fui subindo na “organização”, cheguei a ser o responsável pela Segurança Rodoviária Urbana, com vários relatórios apresentados e muita luta para ver resultados, que eram sempre poucos…..
A partir do Verão de 2009 a associação dá um giro de 180º com a nova direcção, que queria modificar os estatutos no sentido de modificar a orientação da mesma…. AMA Moteros Aragoneses ainda realizou a manifestação no dia 24 de Outubro desse ano, mas agonizou em debates internos até que os Fundadores decidiram, utilizando o voto de fundação, encerrar a Associação…..

Ao longo desse maravilhoso tempo, tive a oportunidade de conhecer e trabalhar com pessoas do âmbito, verdadeiros gurus como Juan Rivas (actual presidente de Lucha Motera), Dinamita (presidente de Moteros en Accion) Jordi Vendrell que sabe de cor o Código da Estrada Espanhol, conhecer Juan Carlos Toribio, primeiro espada de AMM (Asociacion Mutua Motera) ou ao José Castillejos, entre outros.

Quando AMA desapareceu pensei em juntar-me a um grupo português ou talvez lutar em solitário e fazer montes de coisas….
Mas sou sincero, fa-lo-ia se tivesse sede de protagonismo, fa-lo-ia se quisesse destacar-me dos outros mas acho que não é por aí o caminho!

A ideia desta imagem nasce de um anuncio antigo (década de 70) que vi num programa da RTVE sobre os 50 anos do Agrupamento de Trafico da Guardia Civil e sobre as primeira campanhas de sensibilização rodoviária… Esse anuncio punha um adulto em cima de uma moto a conduzir com capacete e um slogan que dizia mais ou menos isto:

[quote]“El casco es tu cabeza, no pierdas la cabeza”[/quote]
Ou seja
[quote]“ O capacete á a tua cabeça, não percas a cabeça!”[/quote]

Hoje este anuncio, não teria as consequência desejadas, dado que está mais que demonstrado que a utilização do capacete é benéfica em todas as situações e a grande maioria já o utiliza de forma quase que intuitiva e normal, mas aquela imagem ficou aqui, na minha retina.
A Campanha Protege-Te visa sensibilizar os companheiros para o uso de equipamento de protecção adequado e, embora as ideias fossem mais ou menos originais, faltava uma ideia em que deixasse em evidencia a necessidade de utilização do equipamento em conjunto, como um todo, como uma pele anti abrasiva que levamos vestida.

A ideia surgiu na minha mente e a primeira pessoa a ouvir as palavras a saírem da boca foi Simone:
-Estas maluco!? O pessoal vai conhecer-te e vai rir-se na tua cara…. E onde vais tirar a fotografia? Na garagem não há luz natural e qualquer um pode entrar e ver-te!
Voltei a dizer-lhe que era um ideia altamente e é normal que os amigos reajam assim, mas o que interessa é quem não me conhece, aqueles que andam de chinelos, tshirt e calção só porque faz muito calor:
-Alem disso tenho um sitio perfeito!
-Onde?
-No Poligono do Pradillo.
-O quê? Tu és maluco- e desabafou- Meu Deus dai juízo a esta pobre alma que agora é que se lhe queimaram os neurónios!
Decidi deixar a ideia amadurecer na cabeça da Simone. Nessa semana subi á Alemanha e quando estava já de volta telefonei-lhe para falar desta ideia:
-Tem calma é rápido, este Domingo pela manhã vamos lá vemos como podemos fazer, e se estiver calmo, mandamos-lhes três flash?s e já está!
-E se aparece a policia!? Tu enlouqueceste de vez…..
-Se aparecer a policia, serão os municipais, falamos com eles e já está! E ao Domingo de manhã achas que vai haver movimento numa Zona Industrial praticamente abandonada?- cheguei a casa na quinta feira e fomos ver o local, expliquei mais ou menos o enquadramento e chamei-lhe a atenção de que estivemos ali mais de meia hora e não passou um só carro….
– Ok- disse- Domingo, se não estiver a chover, viemos aqui tirar a foto…..

Domingo, já com o novo fuso horário, abro os olhos e vejo a Simone a olhar para mim:
-Como é, vamos lá?-pergunto.
-Bom dia, acordaste a pensar nisso!?
Saltei da cama, liguei maquina do café comecei a ver que roupa tinha que por. Algo que seja rápido de tirar e por…..
Faltava lavar a Maria das Curvas dado que choveu na quinta e na sexta e ela estava suja.
Maquina com bateria, lente limpa e cartão de memoria descarregado e tudo pronto para fazer aquilo que seria para mim imagem do ano, sem duvida!

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Em 10 minutos lavei a Maria e deslocamos-nos ao local do crime, nunca melhor dito!

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Para alem de mim, que estou atrás da câmara, foi a Simone para imortalizar o momento, a Maria das Curvas e Geringonso, que ia servir de vestuário.
Depois a Simone sentou-se na Maria para eu ver o melhor enquadramento…..

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Esta era uma das opções, assim como retirar uma fotografia onde focasse mais o meu corpo e menos a dianteira da Maria, para alem da conveniência de não se verem as matriculas….
Expliquei à Simone os pontos de referencia e pedi-lhe que contasse os disparos para eu não mudar de pose….
Chegou o momento da acção. Abri a porta do Geringonso e comecei a tirar a roupa e num ápice montei na Maria!

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Vais assim pela Rua?

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Protege-te

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O objectivo é sensibilizar para um problema que faz vitimas todos os anos.
Assim como nos longínquos anos 80 em Portugal se lutou para normalizar o uso do capacete, acho que hoje devemos fazer o mesmo com os restantes elementos de protecção.
Sais à rua sem vestir-te?
Então, quando andas de mota, veste-te de forma adequada, porque de outras maneiras é como se fosses nu!

Mas eu, naqueles escassos 15 minutos estive a mercê de tudo, do frio do vento e inclusive de escorregar a cair com a Maria. Quando a Simone disse que tinha muitas imagens (10 ao todo), eu fugi dali para fora!!!!

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Voltei a vestir-me para poder ver as fotografias na câmara….
Estavam muita fixes!
Mais calmo e seguro de que fiz o que devia ter feito!

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La ao fundo, estava o Horizonte, chamando por mim!

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Mas ainda não acabou!!!
Faltava ambientar esta imagem, para dar-lhe um fundo credível e um ambiente mais urbano!
Acho que encontramos!

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Bem, já temos os paus e as folhas, já podemos fazer a cabana…
Com a Simone a deitar fumo e eu irritado por causa de ela ser tão meticulosa, lá trabalhamos a imagem de maneira a dar-lhe consistência, complementando-a com as imagens dos elementos de protecção que devemos usar e, à medida que íamos obtendo um resultado final, dávamos-nos conta de que estava muito interessante.
Este é o resultado final, espero que gostem, e que se consiga fazer passar a mensagem!!

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Aragão por Lone Rider- El Camino del Cid I

Rodrigo de Diaz Vivar, el Cid. Para os amigos Rui!
Conhecido na historia da Península como Cid Campeador, esta personagem controversa e heróica, chegou a ser bastante influente na península.
Guerreiro destemido, com uma vontade férrea de impor a sua autoridade, conquistou boa parte dos territorios de Aragão e do reino de Valência, retirando deles o sustento do seu aguerrido exercito.
Antes de assentar em Valência, cidade fortificada e conquistada aos mouros devido a uma manobra militar muito habilidosa, Cid Campeador (Rui para os amigos) fez um périplo pelas terras de Aragão, Castilla la Mancha e norte de Valência, que hoje são conhecidos com Caminos del Cid.
Esses caminhos percorridos deveram-se ao desterro que este teve por parte de um dos Afonsos de Castela, que mais tarde teve que pedir ajuda ao próprio Cid para que o ajudasse em Ateca numa batalha contra os mouros de Valência.
Os Caminos del Cid passam quase na sua totalidade por Aragão, desde Alhama de Aragon, passando por Calatayud, Daroca e Albarracin.
Desta vez vamos concentrar-nos em dois castelos importantes que Cid conquistou, e dominou durante muito tempo.

Durante o inverno, o sol é importante para ajudar a sair de casa. Abrir a persiana e avistar um dia luminoso ajuda a arrancar as pessoas da cama numa manhã fria!
Depois do protocolo matinal (levantar, fazer xixi, lavar a cara, etc, etc) tenho 2 minutos de mau humor que são insuportáveis, impelidos pela necessidade de café e um beijo de bom dia. Por isso, para os possíveis companheiros de viagem, se me verem a fazer tromba de beijo, meio encurvado para a frente e os braços mortos e pendurados, cumpram com o ritual e dêem-me um beijo. Caso contrario sou insuportável!
Montar na Dorothy para sair de casa numa manhã fria é outro suplicio…
As botas tem que estar perfeitamente polidas, em movimentos circulares feitos no sentido contrario do relógio (sempre assim e nunca ao contrario), os botões das calças tem que estar sempre postos na suas casilhas, os fechos subidos até cima, os velcros do casaco perfeitamente pegados; as luvas perfeitamente ajustadas, com os dedos em casa sitio correspondente, os velcros tensados a um puxão antes de partir; as mangas do casaco bem esticadas, com as molas apertadas e os fechos bem fechados; o capacete bem posto, posicionado 5mm acima das sobrancelhas, como o fecho micrométrico na septima posição, viseira limpa e sistema de comunicação coma abateria carregada e emparelhado com os 34 dispositivos que costumo levar onde quer que vá!
Só então é que me disponho a por a mota a aquecer!
Para tal, e antes de rodar a chave, verifico a pressão dos pneus, o nível de óleo e agua, o posicionamento das manetas, o desgaste das pastilhas de travão e meço com a dinamométrica o binário de aperto de cada para fuso exposto ao meu olhar. Quando, finalmente, rodo a chave, verifico que o check up é correctamente feito, que todos os sinais vitais estão funcionais e depois carrego no botão magico para trazer vida ao V4 de Dorothy!
Só aí é que me dou conta de que me esqueci em casa do comando que abre o portão da garagem….
Tive que voltar a casa para buscar o comando.
Por azar as chaves de casa já estavam dentro do casaco, pelo que tive que tive que tirar as luvas e abrir o casaco, sinal que teria que voltar a repetir todo o protocolo descrito anteriormente…

Despois desta pequena epopeia matinal, saímos há rua para saborear o gélido dia que nos presentava.
Com o sol de companhia, ainda meio adormecido, vigiava a estrada para detectar possíveis placas de gelo, pois o mentiroso da farmácia tinha indicado -1ºC, mas o único que se via eram grãos de sal por todo o lado.
Hoje iamos ver, ou melhor, seguir o rasto a um homem que viveu há quase mil anos e que os amigos tratavam por Rui, apesar de ser historicamente conhecido por Cid Campeador!
Calatayud era o primeiro destino, donde este hábil guerreiro desterrou os mouros em menos de nada, convertendo a cidade ao cristianismo.
Entre Zaragoza e Calatayud existem três altos de montanha, La Perdiz, Morata e El Frasno, este ultimo com quase mil metros de altura e de donde já se pode ver a cidade de destino. Em Almunia de Doña Godina tinhamos 8ºC mas quando chegamos a Calatayud tinhamos dois grais negativos. Tudo isto em pouco mais de 30km, pelo que a vontade de querer voltar para trás era muita!
1 Nariz Frio
– Não sei porque mas tenho a ponta do nariz gelada!- e de seguida- Cruzamos-nos com motos pelo caminho, porque que é que fazem sinais uns aos outros!?
-É uma forma de nos cumprimentarmos, de desejar boa viagem…. Deverias fazê-lo também! É uma das tarefas dos penduras!
2 Dedos Frios
-Então começo já a praticar!
Depois de nos recompormos do choque térmico, entramos em Calatayud para procurar os vestígios do Rui! Não é que eu tenha sido amigo intimo de Cid Campeador, mas não sei porque, o nome parece-me familiar!
3 Arco de San Miguel!
O Arco de San Miguel é uma das portas da cidade antiga, mas não era por ali o caminho que queríamos. Voltamos para tras e procuramos a sinalização correspondente ao que víamos lá no cimo do monte.
A cidade é composta por muitas ruelas estreitas, com casas dispostas sem um padrão comum, o que dificultava muito descobrir o caminho correcto.
Mas quem tem boca vai a Roma e quando nos disseram por donde era custou-nos a acreditar!
-Siga sempre em frente! Vai parecer que são ruelas por donde não passa mas é por aí! Sempre em frente!
E assim foi!
A rua não tem degraus, é certo, mas por vezes não chega a ter mais de 1,5m de largura, com curvas de 180º e inclinações muito para alem dos 10%.
Mas a recompensa chegou!
4 Castillo
Esta fortaleza, construída no século X pelos mouros foi das primeiras em caírem mãos do Cid Campeador, na sua cruzada pessoal contra os Sarracenos.
5 Torre
Uma característica que diferencia as suas fortalezas são as torres hexagonais!
6 Torre 2
São ruínas, é verdade, mas no seu tempo dominavam todo o vale!
7 meã
Atravez das meãs, que os arqueiros usavam muito frequentemente, podíamos deslumbrar duas das muitas torres de estilo Mudejar, espalhadas por todo Aragão!
8 Muralhas
A proteger a povoação e o vale, havia uma segunda linha de defesa, que hoje partilha as suas muralhas com as construções contemporâneas!
E agora!?
Para baixar era preciso fazer o mesmo caminho!
E o problema é que todos os santos ajudam!
9 Ruelas
Calatayud tem este aspecto, ruelas estreitas, casas amontoadas em cima de igrejas com as suas torres Mudejar majestosas!
Vale pena visitar e caminhar por entre esta disposição anárquica, mas noutro dia que o frio é de rachar e a minha pendura já me pediu um café bem quente!
10 Praça do Municipio
Este é o largo da Camara Municipal!
11 Vendedora
Aqui se fazia o mercado donde se podia encontrar os produtos que o vale dava aos agricultores!
Tomate, pêra, maçã, alfarrobas, melão e melancia, que depois eram vendidos nesta praça.
12 Varandas
Sim! Estão a ver bem!
Ali deve ter havido algum erro de engenharia que determinou uma ligeira “tendência de esquerda” de todo o edifício!
Café quentinho tomado, era hora de zarpar.
E a boa hora, pois o sol já aquecia os corpos que propositadamente procuravam o astro!
o proximo destino era outra cidade fortificada, que fica para lá do vale do rio Jiloca, que iriamos acompanhar até subir uma das vertentes do monte Paniza!
É uma nacional larga, de bom piso, com rápidas das que dá para acelerar e soltar os cavalos há Dorothy. Contudo hoje era para aproveitar o sol e, a mais velocidade mais sensação termica, decidi reduzir a velocidade para aproveitar o pouco calor que o astro rei nos oferecia!
13 Fixe
Este sinal confirma que a minha opção foi a correcta!
14 Povoção
Estes são algumas das pequenas povoações que podemos encontrar pelo caminho, quase todas elas com uma Igreja de estilo Mudejar!
15 Daroca
Daroca! Cidade Fortificada.
Esta é a porta Norte de um recinto que foi amuralhado e que ainda hoje conserva as torres da muralha.
16 Calle Mayor
Calle Mayor eixo principal da cidade.
17 Esttilo mudejar
Em algumas casas podemos encontrar detalhes interessantes.
18 Porta Sul
Eis a porta sul!
Por donde Cid Campeador saiu em conquista dos campos de Calamocha!
19 Catedral
Igreja Matriz, consagrada a San Lorenzo, de estilo Gótico.
Por detrás existe um caminho que leva até às muralhas, por donde se pode aceder há torres da mesma e aos recantos de uma cidade que merece um passeio a pé, com calma e descontracção!
20 Torre
Aqui temos um exemplo, em perfeito estado de conservação, mas que requer paciência, pois o seu acesso não é fácil, para alem de que só se pode aceder a pé!
Contudo, para aqueles que pretendem visitar, aconselho a que parem e aproveitem uma manhã de sol como esta para visitar esta cidade histórica.
21 Saida pela porta
Voltamos a sair pela porta norte para rumar em direcção ao mitico Alto de Paniza, fazer aquelas curvas deliciosas e voltar há cidade de Zaragoza.
Apesar do frio o saldo foi bastante positivo!
Calatayud e Daroca são duas cidades com muita historia em comum, donde as suas paredes denunciam a sua importância ao longo dos tempos, ricas em património e que não dispensam uma boa caminhada pelas suas ruelas, para visitar monumentos e edifícios históricos.
É de recordar que há mil anos atrás, um dos maiores guerreiros de toda a historia da península, fez destas cidades o seu quartel general, trazendo as suas povoações a fé cristã e ajudando assim a roubar domínio aos infiéis!
Sobre o caminho de Cid Campeador mais episódios virão, mas aconselho a que procure na Wikipedia informação sobre este personagem, tão valente como controverso!

Andar de Mota

Apesar de parecer uma pessoa extrovertida, os meus amigos mais chegados conhecem a minha essência nostálgica e os delicados equilíbrios que tento manter dentro de mim para que fora seja assim, um poço de alegria. Outros dizem que ponho cara de mau para que não descubram que na realidade sou um coração de manteiga derretida ao sol.
Por motivos que me superaram, as ferias de Natal se viram marcadas pela impossibilidade de fazer a viagem que estava programada e os dias que estavam pensados para curvas, paisagens e fotografias, passaram-se a organizar roupa, varrer o chão de casa e demais tarefas domesticas.
Todo um aborrecimento que me tirou o sono.
Necessitava um escape, de visitar a essência do motociclismo.
Andar de mota!

Eram 4h30 da manhã e andava as voltas na cama, doía-me o corpo, sentia-me cansado de não fazer nada. Ouvia o distante assobio da caldeira de gas que tratava de manter habitável a minha casa, aquecendo o ambiente para uns agradáveis 20ºC.
Outra volta na cama e volto a perguntar-me:

“O que é que te falta Rui?
Andar de mota!
E se sabes a resposta porque raio te resistes!?
Donde vou?
Sem destino.
Fazer o quê?
Logo se vê.
Para quê?
Andar de mota!”

Saltei da cama, fui ao armário e retirei o meu fato de turismo, procurei na gaveta o meu fato térmico, o meu passa montanhas e as luvas de inverno!
Em seguida desliguei a caldeira e abri as janelas para que o frio da noite ambientasse a casa.
Desci há garagem para subir as malas de Dorothy, lancei-lhe um olhar cúmplice como que dizendo:

“Prepara os cavalos!
Vamos dar uma voltinha sem destino!”

Na mala, o tripé da câmara, a câmara, uma muda de roupa, o estojo da barba, um mapa da península, um carregador do telemóvel e a bateria suplementar.
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Utebo, dois graus negativos, mais ou menos seis da manhã!
Frio!?
Isso é para frouxos!
Pela frente km de estrada, sem saber bem donde ia parar, apenas com um único objectivo.
Andar de Mota!
Decidi passar pelo centro de Zaragoza, aproveitando a tranquilidade da madrugada para desfrutar da decoração de natal.
Depois apanhei direcção ao desconhecido, sem GPS ou mapas, só sabia que ia de encontro ao sol, que se preparava para aparecer no meu Horizonte!
A estrada, a minha casa, que serpenteava por montes e vales, oferecendo-me as curvas que tanto ansiava, que fazia com aprumo e concentração, procurando o sol. La fora, depois de passar as capas que me protegiam, o frio que gelou todo há minha volta punha há prova o meu equipamento, que se resistia, mantendo a minha temperatura estável e evitando o sofrimento. Contudo, seria por pouco tempo, e os dedos começaram a sentir o frio que, pouco a pouco, contaminava os tecidos das minhas luvas já veteranas.
Que fazer para evitar aquele formigueiro gélido que te paralisa de forma dolorosa as extremidades?
Não parar de mexer, para facilitar a circulação de sangue.
Apesar disso, na minha alma vivia-se jubilo, a cada curva, a cada aceleração, a cada paisagem, o sentimento de liberdade ia contaminando o meu estado de espírito.
2
Primeira paragem.
O sol já se via no horizonte, uma enorme laranja que se levantava, deixando aqueles que caminhavam até ele cegos, montando um espectáculo de sombras e “clareiras” que marcavam a diferença entre estar gelado ou aquecido pelo astro!
Algo me chama a atenção, uma ruínas, montadas no dorso de uma colina erosionada pelo tempo.
Os sinais indicavam um caminho de terra.
Existe alguma coisa que impeça a um Motard de ir donde quer que seja?
Não!
3
Foi assim que Dorothy fez a sua primeira incursão por caminhos de terra batida.
Com o merecido prémio ao final deste.
4
Castelo de La Palma, construído pelos muçulmanos a quando do seu domínio nestas terras.
5
E este é o Ebro, que leva as aguas gélidas do Cantábrico até ao Mediterrâneo.
6
O Castelo merece uma visita mais detalhada, mas hoje não era o momento.
Limitamos-nos a por o pino vermelho no mapa para no futuro prestar-lhe a atenção que se merece.
Voltamos há estrada e despedimos-nos de Sastago….
7
Outra vez a estrada, outra vez a luta travada pelo ar gélido, na tentativa de me demover do meu principal objectivo.
Andar de mota!
A estrada, a minha igreja, terreno do meu culto, torcia-se para salvar montes e vales, passando por povoações como Escatron ou Caspe, onde assumi o compromisso de voltar para falar de outro Compromisso, muito mais transcendental na historia de Espanha.
8
E a estrada volta a exigir a nossa presença no asfalto, porque se aproximam os desafios da serra de Tarragona, já na comunidade do Condado de Barcelona.
9
E o leito de prazer por donde deslizávamos, começa a oferecer-nos curvas rápidas, recortando o monte, subindo e descendo os vales, exigindo a Dorothy aprumo e precisão, roubando-me toda a concentração para que ambos constituíssemos o binómio inexpugnável que venceria todos os desafio que a estrada nos ia plantando no horizonte, km a km.
Viajava só, levando ilusão e esperança, sem um destino marcado, sem objectivos, sem saber o que fazer, só com uma vontade.
Andar de mota!
E foi assim que entrei nos domínios da capital catalã, sem saber bem o porquê, mas feliz por tudo o que já tinha vivido até então.
Donde ir?
Vamos ao circuito de Montemeló.
Vagueamos por ali, sem saber donde ir ou donde parar….
Terminamos fazendo um check in num dos hotéis das redondezas e despojamos a Dorothy das malas e da minha pessoa o fato que começava a assar-me a “fogo lento”.
Donde vamos!?
Andar de mota!
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Aproveita Dorothy!
Não é todos os dias que se tem uma cidade inteira a teus pés!
Tibidabo é um monte que domina toda a cidade, mas é sobejamente conhecido pelo seu parque de atracções.
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Mas as estradas são o mais atractivo.
As curvas técnicas e lentas são predominantes e foi nelas que pusemos há prova os musculados baixos de Dorothy. Quando estas acabaram, dirigimos-nos há capital para voltar a subir, mas desta vez ao castelo!
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Andamos por ali, até que o sol nos roubou o calor.
Era tempo de voltar ao hotel, tomar banho, mudar de roupa e voltar há cidade.
O jantar era promissor!
Há mesa não iam só estar as delicias culinárias catalãs, mas também dois amigos que vivem na Cidade Condal. Hugo e Angela, Motards empedernidos, viviam há já uns anos em Barcelona. Conheci-os através do extinto MotoOnLine e com eles travei amizade. Aventureiros, amantes das viagens em comunhão com as duas rodas e um espírito enorme, levavam tempo puxando-me as orelhas por causa de uma visita prometida, e que por esta ou outra razão não me foi possivel cumprir.
Como o prometido é devido, o serão, para alem das esquisitas e deliciosas “tapas de sabores mediterrâneos”, foi bastante entretido. Falamos da Dorothy, da Hikari e das aventuras vividas recentemente, assim como da veterania da Maria das Curvas, dos projectos vindouros e dos conselhos que, de igual para igual, se trocam nestas ocasiões!
Foi tão bom (desde o meu ponto de vista) que nem fizemos foto para imortalizar o momento.
Sinal de que os momentos vividos são e serão memoráveis!
Depois…
Dormir, descansar os ossos e os cavalos era imperioso.

Voltei a abrir o olho passadas as oito da manhã, enroscado no edredon, espreguiço-me com lentidão e sorrio com a ideia de que hoje tinha muito km’s para fazer.
Era como acordar depois de uma noite de amor, em vez de abraçar a tua amada passando a mão carinhosamente pelos seus seios, enroscava-me no edredon feliz por estar longe de tudo e feliz porque em breve tinha que voltar a tudo!
O pequeno almoço foi adornado pelos fiambres, croissant’s e, o quase meio litro de leite habitual.
Pagamos a conta e montamos as malas em Dorothy.
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Voltamos há estrada com o mesmo propósito….
Andar de mota!
Donde ir!?
Ia com vontade de farejar as curvas, que por referencia em Catalunha abundam!
Rumei a norte, até aos Pirineus, onde a estrada se volta a torcer.
E pronto…..
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A neve é um atractivo mais que convincente!
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Rumamos em direcção do Principado.
É verdade que o transito intenso retirou um pouco o encanto há coisa, mas agora tinha um objectivo de superação.
Subir ao Pas de la Casa.
Pas de la Casa é um pico dos Pirenéus que ascende aos 2680 metros de altitude, contudo no patamar dos 2000 metros está a povoação e estação de esqui com o mesmo nome.
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A ideia era subir até há estação e desfrutar do sol gelado pela neve.
Infelizmente, dadas as condições da estrada e os avisos sobre a obrigatoriedade do uso de correntes, ficamos a poucos km da estação de Sky.
Na prática, já tinha visto que as condições se degradavam e a roda traseira da Dorothy já o tinha notado por um par de vezes.
Com -4 ºC de temperatura era muito possível a formação de gelo e eu queria voltar, apesar de saber que era um aliciante tremendo correr o risco.
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Mas o objectivo era, e continuava a ser, o mesmo.
Andar de moto.
E assim foi.
Demos a volta e voltamos há estrada.
Foi uma pena não chegar ao Pas de la Casa, mas outras oportunidades virão!
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Quando saímos do “barulho” de Andorra, a estrada voltou a oferecer o melhor que tem. Curvas rápidas, estrada larga e piso de primeira e novamente o binómio a funcionar para rasgar um sorriso de orelha a orelha!
Sabíamos que íamos em direcção há monotonia, sabíamos que íamos em direcção ao de sempre, trabalho, responsabilidades, problemas e o dia a dia, mas as baterias estavam renovadas, prontas para novos ciclos e estes dois dias foram só para uma coisa.
Uma coisa que me dá muito prazer.
Andar de mota!

Aragão Por Lone Rider- Cerler o povo mais alto dos Pirineus Aragoneses

Domingo, de manhã cedo, acordo com um braço a asfixiar-me.
Tento libertar-me e não posso, não consigo mexer-me.
As mantas, os lençóis e aquele braço começaram a provocar-me um ataque claustrofóbico!
E qual é o melhor tratamento para a claustrofobia?
Não me venham dizer que são os espaços abertos, porque toda a gente sabe que para a claustrofobia o melhor é um capacete, uma mota e uma estrada cheia de curvas!
Acho que comecei mal esta cronica….
Comecemos de novo.

Domingo, de manhã, não sei bem a que horas, acordo porque já não tinha sono.
O que vou fazer hoje?
Não trabalho, não tenho nada para fazer, não consegui pinar na noite anterior, estou há beira de uma depressão….
E qual é o melhor tratamento para a depressão?
Não me venham dizer que são os ansioliticos porque todos sabemos que o melhor tratamento para as depressões (para alem de um tiro na cabeça) são as motas, umas gajas nuas e cervejas há mistura!
Não é bem isto….

Domingo, de manhã, nem sequer olhei para o relógio, acordei porque ainda tenho sinais vitais.
Apetece-te alguma coisa?
Não, nadinha!
Então enrosca-te mais uma vez nos cobertores antes que te de vontade de ir andar de mota.
E qual é o melhor tratamento para ir para a vontade de ir andar de mota?
Não me venham dizer que é ir andar de mota, porque vocês sabem muito bem que quando há vontade de ir andar de moto o pior que se pode fazer é resistir, porque senão o que acontece é que desapareces com a moto e nunca mais voltas!
Porque será que me lembrei da Paula Kota depois de escrever isto?

Bem!
Vamos lá começar esta cronica como deve de ser.
E que tal dizer a verdade?

Domingo, de manhã e eu acordei!
Salto da cama, visto o fato térmico e o fato de turismo em tempo record, monto na Dorothy e digo:

-Dorothy! Welcome to the jungle!
E pelos vistos uma Selva emersa num nevoeiro denso que obrigava a andar muito devagar.
Depois a ausência de luz do sol ajudava as temperaturas baixas ficarem ainda mais baixas.
De Zaragoza até Huesca não se via um palmo há frente do nariz, gelam-se-me os dedos duas vezes e parei outras tantas para os aquecer (a minha luvas estão mesmo a precisar de um banho de gasolina!).
Em Huesca apanhamos direcção Lérida mas o nevoeiro não dava tréguas!
O que me contentava foi o que um dos senhores que servia no bar que me disse que para a montanha estaria bom tempo.
Pois é meus amigos, a primeira voltinha que vou dar com a Dorothy vai ser nos Pirineus, desta vez há procura dos picos nevados e de uns desfiladeiros lindos!
Quando chegamos a Barbastro o nevoeiro começou a deixar ver mais alem dos 50 m e quando sai da autovia em direcção a Monzon já se via bem alem dos 150m, mas o sol esse não se via, com as temperaturas de apenas 2 graus acima da temperatura de congelamento da agua.
1
Esta é a Catedral, de estilo Mudejar e data do sec XII.
2
Este é o Castelo de Monzon, ultimo bastião aragonês dos Cavaleiros da ordem do Templo, que sofrerem 7 meses de acedio por parte de Sancho II depois da Bula de Clemente VI que pos fim há Ordem do Templo.
3
Subir até la cima era imperioso, pois tudo o que se refira há Ordem do Templo fascina-me. Mas é um trabalho árduo, dado que se trata de uma ladeira muito empinada.
Mas eu já só ouvia os cavalos a subir pela calçada, com cavalheiros vestindo túnicas brancas com a Cruz Vermelha montados neles!
4
Era aqui que, outrora, as suas montadas repousavam.
5
Desde lá de cima, percebia-se a posição estratégica do castelo, que dominava todo o vale!
6
Continuamos a subir, para visitar os edifícios do recinto amuralhado.
7
A torre de menagem!
8
Os dormitórios.
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O templo, onde se exibe um documental sobre a vida de um Cavaleiro da ordem do Templo!
Para aqueles que não sabem os Cavaleiros da Ordem do Templo, também conhecidos como Templários, eram monges guerreiros e como tal, faziam voto de castidade, de pobreza e prometiam nunca atacar um cristão.
A Ordem do Templo foi criada para guardar o Templo em Jerusalém e os caminhos que levam até ele!
As Cruzadas há Terra Santa foram comandadas pelos Cavaleiros da Ordem do Templo com o único e simples fim de permitir aos fieis cristãos de visitarem Jerusalém (cidade templo) em segurança!
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Charles de Molay foi o ultimo Grande Mestre da Ordem e, como já vos contei na minha ida ao Inferno, morreu queimado na fogueira, acusado de sodomia e heresia!
Com a Bula de Clemente VI a Ordem foi dissolvida e os Cavaleiros da Ordem absorvidos por outras ordens religiosas.
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Houve no entanto, Reinos que aproveitaram o conhecimento bélico dos Monges Guerreiros e criaram uma Ordem Religiosa Militar. Foi assim que nasceu a Ordem da Cruz de Cristo em Portugal.
Hoje em dia, a Ordem da Cruz de Cristo é uma condecoração que o Presidente da Republica outorga a quem se destaca na divulgação da nacionalidade portuguesa.
Eu, segundo as minhas fontes, estou quase lá!
O que foi!?
Nem sempre é fácil dizer uma “Barbaridade” sem mentir, como fazem os políticos!
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Os edifícios vistos desde onde fiz a minha selfie!
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O refeitório.
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Subimos há Torre de Menagem para contemplar o nevoeiro, uma vez que este não nos deixava ver muito mais que o casario de Monzon.
Descemos cá abaixo, e abalamos em direcção as montanhas nevadas, onde o sol aquecia o esqueleto.
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Estrada larga, curvas rápidas, pouco transito!
Vamos Dorothy, mostra-me o que és capaz!
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E os montes juntam-se todos, a estrada começa a ficar estreita, o piso molhado e eu desconfiado!
Olho para o mentiroso e este diz -3ºC e salta-me há ideia GELOOOOOOO!!!!!
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Não escorregamos, mas dá para ver como estava a coisa!
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Grande camada de geada tinha caido na noite anterior!
Espantem-se amigos, era quase 1 da tarde.
O maior perigo das estradas de montanha é a ausencia de luz directa do sol durante o dia, o que permite temperaturas ao nivel do solo muito baixas e o consequente risco de formação de gelo.
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Mas há sempre uma luz ao fundo do tunel!
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E o sol espreita….
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Eu bem que ouvia o barulho das aguas….
Só depois é que me lembrei: “deixa-me olhar lá para baixo!”
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Depois destas curvas (umas trezentas) esta Benasque!
Um dos povos mais bonitos de todo os Pirineus!
Outrora acampamento base para os pastores da zona, mas hoje vive do gelo, da neve e dos gajos aficionaos do Sky, Sku e derivados!
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Fizemos uma visita pelo povo para esticar as pernas e petiscar alguma coisa!
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Ao fundo o Cerler, pico com mais de 2400m de altura.
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Mais ruelas sombrias, num dia em que sabia bem estar ao sol!
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Uma torre….
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Finalmente a casa de refugio aos alpinistas!
Prontos!
Já chega!
Vamos meter Benasque num bolso e leva-lo para casa!
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De Benasque a Cerler há 6km e vale bem a pena!
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Não só pelas curvas que tem o trajecto, mas tambem pelo bem conservaado que está o povo.
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Com uma estação de Sky, virado para o turismo, dá para ver que existe uma preocupação na conservação das suas origens.
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Por momentos lembro-me de Piodão e começo a temer não encontrar um sitio onde dar volta há Dorothy.
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Ao lado de um templo existe sempre um largo, Cerler não era excepção!
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E com vistas excepcionais!
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Jà de partida, fizemos esta panoramica a Cerler!
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Para que conste que Dorothy esteve em Cerler, o povo mais alto dos Pirenéus Aragoneses!
Era hora de voltar, já era tarde, sobravam apenas um par de horas de luz e o melhor era sair dali quanto antes porque as estradas estavam delicadas, apesar de haver sal no asfalto.
Como nunca voltamos pelo mesmo caminho, decidimos descer até Campo e depois seguir em direcção a Graus, para apanhar um desfiladeiro que já fiz varias vezes, mas por infortúnio não pude registar.
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Cá está ele!
Daqui em adiante a estrada fica estreita e pendurada no barranco, com o rio a passar raivoso lá em baixo!
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Esta é a ultima imagem do dia, pois uma vez em Barbastro (novamente) apanhamos a autovia em direcção a Huesca e depois a Zaragoza.
A Dorothy portou-se muito bem, adorou as curvinhas e esteve sempre há altura das necessidades!
Recomendo vivamente um visita a Cerler, pelo entorno, pela situação e para quem gosta, fazer desportos de inverno!
Até há próxima e Boas Curvas a todos!

Aragão Por Lone Rider- Talamantes Um Pequeno Paraiso

O meu dia a dia é carregado de stress.
A estrada é fonte de muitos conflitos e o desgaste emocional que provoca vai-nos transformando como pessoas.
Para fugir a isso tudo, e unir o útil ao agradável eu utilizo a moto como terapia.
Desta vez fui há procura de algo novo, um sitio onde se acabasse a estrada e começasse o paraíso!
Eis o primeiro sinal!
1 Arvore
A estrada estreita sobe o monte que nos aproximam a linha do horizonte, deixando uma vista que muda a cada curva que passa.
2 Maria e as Peñas
Ao fundo estão as Peñas de Herrera, com mais de 1500m de altitude, são a marca que um antigo glaciar deixou para a posteridade.
3 Peñas de Herrera
E a estrada volta a retorcer-se para nos brindar com as surpresas menos esperadas!
4 Talamantes
Ali, metida no meio dos montes, ao abrigo de uma antiga muralha templaria do sec XII, estava Talamantes, onde se acaba a estrada!
5 Rua 1
Numa pequena exploração, conclui que a nível cultural e arquitectónico não tem muito para oferecer.
Trata-se de uma povoação normal, como todas as outras, cujas gentes vivem da agricultura de do gado.
6 rua 2
Mas ao vaguear pelas ruas, a calma e a paz vão-se entranhando no corpo. Começas a andar mais devagar, não estas tão alerta, tudo te parece harmonioso.
7 rua  3
Era isso mesmo que procurava, um escape, um sitio donde pudesse evadir-me e esquecer o mundo em que vivo!
9 Castelo
Esta é a única muralha do antigo Castelo, construído pelos Cavaleiros da Ordem do Templo.
Pode-se subir e tocar as muralhas, mas para ser sincero, para alem do caminho sinuoso, o que realmente é bonito é ver todo em conjunto.
11 pueblo
É aqui que Talamantes ganha beleza, como um conjunto, e não por algo cuja beleza ou importância anule a beleza do conjunto.
12 Pueblo 2
As cores do Outono dão há paisagem aquele sentimento bucólico da lareira, castanhas e vinho, com as primeiras neves a cair na rua.
Sim!
Aqui neva, estamos a 954m de altura!
13 castelo 2
Agora podemos ver a muralha com mais detalhe ao afastar-nos dela.
14 Peñas de Herrera
As Peñas de Herrera são fruto de um glaciar, que com a sua acção erosiva deixou este curioso recorte no horizonte!
Existem caminhos que nos levam praticamente até aos seus picos.
Não sei porque mas comecei a pensar na Dulcineia!
15 Ponte mediaval
Esta ponte, de fundação medieval, atravessa o rio e leva-nos até há Ermita templaria de São Miguel, Santo Padroeiro de Talamantes!
16.1
Agua limpas, puras, sem tratamento que não seja o purificador dado pela mãe natureza, que enchem de som a vida de cada dia deste povo, para alem de o abastecer!
17 Caminho
E o caminho torce-se mais um pouco….
18 Ermita de San Miguel
Ate que chegamos há ermita….
18 Sino
Tudo muito simples!
Como a vida mesma, que tanto teimamos em complicar.
19 Talamantes
Hei-la!
Talamantes um Pequeno Paraíso!
Continuamos a subir o sinuoso leito do rio para chegar o bosque.
20 Pinhais
Não é muito comum em Aragão (salvo nas zonas mais montanhosas) encontrar pinhais e matas densas.
Para os amantes do senderismo esta zona é rica em caminhos, todos eles bem sinalizados.
21 riacho
E o rio serve perfeitamente de banda sonora a tudo isso!
Outra particularidade destas paragens é a abundância de todo tipo de cogumelos, comestíveis e não comestíveis, onde as jornadas micologicas de Talamantes dão a conhecer, entre outras coisas, as varias formas de destingir o cogumelo que torna um arroz delicioso daquele que te pode levar há morte em agonia.
22 Caminho a Talamantes
Volto ao povo pelo caminho, com a ideia de que não posso fugir e encarar a minha realidade. Esta na hora de montar na Maria e voltar ao meu mundo complicado!
23 Bota
Não antes de fazer publicidade a esta reutilização muito original de uma bota!
Essa mesma bota que, muito provavelmente caminhou pelos caminhos deste pequeno paraíso.
24 Peñas de Herrera
Monto na Maria das Curvas e despeço-me das Penãs de Herrera apanhando a direcção de Alcala de Moncayo.
25 bici
O mesmo povo que recebeu a “Vuelta” desta forma…
26 Alcalá de Moncayo
Outro conjunto que, em conjunto, parece bastante interessante!
E a estrada deixou de ser estreita, as curvas passaram a ser rápidas e a linha do horizonte mais longínquo.
Do Paraiso a Zaragoza há 87km de distancia e muitas curvas rápidas que Maria devorou com o apetite de sempre!

Dulcinea, o meu motocultivador!

Gs, Gsa, Super (piano)Teneré, CrossTourer, Tiger (grrrr), Multistrada, 1190 Adventurer, Stelvio, bla, bla, bla…..

Tudo motos polivalentes, chamadas Globe Trotters, capazes de chegar donde as outras não chegam (depende em parte , não da astucia, mas se é um tótó que tem uma Maxi Trail por ser moda) e capazes de levar grandes capacidades de carga, com grandes doses de conforto a velocidades proibidas pela lei y com tamanha capacidade de juntar acessórios que há por aí alguma que já não pode levar nem mais um kg de carga útil!
A muitos desses, fazendo valer de sua postura de grandes aventureiros, o que fazem é chamar ás suas montadas de Tractores!
Pois bem, lá em casa dorme uma XR125, de 14 cavalos, com 7 anos de idade e apenas uma grelha no seu dorso para poder levar algumas coisas amarradas!

1 Dulcinea

Apresento-vos a Dulcinea! O meu moto-cultivador!

Dulcinea, como vocês já tiveram oportunidade de ler anteriormente já se aventurou pelo campo, já participou nos meus periplos pelo Aragão profundo e só ainda não viajou porque a Maria das Curvas prometeu-me assar a tomatada nos seus silenciadores se eu deixar de viajar com ela!
Recentemente, como algum de vocês deve saber, eu mudei-me de casa…
Dulcinea foi ferramenta importante nesse trabalho de mudanças!
2 Viagem de Fim de Semana
Esta é Dulcinea preparada para um fim de semana de escapada!
A partir daqui vão ver porque lhe chamo moto-cultivador….
3 Fim de Semana Romantico
Dulcineia há procura de um fim de semana romântico!
4 Objectos Pessoais
Sempre prestável, ajuda-me em tudo o que me é possível. Este foi o dia em que eu entrei para a minha nova casa.
5 Compras
Depois de entrar, tivemos que preparar a casa para começar a montar tudo nos seu novos sítios!
6 carrinho vs Dulcinea
Para entrar, deveríamos acondicionar primeiro todos os meus pertences. Compramos caixas de cartão, e fizemos as compras do mês. Foi então que surgiu o primeiro desafio para Dulcinea.
Como levar tudo isto!?
7 Dulcinea Win's
No duelo Carrinho vs Dulcinea foi canja com a ultima a saborear uma vitoria limpa!
Mas o pior ainda esta para vir.
Dos poucos moveis que tenho (alugo sempre casas mobiladas) alguns não os podia desmontar por falta de tempo e porque se o fizesse, nunca mais os podia voltar a montar!
8 Convoy Excepcional 1
Sai a mesa do escritório para o canto!
9 Convooy Excepcional 2
E agora a cadeira do escritório e alguns rolos de papel higiénico!
Ia cagado de medo, porque foi o único momento em que podia ser multado!
10 Convoy Excepcional 3
Ora aqui está um armário de mais de 2m de alto!
Não foi fácil, devo reconhecer, os policias municipais ainda releram o livro há procura de uma sanção que pudessem aplicar mas eu estava dentro da lei!
Dulcinea, como bom moto-cultivador que se prese, cumpria com nota elevada o seu trabalho!
11 Mega convoy 1
Chega a hora das caixas, caixotes e demais artilugios!
12 Mega convoy 2
Este é o meu equipamento motard (capacetes, luvas , casacos, calças, sacos cama, tendas, etc, etc…)
13 Mega convoy 3
Maria das Curvas estava morta por ajudar, mas as suas artroses no cubo da roda traseira não lhe davam descanso!
Ora, como estávamos ocupados com a mudança e não tínhamos tempo para prestar a atenção que Maria merece, decidimos levar as rodas ao sr doutor e, mudando os rolamentos das rodas, resolver de uma vez por todas as artroses de Maria das Curvas!
14 Dulcinea Enfermeira!
Uma vez mais foi a Dulcinea que tratou do trabalho de enfermagem, levando as rodas ao doutor e trazendo-as de volta!

Moral da historia!?

Uma mota, independente da sua ficha técnica, é capaz de tudo!
Viva a minha Dulcinea!
Viva o meu moto-cultivador!

Adeus Pedrola

A primeira vez que entrei nos teus limites tinha apenas 23 anos e em 2006, conclui a minha integração na sociedade aragonesa ao mudar-me de malas e bagagens para o teu intra muros!
Em Pedrola fiz amizades, conheci gente interessante e construí o meu dia a dia, de forma honesta e humilde.
A Pedrola cheguei casado e voltei a “solteirice”.
Em Pedrola amei e fiz amar, cheguei mesmo a esperar algo muito especial, mas o caminho foi demasiado duro.
Agora que saio das tuas entrenhas, levanto a cabeça ao horizonte, esperando que o Cierzo, que pelas tuas ruas assobia, me saiba dar uma direcção correcta.
Não te irei esquecer, porque fizeste parte da minha vida.
Guardar-te-ei no meu passado sem remorsos ou peso na consciencia.
Adeus Pedrola

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La primera vez que entré en tus limites tenia tan solo 23 anõs, en 2006 conclui mi integracion en la sociedad aragonesa cuando me cambie a vivir en tu “intramuros”!
En Pedrola hice amigos, conoci gente interesante e construí mi dia a dia, de forma humilde y honesta.
A Pedrola llegué casasdo y en ella me volvi soltero.
En Pedrola he amado y hice amar, llegando mismo a anelar lo mas deseado, pero el camino se hizo cuesta arriba….
Ahora que salgo de tus entreñas, levanto la cabeza al Horizonte, esperando que el Cierzo que en tu calles silba, me sepa dar el rumbo correcto.
Jamás te olvidaré, porque fuiste parte de mi vida.
Te guardo en mi pasaddo, sin remordimientos ni peso en la consciencia.
Adios Pedrola

Maria Dourada

Maria das Curvas foi ver o por do sol num final de tarde de Septembro.
Sendo ela da marca da Asa Dourada, revestiu-se de ouro-sol para despedir-se do Verão e lançar um desafio ao Inverno que se aproxima!

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Maria das Curvas ha ido a contemplar el sol poniendose en un final de tarde de Septiembre.
Como es de la marca de la Ala Dorada, se revestió de oro-sol para despedir-se del Verano y lanzar un desafio al Invierno que se acerca!

Curva

Esta es quizas la unica foto en que se me ve en “acción”.
El resultado fue una polémica sobre si estaba o no haciendo el mamarracho!
Desde entonces he decidido que no me volverán a fotografiar mientras conduzco mi moto.

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Talvez seja esta a unica foto em que vocês me veem em “acção”.
O resultado foi uma polemica sobre se eu estava ou não a transgredir.
Desde então decidi que não voltaria a ser fotografado enquanto conduzo a minha moto.